10 — das minhas insanidades

O real veste nova realidade, a linguagem encontra seu motivo até mesmo nos lances de silêncio. A explicação rompe das nuvens, das águas, das mais vagas circunstâncias: Não sou eu, sou o Outro que em mim procurava seu destino. Em outro alguém estou nascendo. A minha festa, o meu nascer poreja a cada instante emContinuar lendo “10 — das minhas insanidades”

9 — das minhas insanidades

 Deixa-me adormecer e não perguntes nada. O mundo foi alheio e a vida foi comprida nos seus desenganos de coisa perdida. Alberto de Lacerda — vamos na mesma direção! — anunciou W., ao passar por mim, com seu guarda-chuva preto. Respirei fundo e sorri. Pretendia apenas agradecer, mas não tive tempo. Sua mão foi maisContinuar lendo “9 — das minhas insanidades”

7 — das minhas insanidades

Faltava quinze minutos para as dezenove horas quando entrei no elevador. Comecei a acompanhar a progressão dos números no visor, mas logo me distrai. A mente anda a tecer longos diálogos internos-desorientados-confusos… uma verdadeira caixa de abelhas. Respiro fundo. Tento uma rota de fuga. Chego atrasada aos diálogos. Assusto-me com a proximidade das pessoas, queContinuar lendo “7 — das minhas insanidades”

Certas manhãs de junho…

“Nunca existiu mais princípio do que este agora, nem mais juventude nem velhice do que esta agora; nem vai existir mais perfeição do que já existe agora, nem mais céu ou inferno do que existe agora”.Walt Whitman Hoje é dia de festa aqui porque aconteceu junho, que é o mês dele. Setenta e sete outonos,Continuar lendo “Certas manhãs de junho…”

Ninguém sabe nada dos mundos que habita….

Há um tinir de louças de café Nas cozinhas que os porões abrigam, E ao longo das pisoteadas bordas da rua Penso nas almas úmidas das domésticas Brotando melancólicas nos portões das áreas de serviço. T.S.Eliot Eu não sou o tipo de pessoa que se preocupa com a idade. Cheguei aos Quarenta anos, no anoContinuar lendo “Ninguém sabe nada dos mundos que habita….”

É claro que os cães não falam…

Há pouco, ao olhar pela janela, presenciei uma cena agradável entre um cão e o seu humano de estimação… conversavam os dois. O cão estava sentado, enquanto o humano reprovava a atitude do animal de quatro patas. Algumas pessoas em suas rotinas de volta para casa, numa quasenoite, passavam pelos dois e faziam sinais deContinuar lendo “É claro que os cães não falam…”

Parece que, na miséria, tomamos consciência da nossa própria existência

Passei as últimas horas tentando escrever a biografia da minha personagem, que não é nova, mas não passava de uma transeunte em outra história. Eu gosto imenso quando as minhas personas migram de uma narrativa para outra, como aconteceu com Alice que, em seu momento de vida-e-morte — muito mais morte que vida — acabaContinuar lendo “Parece que, na miséria, tomamos consciência da nossa própria existência”

Dia 08 de março, um marco infinito para todas as Mulheres

Não nos dêem flores — nos dêem as mãos Março é considerado — atualmente — o mês das mulheres… antes disso, no entanto, era dedicado ao deus romano da guerra Martius e, por ser, durante muito tempo, o primeiro mês do ano… parece justo que seja atribuído a nós… mulheres-guerreiras nas batalhas diárias por DireitosContinuar lendo “Dia 08 de março, um marco infinito para todas as Mulheres”