39 — Os sutis movimentos do cuore que nos salvam

na vitrolinha… […] O mundo, para ele, se encolheu até ficar do tamanho de sua sala e, durante o tempo que for necessário para que ele venha a compreender isso, precisa ficar onde está. Só uma coisa é certa: não pode estar em nenhum outro lugar, seria absurdo para ele pensar em procurar um outro.Continuar lendo “39 — Os sutis movimentos do cuore que nos salvam”

38 — Um tempo para anoitecer à luz de lâmpadas

Cara M., Vim me sentar  na varanda com alguns rascunhos antigos, em mãos. Xícara de chá ao lado e as janelas dos prédios da avenida com nome de pássaro como cenário. Há poucas luzes acesas nessa noite de domingo. A maioria exibe um brilho típico de televisão acesa… Eu gosto imenso de perceber o passadoContinuar lendo “38 — Um tempo para anoitecer à luz de lâmpadas”

37 — Cultivo regularmente as minhas memórias

São Paulo, Biblioteca Mário de Andrade, meio de tarde… ano 2003. Caríssimo, Meio de tarde, parte de um todo. Um pouco de nada – muito de tudo. Estou cá, ocupando uma das mesas desse espaço contraditório  que leva o nome do homem que me conquistou com sua louvação da tarde, no final do ano de milContinuar lendo “37 — Cultivo regularmente as minhas memórias”

36 — E lá se foi a minha hipótese de paz…

Cara mia, Adormeci com o livro de Borges — o outro, o mesmo — em mãos… e, não sei se sonhei com as ruas de paralelepípedos do velho bairro portenho e suas avenidas Santa Fé, Córdoba, Scalabrini Ortiz, que misturam aromas, cores e sabores… ou se migrei — como fazem os pássaros — para lá,Continuar lendo “36 — E lá se foi a minha hipótese de paz…”

35 — Não há outra verdade que se possa contar

Para M., Escrevo-te na primeira hora deste domingo-primeiro de abril… Tive um sonho agradável na noite que passou e acordei com vontade de sentir o chão debaixo dos meus pés. Nunca fui de andar descalça, como você. Incomoda-me sujar os pés. Mas, essa vontade floresceu em mim… Tem acontecido com certa frequência… vontade de água friaContinuar lendo “35 — Não há outra verdade que se possa contar”

34 — Quando a ausência de mim é presença em você

Cara F., Devo ter lhe dito que sou péssima com datas — não há viva alma que me conheça que não saiba desse fato. Sou uma criatura pontual para encontros e cafés, almoços e jantares que eu mesma preparo. Tenho rituais para receber amigos e manias que habitam os meus gestos. Mas sou péssima comContinuar lendo “34 — Quando a ausência de mim é presença em você”

33 — São dias de olhar pelo buraco da agulha

Há palavras que têm sombra de árvoreoutras que têm fluido de astrosHá vocábulos que têm fogo de raiosE que incendeiam o espaço onde caemOutros que se congelam na línguae se estilhaçam ao sair   (…) Vicente Huidobro Caro Mio, Pensei em escrever-te, desde as primeiras horas desse dia. Mas o calor dessa manhã do último domingoContinuar lendo “33 — São dias de olhar pelo buraco da agulha”

32 — A casa-alma foi ocupada pelo silêncio

Carissimo O, O dia vai longe… já é quase hora do almoço do lado de fora dessa janela aberta que sou. E lhe confesso que, eu  mesma, aqui dentro de minha pele: amanheço. Respiro fundo, atravesso a Rua, desejando deter meu passo e deixar essa gente apressada — uma manada humana — me ultrapassar porqueContinuar lendo “32 — A casa-alma foi ocupada pelo silêncio”

31 — As mentiras que nos esquecemos de contar

Caríssimo P, Sai cedo para uma caminhada pelo bairro… antes de o sol despertar e aquecer a paisagem, caramelizando-a. Enquanto espiava a anatomia dos prédios e algumas casas sobreviventes, lembrei-me de nós dois e da nossa correspondência constante. Há tempos não lhe escrevo e não é por falta de tempo. Algumas frases se organizam emContinuar lendo “31 — As mentiras que nos esquecemos de contar”

30 — Uma porta que se abre em outro lugar

Caríssima A., …enquanto folheio sua missiva, observo a realidade que chega a minha varanda e me dou conta de que já se foram um punhado de dias desse ano. Espio a data no rodapé da tela e levou um susto… dezenove de março. Respiro fundo e penso no que fiz e não fiz… e me desprendoContinuar lendo “30 — Uma porta que se abre em outro lugar”