A leitora que eu sou

Eu nasci na famigerada década de oitenta — a famosa década perdida, com todos os seus excessos. Por aqui, estranhamente, ficou conhecida como a década de ouro. Mas, ao espiar o que era o Brasil desses dias, fica fácil compreender essa geração de alienados e negacionistas que assolam o país atualmente. Impressionante como ninguém seContinuar lendo “A leitora que eu sou”

Parece que, na miséria, tomamos consciência da nossa própria existência

Passei as últimas horas tentando escrever a biografia da minha personagem, que não é nova, mas não passava de uma transeunte em outra história. Eu gosto imenso quando as minhas personas migram de uma narrativa para outra, como aconteceu com Alice que, em seu momento de vida-e-morte — muito mais morte que vida — acabaContinuar lendo “Parece que, na miséria, tomamos consciência da nossa própria existência”

A janela indiscreta do meu olhar…

Passa das onze… as horas avançam em pares e a noite se esparrama por cima da cidade.Gosto imenso desse momento. Lembra um filme antigo-conhecido, em preto e branco. O dissolver da realidade como conhecemos. As preces crescem nas janelas que os meus olhos alcançam. Tenho essa mania desde a infância — observar esses espaços onde vez ouContinuar lendo “A janela indiscreta do meu olhar…”

Escrito à mão…

Meu primeiro rascunho, no sentido de produção literária, aconteceu em sala de aula… o lugar mais impróprio e inadequado para uma criatura que não aprendeu a se misturar e não se deixou forjar por aquele espaço irregular, com suas cadeiras em fila, quadro negro e o espaço mal definido destinado com exclusividade aos professora… eraContinuar lendo “Escrito à mão…”

Teorias impossíveis em uma xícara de chá

Às vezes, para escapar da realidade e suas coisas demasiadamente humanas… eu faço uso de certos artifícios para distrair a mente — ocupando-a com bobagens-particulares. Há quem se embebede, mas, como eu não sou adepta desse hábito peculiar, prefiro colocar a água no fogo e aguardar pelo precioso som da chaleira que apita estridente naContinuar lendo “Teorias impossíveis em uma xícara de chá”

Não perdi o hábito de escrever em diários,

Eu tive muitos cadernos desde a infância… era a menina que andava com a mochila cheia até a escola por não gostar de deixá-los no armário que tinha o meu número de matrícula seguido do meu nome escrito em uma plaquinha. Lembro-me que a coordenadora da minha turma, chacoalhou a chave no ar, antes deContinuar lendo “Não perdi o hábito de escrever em diários,”

os meus rituais de escrita

Uma das coisas mais difíceis na vida de um escritor é saber pontuar as histórias, atribuindo ritmo à narrativa. Uma das mais ingratas tarefas, sem dúvida, sendo superada apenas pelo desafio da folha em branco, que para muitos é intransponível. Eu considero o melhor momento… Adoro ver piscar o cursor no canto da tela doContinuar lendo “os meus rituais de escrita”

NaNoWriMo 2021

Eu não me lembro da primeira vez em que ouvi falar do NaNoWriMo — National Novel Writing Month — um desafio criado pela ONG Office of Letters and Light, em 1999 e renomeado em 2013 apara NaNoWriMo. Mas uma coisa eu sei, queria que tivesse acontecido antes… Pode até parecer assustador participar de um desafioContinuar lendo “NaNoWriMo 2021”

Um recorte antigo

Fotografei essa janela em uma manhã nublada em que peguei a câmera e saí para caminhar. Eu morava no Alto da Lapa — um bairro grudado em outros tantos bairros-vilas… coisa bastante comum. Eu tinha algumas trilhas que gostava de percorrer por lá. Uma delas me levava até a Biblioteca Cecília Meireles e seus arredoresContinuar lendo “Um recorte antigo”

tinha outra janela no meio do caminho

Nos primeiros anos em São Paulo… eu saia com uma câmera a tiracolo e, quando algo chamava a minha atenção, disparava o clique… Foram centenas de registros. Naqueles dias, eu precisava esperar alguns dias pelo resultado. Completar os rolos de filmes… removê-los da câmera e levá-los a um dos espaços para revelá-los. Lembro-me da surpresaContinuar lendo “tinha outra janela no meio do caminho”