16 — Entre o dia e a noite, há sempre uma pausa quebradiça

Meu caro dezembro, Você chegou! O último mês do calendário humano… costuma ser época de festa, férias e as pessoas se agitam para fazer suas retrospectivas. Passam a limpo um ano inteiro: o que ouviram, leram, assistiram. As famosas listas pipocam aos montes por aí… e eu que não gosto de listas, tento entender paraContinuar lendo “16 — Entre o dia e a noite, há sempre uma pausa quebradiça”

15 — Caminho… e atrás de mim caminham lugares

Caríssima A.a, Comecei a sentir o verão em meu corpo nessa última semana. Vi o sol com seu dourado gasto tingir a fachada dos prédios da alameda. Soube que seria um longo dia azul, com horas abafadas e promessas não cumpridas de chuvas. Eu não sei como as pessoas conseguem ser felizes no verão. EuContinuar lendo “15 — Caminho… e atrás de mim caminham lugares”

14 — Caindo de si em si mesmo…

Amore mio, …aconteceu novembro em mim, há pouco, enquanto observava a paisagem ensolarada, a rua com seus movimentos de carros-cães-pessoas… Às vezes, parece que o tempo para e a vida não se atreve a sair do lugar… permanece imóvel, como se aguardasse algo a acontecer… um estalo, um estouro — talvez. Eu e o calendárioContinuar lendo “14 — Caindo de si em si mesmo…”

13 — A flor escura da realidade

Daqui de dentro, sem prazo para emergir… Caríssima M., …sua missiva chegou até mim como uma forte rajada de vento, daquelas que tiram tudo do lugar e causa algum tumulto na mesa que ocupo essa semana. Não saí de casa — não vi pessoas e me espalhei pelos cantos desse lugar ao qual não pertenço.Continuar lendo “13 — A flor escura da realidade”

12 — O silêncio aumentou tanto que o relógio parou

Aqui, 31/10/21 Cara K., Aguardo pela meia-noite aqui na varanda… sinto os ventos frios sopram forte lá fora, em pleno outubro, que exibe seus últimos estranhos dias. Tudo voltou a ter a rapidez incômoda de antes. Pisca os olhos e começa o mês… pisca de novo e pronto: acabou… Prefiro vigiar as nuvens que dançamContinuar lendo “12 — O silêncio aumentou tanto que o relógio parou”

11 — * labirinto, antítese, emblemas

“Pois já conheci a todos, a todos conheci— Sei dos crepúsculos, das manhãs, das tardes,Medi minha vida em colherinhas de café;Percebo as vozes que fenecem com uma agonia de outonoSob a música de um quarto longínquo.Como então me atreveria?” T.S.Eliot Caríssima A.a Há pouco… ao revirar minhas coisas, encontrei um maço de envelopes azuis, tãoContinuar lendo “11 — * labirinto, antítese, emblemas”

10 — Às vezes, paro a porta, com o olhar perdido e habituado ao silêncio

Pois de tudo fica um pouco. | Fica um pouco de teu queixono queixo de  tua filha.  | De teu áspero silêncioum pouco ficou, um pouco  |  nos muros zangados,nas folhas, mudas, que sobem. Carlos Drummond de Andrade Cara M., Hoje eu vi S. rapidamente… e levei um susto ao reconhecer os contornos dela no sentidoContinuar lendo “10 — Às vezes, paro a porta, com o olhar perdido e habituado ao silêncio”

09 — Reencontrada em lugares inesperados

Caríssima A., Acordei dentro do breu — ainda madrugada — com o silêncio das alamedas. Que vontade de ir lá para fora… apenas com a roupa do corpo — sem proteções e medos. Ainda não consegui me desvencilhar de certos receios: tenho consciência de que não deixarei de usar máscaras tão cedo, por mais queContinuar lendo “09 — Reencontrada em lugares inesperados”

08 — Ocupar o silêncio da casa

Cara mia, Anoiteceu aqui dentro, cara mia… mas não olhe para os ponteiros do relógio — que insistem em dizer outras horas que não as que trago dentro do peito. Mio cuore — convertido em carrilhão — discorda das horas do dia. Acostumado que está a dar de ombros para a teimosia de Cronos — deusContinuar lendo “08 — Ocupar o silêncio da casa”

07 — Sou feita de trovões

Caríssima Ana, Pensava em tuas linhas quando ouvi o som de um trovão ressoar pelos cantos da casa-corpo-alma. Fechei os olhos, respirei fundo… e vesti a pele com um punhado de sensações novas e antigas — devidamente misturadas. A mente escapou e foi folhear as páginas do livro de Helder, em estado de repouso naContinuar lendo “07 — Sou feita de trovões”