Meus Livros

“vivi centenas de partidas e dúzias de chegadas, como se meu corpo fosse a plataforma de uma estação e os lugares… um comboio a passar por mim…”

lunna guedes, septum

Aos Sábados

Nesse projeto… eu escrevi por escrever somente… repetindo-me. Escrita confessional. A memória invocando certas lembranças, resgatando tudo que foi e não foi. A realidade convertida em balanço no quintal… a se mover para frente e para trás. O corpo — convertido em pêndulo — a pulsar o antes e o depois… indo cada vez mais alto. E a mão que empurra é o imaginário…

Meus naufrágios

…não é um livro! É um calhamaço de textos escritos ao longo dos últimos anos a partir de um questionamento natural: de quantos fracassos é feita uma vida? Essa pergunta é como um mar em movimento e a palavra flutua através das ondas num curioso percurso de si… sem mapas-bússolas, apenas o passado como ponto de partida-e-chegada.

Septum

Nesse diário — parte integrante do projeto diário das 4 estações — Lunna alimenta cada uma das páginas — como se fosse seus cadernos de capa vermelha — com notas, esboços, rascunhos, rabiscos… quase que diariamente — com pretéritos… escolhendo o que contar, piorar ou melhorar de suas vivências reais ou imaginárias. É uma verdadeira ode ao seu existir literário…

“…o lugar é puro assombro e faz jus à história ali sepultada. No porão onde dizem que o velho Barão trancou sua esposa para morrer para o mundo no começo do século… o que temos ali no tempo-presente são as cores de uma artista que sangra o seu vermelho mais denso.”

VERMELHO POR DENTRO — leia mais

Vermelho por dentro

…traz duas personagens femininas ‘mãe e filha’ e seus dilemas de vida. Duas figuras firmes-fortes-e-sonoras, conscientes de que tudo poderia ser diferente em suas vidas, mas uma vez feitas as escolhas, não é possível olhar para trás e pensar um futuro novo — diferente. É preciso conviver com o resultado das escolhas feitas. O passado de uma determina o futuro da outra, resultando em mágoas-distancias-e-ausência. Mas nem mesmo a mágoa que pauta os gestos das personagens impede que elas se amem, se respeitem e torçam uma pela outra, em seus caminhos inexatos’.

“A sociedade modela tudo e todos à sua maneira, distribui cabrestos e não tolera os que escapam da fôrma e seu maldito molde. Só nos resta identificar os que sobrevivem a essa maldição, que passa de geração em geração, e dar a eles a confiança necessária para não cederem.”

VERMELHO POR DENTRO

“A casa rosada tinha sido arrematada em leilão. Martelo batido para anunciar que havia sido vendida. Ninguém a queria porque escondia uma mentira – dois corpos que a luz do dia tinha revelado. A história se repetia de boca em boca, desde os anos cinquenta. Ninguém havia contado aos novos moradores – recém-casados – que era impossível ser feliz ali. Havia esperança pequena, de que a imensidão da morte encolhesse até desaparecer.”

ALICE UMA VOZ NAS PEDRAS — leia mais

Alice, uma voz nas pedras

Alice é apenas mais uma vítima de uma sociedade machista, onde homens se sentem a vontade para ditar rumos e impor destinos às mulheres. A personagem principal de Lunna Guedes é apenas mais uma menina sonhadora que desejava encontrar um par, ser feliz e que acabou nas mãos de mais um homem.
Não é leitura fácil! Mas os elementos destacados: marido-esposa, sonho de princesa, conto de fadas, desejos e vontades nos coloca para pensar em como os modelos estão errados e as fórmulas incorretas. Em pleno século XXI, ainda chafurdamos no atraso quando se trata do lugar da mulher e do homem na sociedade.

Todas as coisas naquela casa tinha seu devido lugar, inclusive Alice, que regressou do fundo de si, emergindo em busca de ar. Sabia que tinha escolhido à morte. Mas não sabia que teria de suportá-la pelo resto de seus dias. Soubesse, certamente não teria apostado a vida. E não a teria perdido num jogo em que nunca soube as regras. 

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Memórias tempestuosas transformadas em palavras, sentidos e sentimentos. Momentos desenhados à mente pelas palavras que reverberam em Septum, que diz sobre a autora-escritora-personagem, tanto quanto sobre a pessoa-leitora.

Renata Borges


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