Um poema para essa sexta-santa

Estes tempos de pandemia são prosaicos, mais lentos e um tico aborrecidos. As notícias se repetem e qualquer roda de conversa versa a respeito do invisível… enfatizando a nossa proximidade com o vírus. Se em um tempo anterior, os números eram somas impossíveis-estranhas-distantes — os nomes de pessoas próximas-conhecidas-parentes-amigas se agigantam numa lista que nãoContinuar lendo “Um poema para essa sexta-santa”

10 fatos literários sobre mim

Definitivamente, todo leitor tem suas peculiaridades! Que somos completamente apaixonados por livros, não é uma novidade. Mas, se tem uma coisa que um leitor gosta de fazer… é compartilhar impressões com outro leitor. Eu, por exemplo, já fui vista as prateleiras da livraria que eu frequentava (antes da pandemia) a travar um enorme diálogo comContinuar lendo “10 fatos literários sobre mim”

…lendo meus desacontecimentos

Escolhi viver sem fronteiras definidas, nações não me interessam, limites só me importam os da ética. Tenho um coração andarilho, um corpo mutante, uma mente trangênera. Sou irmã, mãe, filha, homem, cúmplice, bicho bicho, humano, árvore, erva daninha, pedra, rio, Vírus. Sou todas as cores, todos os sexos, todas as línguas. Sou palavra em palavras.Continuar lendo “…lendo meus desacontecimentos”

Os livros lidos no outro ano…

Sentei-me aqui na varanda, com uma xícara de chá em mãos, para espiar — de novo —, o ano que passou. Respirei fundo e depois de um pesado gole do chá… percebi que os dias-semanas-e-meses de dois mil e vinte… não se orientam em somas possíveis. É como jogar um par de dados na mesaContinuar lendo “Os livros lidos no outro ano…”

Poesia Completa

Símbolos Gilka Machado Eu e tu, ante a noite e o amplo desdobramentodo mar, fero a estourar de encontro à rocha nua…Um símbolo descubro aqui, neste momentoesta rocha, este mar… a minha vida e a tua. O mar vem, o mar vai, nele há o gesto violentode quem maltrata e, após, se arrepende e recua.ComoContinuar lendo “Poesia Completa”

Poemas Completos

A faca não corta o fogo Herberto Helder que eu aprenda tudo desde a morte,mas não me chamem por um nome nem pelo uso das coisascolher, roupa, caneta,roupa intensa com a respiração dentro dela,e a tua mão sangra na minha,brilha inteira se um pouco da minha mão sangra e brilha,no toque entre os olhos,na boca,naContinuar lendo “Poemas Completos”

livro do desassossego

“Porque eu não sou nada, eu posso imaginar-me a ser qualquer coisa.” Não sou de fazer lista de livros por ler ou para ler — lista me lembra ida ao supermercado, prateleiras, códigos de barra e, filas nos caixas. Eu sou do tipo que vai até a estante — nos intervalos do dia — paraContinuar lendo “livro do desassossego”

Poemas

Os homens ocos INós somos os homens ocosOs homens empalhadosUns nos outros amparadosO elmo cheio de nada. Ai de nós!Nossas vozes dessecadas,Quando juntos sussurramos,São quietas e inexpressasComo o vento na relva secaOu pés de ratos sobre cacosEm nossa adega evaporada Forma sem forma, sombra sem corForça paralisada, gesto sem vigor; Aqueles que atravessaramDe olhos retos,Continuar lendo “Poemas”

Poética

Ana Cristina César Deus na Antecâmara Mereço (merecemos, meretrizes)perdão (perdoai-nos, patres conscripti)socorro (correi, valei-nos, santos perdidos) Eu quero me livrar desta poesia infectabeijar mãos sem elos sem tinturasconsciências soltas pelos ventosdesatando o culto das antecedênciassem medo de dedos de dados de dúvidasem prontidão sanguinária (sangue e amor se aconchegandohora atrás de hora) Eu quero pensarContinuar lendo “Poética”