Obrigatório não ver…

Estava em Coimbra, no ano de 2016 para dias de re-encontros… e fui levada pela mão — conduzida feito criança — à exposição da Poeta Ana Hatherly… um convite à poesia experimental de vanguarda na Rua Castro Matoso…
Ao vagar pelos espaços da casa me deparei com a escrita-mural — pouco conhecida no Brasil, embora amplamente praticada pelos muros da cidade paulistana. Cartazes perfilados com recortes, pinturas em cartão, colagens e desenhos em grafitti inéditos, além dos objetos pessoais — a máquina de escrever na entrada e seu avental assinado, usado na fase spray de Ana.
Trabalhos de uma vida inteira que a poeta-mulher-ana teceu-reagiu-destruiu-agiu segundo as suas próprias coordenadas de vida-realidade-morte… o que me obrigou a navegar-viajar por tudo que sabia e não sabia da poeta… o primeiro livro lido mapas da Imaginação e da Memória e as linhas que tomei nota em agendas-diários para ler depois e depois e depois: os construtores demolem. No lugar onde estava o sopro, pomos pedras ou palavras: sinônimo de construção. Ou destruição. Ou acção.
Recordei essa exposição ao pensar-planejar um evento para a poesia… em São Paulo — no meio dessa tarde, após uma conversa com uma amiga que delira-pulsa-vibra e me provoca. O cenário-lugar. Os objetos escolhidos pelo curador Jorge Pais de Sousa. A disposição das peças. A interferência da luz através das janelas e portas deixadas abertas ou fechadas… e os espaços em branco — uma espécie de livro-casa que se oferece ao toque.

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