PROJETO FOTOGRÁFICO 6 ON 6 | TEMA MULHER

Em março, o tema do projeto fotográfico ‘6 on 6’ devido ao calendário é: mulher… e, desde que soube da proposta, apontei a câmera do meu celular para todos os lados, na incerteza do que registrar. Pensei a temática e sua cadência, senti o ritmo e as flutuações do caminho… e nada. Resolvi me orientar em palavras, antes de ir à caça. Ser mulher é quase uma filosofia… porque não se nasce mulher. Torna-se Mulher ao longo da vida. E cada Mulher que floresce nesse jardim denominado realidade é única. Tem estilo, cor, raça… aroma, sensualidade. É firme. É rara. É linda… tem graça. Raiva. É cruel. Diabólica. Imatura. Sensível. Indiferente. Febril. Voraz. Cada mulher é o que o espelho anuncia, mas não é o que estampam as capas de revistas…

trupe-malditos

‘as pessoas vão, mas como elas foram sempre ficam’

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‘você disse. se é pra ser. o destino vai nos unir de novo’

adriana-e-lunna

‘eu não fui feita com um incêndio na barriga para que pudesse me apagar’

thais e lu

“você me tocou sem nem precisar me tocar’

lu e taty

‘o amor não é cruel, nós somos cruéis’

projeto paralelo, in lançamento lua de papel

..’não sei dizer quando é que acontece de ‘crescermos’. Acho que ninguém sabe. Sei apenas que não é algo repentino. Não é um estalar de dedos. Um passe de mágica… é gradativo! Tenho pra mim que é algo que vai acontecendo aos poucos… cada atitude nossa é determinante. Cada passo dado gera uma possibilidade, mas acredito que, se você ficar parado, um vento forte vem em sua direção e, te obriga a qualquer coisa de movimento… Absolutamente tudo, no mundo, nos afasta de nós mesmos… nos manda embora, pra longe daquele ‘eu’ que somos ou que pensávamos ser. E assim nos transformamos em outra coisa… é nossa ‘pequena epifania’. — trecho de lua de papel!

Acompanham as fotos tiradas ao longo dos dias… pequenos trechos do livro
outros jeitos de usar a boca‘ de rupi kaur… que combinam com as figuras femininas que são raras-diabólicas-insanas-humnas-amigas… mulher!


Participam também
Avesso da Coisa – Retratos e DiáriosSariando por aí

14 – Possuo a doença dos espaços incomensuráveis…

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Meu caro E.

O dia vai longe… já é quase hora do almoço do lado de fora dessa janela aberta que sou, mas aqui dentro da pele ainda estou a amanhecer. Eu sempre me demoro mais nas horas do dia… enquanto, à noite, me precipito… em movimentos insanos — vou de um canto ao outro em míseros segundos.

A bordo das manhãs banhadas de sol… respiro fundo, atravesso a Rua, desejando deter meu passo e deixar essa gente apressada — uma manada humana — me ultrapassar porque não tenho pressa… sou nesse momento, como uma xícara de chá.

Não sei se você sabe,  mas para se fazer um chá… é preciso introduzir em seu dia uma pequena pausa. É como abrir uma brecha na vida {realidade das coisas e suas causas} e no tempo e no espaço. Coloca-se no fogo a chaleira e aguarda… a minha apita assim que a água borbulha. Enquanto isso, escolho a xícara — gosto de uma preta com desenho de elefante, esse gentil animal. Mas, às vezes, escolho a vermelha. Separo as ervas… e em seguida é preciso macerá-las lentamente entre as mãos… para sentir o aroma, impulsionando-o para dentro de si. Deito a água fervente na xícara e deixo ocorrer a infusão… pronto: novamente é preciso esperar.

Nesse momento… escrevo pequenas notas mentais-futuras… ou leio poemas, contos, pequenos trechos de histórias antigas… ou apenas recordo certos momentos meus…

Quanta espera realizamos durante um dia inteiro? Já pensou nisso? — são tantas pausas necessárias, porque temos essa mania — estranha — de acelerar tudo e mesmo assim, nos falta tempo…

Será que é o contemporâneo que nos demanda coisas demais ou somos nós mesmos?
Quando criança — eu me lembro — tudo era tão lento… as horas em sala de aula eram intermináveis e eu vivia querendo agilidade. Mas as voltas dos ponteiros não se deixavam seduzir por minhas vontades. Ocupavam-se — lentamente — de cada um de seus ‘malditos’ segundos…

Hoje, no entanto, tudo se dissolve… faz pouco que acordei e os ponteiros já cospem suas doze horas… ou quase! Os minutos se atropelam… tudo é para ontem… o hoje é essa sinuca sem tacos ou bolas nas caçapas! Para onde será que vamos? Me parece tão impossível traçar um destino nessa velocidade…

O ano começou antes de ontem… e já se viveu tanto. O carnaval acabou e outro está por começar. Novamente é ‘ano novo’ e as metas são traçadas e nada se cumpre porque não há tempo…

Acho que preciso de uma xícara de chá e da pausa que ela me oferece…

Me acompanha?

Amizade a primeira vista…

Aprendi através de uma menina de olhos amendoados que existe: “amizade a primeira vista” e que é mais ou menos como um “amor a primeira vista”: a gente se reconhece, se estremece e, pronto…

Eu ainda me lembro do nosso primeiro encontro… ela com suas agitações e precipitações várias a me dizer um punhado de coisas impossíveis e eu, a oferecer o que eu sempre oferecia as pessoas: indiferença…

Ela foi minha primeira tempestade em muito tempo… seu sorriso se misturava ao meu e, seu olhar as vezes não sabia outra direção, que não os meus olhos. Eu a amei com afinco, mas a odiei um sem fim de vezes…

Certa vez, ao ler “orgulho e preconceito”, ela me disse: somos uma espécie de Lizzie e Darcy… ela me enlouquecia com suas frases tolas –  a parte disso, ela reclamava com frequência da minha seriedade… me tirava do sério com suas atitudes insensatas.

Ela era uma tormenta e, eu… naqueles dias, era apenas calmaria. Eu gostava de dias de chuva e ela de dias de sol. Amava janelas fechadas e, ela as escancarava na primeira oportunidade que tivesse…

Ela dizia com alguma frequência, que eu precisava sorrir mais e, talvez por isso, hoje o sorriso seja uma espécie de marca registrada em meu rosto, sendo uma espécie de eco desses dizeres que ainda reverberam em mim…

Recentemente, fez dez anos que nos vimos pela última vez… ela vestiu meu corpo, naquele meio de tarde, com seu abraço demorado-pesado no qual eu aprendi a me deixar ficar… sem restrições. Depois… deitou em meu rosto um beijo e ao olhar no fundo dos meus olhos disse que me amava.  Eu que tinha dificuldade em acreditar em pessoas, acreditei nela sem restrições… sorrimos juntas pela última vez… e depois disso, foram muitas as vezes, em que desejei, que fosse apenas a primeira!

Ela se foi… desde então, há dias – como hoje – em que eu sinto falta da acidez de seus comentários ruidosos. De seu olhar junto as minhas laterais… de seu passo lado a lado ao meu. De seu silêncio durante minha fala sem entusiasmo… de sua quietude junto a minha anatomia quando a melancolia era minha única pele. E de seu entusiasmo canino ao me encontrar pelos caminhos que partilhávamos… ela estava sempre de braços abertos pra mim!

Éramos duas… mas fomos apenas uma muitas vezes! E sempre que tropeço em figuras pelo caminho, encontro algo dela nas pessoas que observo e, talvez por isso eu me afaste gradativamente.

Eu sei que são figuras estranhas e, jamais serão diferentes disso… eu não as amo e jamais amarei… não por não serem ela, mas por serem apenas elas mesmas… e nada mais!

Mais um ano sem fazer uma festa à-Gatsby.

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…amanheceu janeiro dentro dessa segunda-feira! A primeira do tal ano, que é novo, segundo as muitas bocas a conjugar verbos na primeira pessoa do singular.

Dentro da pele, o veneno ainda não fez efeito! A noite prevalece… e as sentimentalidades se misturam, como se fossem ingredientes a venda, em prateleiras de supermercados.

Não há de amanhecer dentro do mio cuore… que ainda soluça o ócio de fim de festa, fim de ano… e seus movimentos dispersos, em círculo, todos na mesma direção…

Chove… lá fora, desde a última noite do mês passado — um dezembro equivocado, que exibiu fogos a espetar os céus, a pele, os ouvidos e também os meus olhos. Não consigo me acostumar a tanto estrondo…

Chove… versos de Walcott, esse senhor que não se rende a mecânica dos versos e escreve um punhado de linhas retas e toras — assimétricas.

Chove… a vida de Rubem, que em vida, contou a si mesmo, em linhas perfeitas. E depois de sua morte — no ano que envelheceu e caducou — virou prosa na voz de Gonçalo Junior. Mas esse tropeçou nas linhas, e se mergulhou na vida do homem, não encontrou água onde nadar…

Chove… as canções de Natal, que ainda se fazem ouvir no ‘café entre esquinas’, como se dezembro não tivesse atravessado a rua e sido atropelado pelos excessos da última ceia.

Chove… e a poesia atravessa o meu caminho com seus trovões…  eu vou de um lado a outro na Paulista, em passos pequenos, livres da pressa tão comum aos outros meses, porque Janeiro não sabe se acena ao futuro ou ao passado! Do presente é certo que nada sabe! Janeiro é esse tempo perdido entre o ir e o vir. É dúvida… um livro que ninguém quer ler… ou ter em suas prateleiras.

Janeiro é esse poema que acena aos meus olhos com a confluência de dois verbos: silenciar e subtrair…

 

AR LIVRE
Blas de Otero

Se há alguma coisa de que gosto, é viver.
Ver o meu corpo nas ruas,
falar contigo como um camarada,
olhar os escaparates
e, sobretudo, sorrir de longe
às árvores…

Também gosto dos camiões cinzentos
e muitíssimo mais dos elefantes.
Beijar os teus seios,
deitar-me no teu regaço e despentear-te,
engolir água do mar como cerveja
amarga, escumante.

Tudo o que seja sair
De casa, espirrar de tarde em tarde,
cuspir contra o céu das tundras
e as medalhas dos semelhantes,
sair
deste espaçoso e triste cárcere,
apressar os rios e os sóis,
sair, para o lar livre sair, para o ar.

Tradução
Miguel Filipe Mochila
{ daqui }

Uma história… em alguns capítulos!

blogger recognition award

Enquanto a manhã acontecia… eu me movia pelos caminhos da cidade — de ônibus, como tanto gosto —  o que me permite ser completamente indiferente à realidade de sol-ruas-calçadas-e-pessoas.

Lia alguns blogues no reader e, curiosamente, os assuntos — em sua maioria — se repetiam, mudando apenas o ritmo e as palavras… numa narrativa que visava dividir com os leitores a experiência de ter um blogue… algo que me fez viajar no tempo e espaço.

Comecei a fazer uso dessa ferramenta no ano de dois mil e dois, motivada por um amigo-parceiro-de-vida… que era uma dessas pessoas que a vida nos apresenta e você leva consigo por aí… e como minhas escolhas —  naqueles dias —  me levou para longe dele… passei a usar o blogue como caixa de correspondência… já que nós dois tínhamos o hábito de trocar missivas desde a juventude.

Os assuntos não se esgotavam… se renovando numa frequencia incomum e isso fez o "menina no sótão" —  meu primeiro blogue —  ir de zero a cem em pouco tempo.

Contudo, um problema no bom e velho blogger deletou todo o conteúdo que, só não se perdeu porque recebi  uma enorme ajuda de alguns blogueiros-leitores-que-se-tornaram-amigos… na época. Mas, eu quase desisti desse universo.

Acontece que, existem alguns verbos que eu não sei conjugar: desistir, bagunçar… porque eu simplesmente não consigo existir dentro deles.

Abri uma conta aqui no wordpress… e dei início a um novo blogue, depois outro e outro até que me desanimei com os excessos de blogues existentes e resolvi fazer uma pausa… que durou dois anos.

Em dois mil e treze surgiu Catarina — essa personagem insana — meu alterego…