Próxima estação: junho…

A manhã esbranquiçada alcançou os meus olhos assim que eu abri as cortinas da sala… sensação gostosa de nuvens-névoa-neblina por toda a parte, embaçando o olhar como num pós banho. Paralisei o passo na varanda, provando do ar gelado da aurora que me deixou em suspenso, entregue a lembrança de certos dias de dezembro. Na infância,Continuar lendo “Próxima estação: junho…”

Interessava forjar um corpo além do corpo, na letra

Eu escrevia por escrever somente, na infância… sem preocupação alguma com as regras literárias — que eu nem sabia existir à época. Preenchia livremente as páginas dos meus cadernos com qualquer coisa minha: vocabulário pouco, realidade pequena-encolhida… de uma janela a outra, ruas estreitas e calçadas encolhidas. Eu escrevia conforme crescia — um centímetro ou doisContinuar lendo “Interessava forjar um corpo além do corpo, na letra”

Um lugar para a minha escrita…

Minha escrita é mais ou menos como eu… uma criatura indócil que precisa de movimentos dispares-urbanos-contrários, qualquer coisa de passado-presente-e-futuro devidamente misturados e um canto seguro-confortável para existir-acontecer — Ser. Não consigo escrever em lugares comuns… organizados para esse fim. E sei disso graças ao fracasso após inúmeras tentativas. Na casa onde cresci, havia uma biblioteca-escritório… comContinuar lendo “Um lugar para a minha escrita…”

Como escrever um bom texto?

Toda semana, as segundas, eu faço uma live com convidados, no instagram… para conversar com os autores da Scenarium e seus livros. Hoje, eu fugi do enredo e respondi a pergunta que mais ouço nos cursos de escrita que ministro… Abril [entre tantas coisas] é o mês do B.E.B.A e lá vamos nós…e eu tereiContinuar lendo “Como escrever um bom texto?”

* E todo o desacordo de Babel

…sentei-me aqui, nesse fim de tarde-começo de noite (fria) de outono, para responder uma missiva que há dias queima em minhas mãos. As palavras flutuam por dentro, como de costume. Mas não deixam o invólucro… porque preservo alguns pequenos hábitos. Eu preciso ser noite, xícara de chá, silêncio, folha de papel, envelope e selo aoContinuar lendo “* E todo o desacordo de Babel”

19 | O que a memória nos recorda (?)

Recordei enquanto degustava uma generosa xícara de chá de um correspondente com quem troquei cartas durante anos. M., era um signore muito generoso com as palavras, que vivia em Santa Maria da Feira, em Portugal. As missivas escritas por ele… chegavam dentro de um envelope artesanal, na primeira e última semana do mês, respectivamente… Suas linhasContinuar lendo “19 | O que a memória nos recorda (?)”

Em mãos

Se há uma coisa boa de ler, é uma carta – escreveu Otto Lara Resende em uma de suas crônicas. Eu, no entanto, teria escrito: se há uma coisa boa de se escrever, definitivamente é uma carta… Abril [entre tantas coisas] é o mês do B.E.B.A e lá vamos nós…e eu terei companhia nessa aventuraContinuar lendo “Em mãos”

Lua de Papel

Quem acompanhou Catarina (quem completa nesse louco-ano 08 anos) nessa semana, leu minha experiência na tessitura de meu primeiro romance — um episódio único na minha trama particular. Ouso dizer que foi o primeiro passo na direção da escritora que hoje eu sou. Não escrevi sobre mim, como faço aqui no blogue. Escrevi a históriaContinuar lendo “Lua de Papel”

A cidade é um chão de palavras pisadas

Apertei o botão da máquina de expresso e ao sentir o aroma do café no ar rememorei os processos do meu primeiro romance. O primeiro passo foi estabelecer uma rotina para me disciplinar. Decidi que escreveria um capítulo por semana e passei a sair de casa — diariamente —, pouco depois do meio dia… aContinuar lendo “A cidade é um chão de palavras pisadas”