17 |  Sou um naufrago da tua lembrança…

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A distância dos teus olhos não a sei
abreviar, o latido dos teus sonhos
não me deixa adormecer

José Miguel Silva


…a juventude chegou até mim como se fosse um interruptor, que alguém toca sem cuidado, e pronto: uma lâmpada se acende no meio do cômodo que sou.
Eu existia de maneira contida, indiferente ao que era realidade… imersa em um mundo particular sem me preocupar com tempo-espaço-lugar. Ocupava sempre a mesma porção de mundo-vida, cercada por paredes brancas… e me distraia com coisas minhas: filmes em preto e branco, páginas de livros anteriores a mim e, com palavras que eu deitava nas folhas dos cadernos que comprava aos sábados, na papelaria que ficava no meio do caminho.
Não me misturava porque não fui forjada para existir em bandos — e isso não mudou. Acontece em minha anatomia uma espécie de prazer quando me permito lugares vazios: a mesa do canto, a sombra distante de uma árvore em algum lugar obtuso ao fundo, o espaço entre prateleiras na biblioteca.
É desses lugares que parte o meu olhar, indo tropeçar em um ou outro humano em movimento, aprendendo-o com o cuidado de quem gosta de saborear anatomias.
E foi justamente a bordo de um desses “cantos de mundo” que eu a descobri… com as mãos em movimentos perfeitos — uma espécie de maestrina. Livros empilhados de maneira precisa de um lado da mesa e do outro o caderno de notas… eram os acessórios de uso pessoal para o trabalho que realizava de segunda a sexta.
Poucas pessoas me interessavam na realidade dos dias… e ela foi uma das poucas a conquistar a minha atenção. No começo os nossos diálogos eram mínimos… devido a distância natural que existia entre nossos corpos. Cumprimentos rápidos. Acenos lentos e diálogos moderados a partir de seu discurso eufórico… sempre em língua estrangeira.
Aprendi outros nomes, novas palavras. Reformulei frases inteiras… discursos. Meu pensamento vagou em outras direções. Misturei geografias. Atribui novos sentidos e significados.
Reparei depois de algum tempo que o olhar dela era sempre mais manso para mim… enquanto para os outros era mais severo.
Com ela, eu aprendi o efeito calmante de uma xícara de chá inglês… e o prazer de sorver pequenos goles espaçados. A satisfação de se chegar primeiro aos lugares, antecipando-me às pessoas. A alegria de cheirar as páginas dos livros antes de iniciar uma leitura e de sentir a textura das paredes e das superfícies dos móveis na ponta dos dedos. Compreendi a relevância de me esparramar em diálogos amenos, sem precisar pensar a melhor pontuação, ponderar os hiatos ou escolher com algum cuidado os verbos.
Mas nem tudo foi alegria nessa nossa convivência… foi ela quem me deixou sem ar-fôlego e fez o cuore pausar no meio do peito quando me disse — sem titubear —, que eu seria a autora da peça de teatro do ano. Eu a odiei com todas as minhas forças. Me senti traída-molestada-ferida. Engoli o que existia de saliva na boca e não mais respirei e jurei odiá-la pelo resto dos meus dias. E como foi difícil renascer… me tranquei dentro da pele e não disse palavras durante dias-semanas. Uma vida inteira! Ela foi a causa de minha primeira morte.
Ela era ousada nos gestos, nos passos, nos vôos-pousos… e sobretudo, nas vontades. Citava Woolf, Auden e Dickinson numa mesma frase. Dormia na companhia dos russos e acordava ao lado dos portugueses. Calçava os óculos feitos sob medida para se encaixar em suas orelhas pequenas. Não usava maquiagem… e eu reparei que ela sentia imenso prazer em cobrir as vestimentas com o velho avental azul.
Quando dizia poesias de Borges, me fazia eclipse. Quando me oferecia uma pilha de livros para que eu ampliasse provasse de novos aromas… me fazia lua cheia.
Percebi através dela que o primeiro amor não nos é oferecido como sendo coisa entre homem-e-mulher ou mulher-e-homem. É outra coisa… muito mais imensa e intensa, como o crepitar do fogo junto a acha recém-chegada. É o cuore com suas batidas irregulares acontecendo dentro do peito.
A., foi o amor da minha juventude… a mulher que se aconchegou em meus olhos, permanecendo ali até o final do colégio, quando me entregou um abraço demorado e meia dúzia de palavras: “eu fiz a minha parte, agora é com você”.
Eu me lembro de segurar firme em suas mãos. Não queria partir… mas existia a consciência de que não poderia ficar. Nosso tempo juntas havia terminado… e o dia seguinte foi estranho-vazio.
Em nosso último encontro… eu havia retornada à cidade. Tinha percorrido o mundo-inteiro, me perdido e encontrado. Era outra… e ela saia de uma cafeteria de mãos dadas com o homem de sua vida. Fiquei do outro lado da rua… a admirar a cena, enquanto rebobinava o filme da minha juventude. Não pretendia ser vista… queria ficar ali no meu canto, com os olhos-cheios a escrever uma crônica sem prazo de validade. Ela abriu os braços e eu sorri… atravessei a rua e me aconcheguei naquele corpo franzino. Não me lembrava de ser assim… tão miúda. Foi sua pergunta que me fez perceber que eu tinha pegado um atalho para a vida de outra pessoa, que não a minha…
O pulsar dela se encerrou num desses dias de janeiro… outro. Eu soube através do filho mais velho dela — também professor —, que fez a gentileza de me avisar, em poucas linhas bem pontuadas… apenas o suficiente para sabê-la em paz: O cuore parou, disse ele, como o de seu personagem. Por sorte finalizamos a leitura de seu vermelho em tempo.

Brinca-se com o passado… alguém quer jogar?

Não sei se já mencionei aqui ou em outro lugar… o quanto gosto de percorrer a cidade a bordo de um Coletivo. Principalmente a bordo dos famosos Trólebus — conhecidos por suas pausas inesperadas… no meio das ruas paulistanas.
E, foi justamente, a bordo de um desses red bus paulistanos… ao voltar para casa, pouco antes de mais uma tempestade de verão que eu avistei uma signora na janela de uma desses sobrados-antigos-napolitanos que São Paulo ainda preserva-e-exibe aos nossos olhos. Cena pitoresca que me fez atravessar o oceano e voltar para casa.
Sempre que eu saía de casa, me deparava com a figura folclórica de dona M., que a bordo de seus setenta e tantos anos — tempo demais para uma menina de quase seis: compreender —, se dedicava incansavelmente à sua tarefa favorita: tomar conta da vida de seus vizinhos. Ela sabia das chegadas e partidas de todos os vizinhos… nascimentos, mortes, casamentos e separações — nada escapava ao seu olhar de águia. Ela ouvia conversas inteiras, pela metade… e inventava possibilidades que, às vezes, provocava o caos, em nossa rua.
Eu era a única a me divertir com aquela figura mística… que sabia se fazer ouvir. Sua voz alcançava as duas esquinas de nossa pequena rua e invadia cômodos de todas as casas.
Sempre acreditei que ela sentia qualquer coisa de satisfação quando um ou outro vizinho ralhava com ela… era a visita que nunca recebia. Parecia que ela preparava café e pegava uma lata de biscoitos no alto do armário — reservada para momentos cheios.
Dona M., era uma viúva solitária que precisava se ocupar com o que era alheio, já que de seu não tinha mais nada. Os dois filhos viviam em outro país e, raramente a visitavam. O marido tinha morrido havia alguns anos — o coração simplesmente parou, foi o que me contaram. E ela ocupava a mesma casa-grande desde os anos quarenta. Não era convidada por ninguém… e só entrava na casa dos vizinhos através de suas fofocas.
Pela manhã, dona M., limpava os enormes cômodos e fazia bolinhos para ninguém. Suas compras eram trazidas por um menino que ganhava algumas moedas por seu gesto bondoso. Mas, ele não entrava…deixava tudo no portão e ía embora ligeiro. A casa cento e cinquenta e dois da nossa rua era sempre quieta-e-silenciosa… sem sons de criança no quintal, sem cães a latir no portão, festas nos fins de semana ou chás nos fins de tarde. Havia apenas um velho gato-branco-folgado que passeava por cima do muro, mas não era dela, embora o alimentasse com bolinhas de carne, que ela mesma preparava. Certa vez a surpreendi em conversa com o Gato e me lembrei da história de Lewis Carroll, pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson.
Nas vezes em que me sentava no portão de casa para esperar pelo mio babo… tinha vontade de ir até ela e dizer ‘olá’. C., que era a única da rua a não lhe virar a cara e a cumprimentá-la cordialmente a qualquer hora do dia… não autorizava o atravessar da rua, em direção à casa. Curiosamente, nunca fomos alvos das fofocas que dona M., fazia.
Eu acenava com a mão bem aberta no ar… lhe entregava qualquer coisa de sorriso e sentia certa empatia por meus gestos menores… uma espécie de sorriso naqueles lábios murchos e uma quase lágrima em seus olhos. Ela — rapidamente —, fechava as cortinas com as duas mãos, num gesto rude… e desaparecia. Eu ficava a observar o formato da janela, as cortinas em movimento de vento e o sol a resvalar sorrateiro na parede da casa com os três números bordados na fachada.
Ela foi a minha primeira tela de Hopper… e, às vezes, como hoje, lamento não ter atravessado a rua e oferecido um instante de companhia. Foi estranho me deparar com aquela janela fechada, ao voltar, anos mais tarde. A casa estava abandonada, o mato crescia no que antes era um jardim. Não havia sinal do gato e nem da mulher. Uma placa de ‘vende-se’ estava amarrada no portão e eu só consegui imaginar que se ela morreu lá dentro, levou dias para alguém reparar…

03 | cada um enxerga o mundo a partir de suas próprias cores!

Biblioteca Mário de Andrade
Biblioteca Mário de Andrade – São Paulo

 

 

Eu nunca lidei com proibições a casa. Havia limites… mas a palavra: proibido… não tinha lugar na casa 141 da Rua Amélia Maranghoni, onde aconteceu a minha infância. Os livros viviam espalhados por cima dos móveis, empilhados nos degraus, ao lado das poltronas… sempre ao alcance das mãos.

Não havia restrições de leitura e eu tinha livre acesso a poesia de Emily Dickinson… aos romances russos-franceses-lusitanos. Mas, os meus favoritos em meus dias de menina eram os ingleses.

A proibição — curiosamente —, aconteceu quando chegou a idade escolar… os livros eram adequados à idade e turma. Ficavam dentro de uma caixa, na sala de literatura. Cada aluno podia ler um daqueles livretos se terminassem as atividades curriculares — antes dos demais. Uma espécie de prêmio de consolação por ser mais ágil.

Inicialmente, a idéia de “caixa de livros” me chamou a atenção — até ter acesso a ela e seu conteúdo. Livros coloridos, ilustrados e com histórias pequenas-curtas, divididas em frases soltas pelas páginas. Virei aquelas páginas enormes sem empolgação e aborrecida… o devolvi a caixa com o descaso típico de uma leitora forjada em outro tipo de livro.

Acabei por encontrar refúgio na Biblioteca da escola no intervalo e seus intermináveis vinte minutos que deveriam ser suficientes para ir ao banheiro, fazer uma refeição qualquer e supostamente descansar. Era nesse tempo duradouro que aconteciam as brincadeiras estupidas de meninas-e-meninos.

Eu fugia porque não servia para aquele ambiente, uma selva com animais selvagens a solta. E, ao caminhar por entre as prateleiras, encontrei uma versão de ragione e sentimento — foi como emergir do fundo da piscina após longo período em imersão.

Escolhi a mesa do canto, perto da janela, com ótima luz e visão perfeita de todo aquele lugar calmo-tranquilo e pouco visitado. Me acomodei… e fui virando as páginas — uma a uma — até ser descoberta, de posse de um livro considerado impróprio para a minha idade, portanto, proibido. Num gesto rude — a coordenadora de turmas — o retirou de minhas mãos. E, se num primeiro momento houve espanto-susto, pouco depois eu estava furiosa. Uma tempestade acontecia do lado de dentro… desde a infância que eu sei que minhas expressões não são passíveis de disfarce…

O meu comportamento foi considerado irregular… e além de ‘ouvir’ um longo e monótono discurso sobre o perigo de consumir literatura inadequada para a minha idade, precisei aguardar sentada — no banco em frente a sala do Diretor —, pelos meus pais, que foram chamados às pressas.

Antes de ir para a escola… eu era uma criança livre dos enquadramentos sociais e dos muros convenientes — inventados para ‘nos proteger de nós mesmos’. A escola, no entanto, me oferecia uma lista de perigos e regras estranhas, com as quais impliquei desde o primeiro momento. Me recusei a ser menina, vestir saias e calçar sapatilhas pretas. Tinha a sensação de que no fluxo da vida, eu tinha perdido a hora — chegado atrasada. O tempo corria de maneira diferente naquele mundo comandado por adultos esquisitos, diferentes dos meus.

Para a minha alegria, no entanto, encontrei na figura de J., — uma senhora simpática: dona da Biblioteca da escola — uma cúmplice. Após retornar a biblioteca… ela me deu um livro enorme, com capa de couro-marrom, que continha todos os contos dos irmãos grimms — em suas páginas ilustradas, coloridas e com letras bem desenhadas.

Me aborreci assim que vi do que se tratava. Respirei fundo, cruzei os braços a frente do corpo, agradeci e avisei não iria ler aquele livro bobo. Ela insistiu… me conduziu até a mesa, esperou que eu me sentasse e colocou o livro aberto, em meu colo. Me ensinando a manuseá-lo. Era bem pesado para o meu tamanho. Mas, dentro dele, cabia um livro menor: ragione e sentimento — esse será o nosso segredo. Eu não vou perder uma leitora por causa de regras bobas.

Durante todo o primeiro ciclo escolar… li muitos livros sentados à mesa, perto da janela, longe das regras do lugar-escola — sem que ninguém desconfiasse. E sobrevivi a meninice sem ler os tais contos de fadas e suas bobagens de príncipes e princesas, reinos distantes e bruxas malvadas.

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paes

meu caro 2019… o ano seguinte ao seu, começou com um dia azul que eu não soube posicionar em nenhum mapa. Era quarta-quinta? Parecia mais um dia azul de sábado, com sol quente… e eu tirei as coisas todas do lugar para experimentar um movimento-outro-novo. Verifiquei os livros-cadernos. Queria trocar o lugar dos móveis. Mas, a única coisa a se mover foi o meu pensamento, que me levou de volta no tempo —  antes de você… e seu conjunto intermináveis de dias.
Rememorei o último dia de um ano-outro. Estávamos na cozinha… conversas, risos soltos, ingredientes misturados na vasilha e as nossas mãos sujas de trigo-leite-ovos-açúcar-fermento-iogurte — era o nosso ritual de ano novo.
Não nos importávamos com fogos na noite de trinta e um. Nos enfiávamos em pijamas aquecidos. Xícara de chocolate quente em mãos… e a noviça rebelde na televisão. Sabíamos as canções todas e até as falas de alguns personagens.
Todo ano era a mesma coisa-cena-momento e, às vezes, parecia que não tinha passado um ano inteiro até aquele nosso momento.
Em seu dia último… não sei se você foi pontual ou não. Os diálogos embalados por risos soltos nos distraíram e de repente alguém anunciou: já é ano novo. Buscamos pelos ponteiros-números nos smarths, que diziam o antes e o depois — como se obedecesse ao Kairos de cada um. Nos abraçamos nos seus últimos minutos — ou nos primeiros do ano seguinte ao seu existir. Desejamos alegrias-sucesso-loucura-silêncio…
Eu fui até a janela apreciar a cidade e suas luzes coloridas e percebi que eu não soube lidar com os seus dias. Não foram todos ruins… nem seria possível ser. Houve dias intermináveis. Diálogos impróprios. Idas e vindas. Chegadas e partidas. Algumas pessoas se foram e eu percebi que não me incomodo mais com essas partidas repentinas. Aprendi a deixar ir… e,  compreender o novo ritmo do mio cuore. E, por isso lhe sou grata.
Mas não precisava ter sido tão sisudo, exibir tantos dias de sol — a ex-moça do tempo disse que os teus dias foram os mais quentes dos últimos não sei quantos anos… eu não entendo essas estranhas medições humanas que não servem para nada.
As pessoas se mostraram dispostas as falas e, por isso, te denominei o ano da ignorância. Faltou paciência! Não soube lidar com as monótonas frases prontas, baseadas em opiniões umbilicais. Sobrou disposição para fugir de diálogos vázios-intermináveis que serviu para que eu percebesse que ser-ter inteligência não é grande coisa. A ignorância é uma condição humana que afeta a tudo-todos e não há vacinas para isso.
Me despeço de ti, dois mil e dezenove… dizendo em voz alta que não sentirei saudades. O dia primeiro-seguinte ao seu fim foi como deve ser, bem íntimo… com as mãos sujas de ingredientes e uma bela fornada de pães que me posicionou em um calendário-particular que não terá trezentos e sessenta dias —  a minha soma é outra.

Au revoir

11 | uma voz nas pedras

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Li em algum lugar que, bons livros levam tempo para existir na superfície das coisas. Não penso no tempo — dos ponteiros — não me ocupo de calendários. Não tenho pressa… mas não se engane — eu sou uma pessoa movida a urgência.
Quando as frases gritam dentro — e de tão cheia, necessito transbordar… deixar sair e dar a elas o movimento do grafite-passo pelo chão-papel. É uma cena curiosa de se observar… qualquer coisa de desatino se apodera de meus gestos-modos. Não sei dizer se me calo, fecho dentro ou se grito e fujo por ruas-avenidas-alamedas sob os olhares convencidos de minha loucura.
Já perdi narrativas inteiras — entre um passo e outro —, no tempo em que decidi que a literatura era meu caminho-destino… um alvo para a minha flecha, a equilibrar-se em mira, no exato instante em que se antecede o disparo.
Tudo acontece dentro, numa efervescência desconcertante. O cuore pulsa acelerado. A mente alucina. O corpo convulsiona. É uma inquietar-se com o qual se acostuma…
Me lembro que o meu primeiro contato com Alice — personagem desse novo livro-romance — aconteceu durante uma viagem. Eu queria me afastar de São Paulo para conhecer novas paisagens. Seguir o traço cinza rumo ao interior, sem mapas que me guiassem. Optei por me orientar pelas placas verdes da estrada e rabiscar mentalmente as possibilidades até me deparar com um nome que significasse alguma coisa.
E, ao me deparar com aquela frase — o lugar onde ainda se vive — escrita no alto de um portal verde e branco… eu encontrei o que procurava. Segui adiante para conhecer o lugar que acontecia — espremido — entre montanhas. Uma espécie de Vale que as nuvens protegia nas primeiras horas do dia.
E, faltando menos de três semanas para o lançamento, esparramo essas lembranças por cima da mesa e vou espiando a construção de cada capítulo… desde o tempo dos rascunhos de gaveta — uma dúzia e meia de páginas impressas, algumas folhas soltas-rabiscadas e a falta de certezas a empurrar para o futuro o projeto-literário, que mudou  de nome, ganhou novos personagens e um novo fio condutor.

Alice é uma mulher traída por um desejo comum: ser feliz. Sonhava desde a infância, viver um conto de fadas. Quando escutou a história da Cinderela pela primeira vez — se metamorfoseou em Princesa. Passou a sonhar com o seu próprio conto de fadas… o dia do sim, o vestido branco, a igreja cheia, a marcha nupcial, os votos, o par de alianças, a chuva de arroz e o foram felizes para sempre.
O problema é que qualquer homem que lhe oferecesse um anel, seria um Príncipe. Alice se esqueceu de considerar que nessas histórias infantis… não existe o dia seguinte ao “foram Felizes para sempre” e existe um motivo para isso — tudo se resume ao once upon a time — e Alice descobre o que todas essas histórias escondem, da pior maneira.

 


O lançamento de Alice, uma voz nas pedras será no dia 30 de novembro, às 19 horas na  Casa Laranja… em São Paulo.


 

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