6 on 6 | Urban Art

Novo ciclo… andanças-olhares-passos-calçadas-lugares… a cidade, que sou e a que me recebe com sua arte inconveniente — para uns e outros —, que nem sempre alcança olhares — o outro lado da rua-viaduto-alameda. Às vezes, fica no reboco… prestes a despencar das paredes frágeis — história reinventada tantas vezes.

Baudelaire disse “as cidades mudam mais depressa que a alma dos mortais“… e sempre que saio às ruas, levo comigo essa frase… na pele — feito tatuagem… e, na alma — para manter o olhar atento-disciplinado e nada me escape…

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1 — gosto imenso das frases que surgem em meio ao caos da novidade urbana. É uma espécie de grito que ultrapassa a janela do ônibus e pousa em meus olhos-ouvidos. Eu grito junto — o mais alto possível — do lado de dentro e rabisco nas paredes da pele-corpo um verso ou outro:

“a rua ia gritando e eu ensurdecia”.

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2017-04-25 17.42.58

2 — gosto imenso quando a arte é interferência nos lugares… te olha de frente-encara e te diz um punhado de verbos que você não pode se recusar a conjugar.

“as persianas abrigam certas lúxurias”

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Escadaria do Mirante 9 de Julho - São Paulo

3 — preciso que meu passo esbarre na realidade, consciente de que seu destino é o imaginário… certas frases são pontos em meus mapas secretos, que só quem me lê, reconhece.

“Farejando em cada canto os acasos da rima
Tropeçando em palavras como nas calçadas”

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Biblioteca Mário de Andrade - São Paulo

4 — sempre existe a pergunta: o que é Arte? E até hoje não desenhei uma resposta possível-impossível. Não dá para atribuir um mísero significado sem deixar que algo se perca-desapareça. Mas, quando olho e algo gruda na retina e se espalha pela pele-amalgama… sei exatamente o que é Arte! E não dou a mínima para os contrários existentes no mundo dos outros.

“em cidades e campos, telhados e trigos
Exercito sozinho essa absurda esgrima”

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Rodapé... Portugal

5 — as entradas e saídas. partidas e chegadas ou apenas um ou outro curioso (como eu) que se inquieta com a palavra deixada no chão (sabe-se lá há quanto tempo). Nem mesmo é o idioma local. Talvez remeta aos construtores do pequeno edifício de quatro andares, com sua escadaria de madeira que range subidas-e-descidas.

“paisagem feita de um sem-número de vidas”

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Dos cenários que se reinventam, Berlim

6 — Gosto imenso quando todo o cenário é arte… uma espécie de pantomima. Tudo se forma-deforma-dissolve. Há tanto para olhar-provar-embriagar-sentir que a cada novo olhar, um novo elemento se exibe, te alcança e se perde…

“deem à cidade um pouco do vosso amor à paisagem”

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Participam dessa interação

Ana Claudia | Maria Vitória | Mariana Gouveia | Obdulio Nunes Ortega 

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