Artista de Rua

Ao ler-te nessa manhã… lembrei-me de um signore que vende peças esculpidas em madeira, na esquina, do outro lado da rua, aos domingos. Soube que ele tinha uma loja de artigos artesanais, em algum lugar. Uma moradora que passeia com a Maya — pontualmente — mencionou o nome do lugar-cidade, mas eu não tenho memóriaContinuar lendo “Artista de Rua”

certas pessoas não morrem, se eternizam em nossos gestos…

Eu tenho um pequeno velho baú… presente de meu menino que o confeccionou para celebrar as minhas três décadas de existência. Os baús — acredito eu — por excelência, têm por obrigação serem velhos… só assim podem guardar ‘coisas esquecidas’. A primeira vez que vi o interior de um baú, eu tinha pouca idade… aconteciaContinuar lendo “certas pessoas não morrem, se eternizam em nossos gestos…”

A voz da persona que escreve

Uma das coisas mais difíceis na vida de um escritor… é saber pontuar suas histórias, atribuindo ritmo à narrativa. É uma das mais ingratas tarefas, sendo superada apenas pelo desafio da folha em branco… quando é preciso escolher a melhor das frases para lançar o leitor no abismo, colocando-o em estado permanente de queda. UmaContinuar lendo “A voz da persona que escreve”

02 — Não só de café vivem os loucos

E abre-se o mundo por mil portas simultâneas.Quem aparece? E outras mil portas sobre o mundose fecham. Tudo se revela tão pereneque eu é que sou translúcida morta. Cecília Meireles Cara mia, Penso em escrever-te há dias, mas os ponteiros do relógio não sossegam e os dias no calendários avançam impiedosos. Disseram-me que Agosto eraContinuar lendo “02 — Não só de café vivem os loucos”

As cidades e os livros…

Um trecho do livro de Patti Smith — devoção — em que a autora, que é também personagem de suas narrativas, visita um túmulo de em Bybrook Cemetery, em Londres… chamou a minha atenção em todas as vezes em que li o pequeno livro-diário-bloco-de-notas, publicado num tempo anterior a esse, quando eu frequentava livrarias eContinuar lendo “As cidades e os livros…”

algumas páginas de Elizabeth Bishop depois

Ah, estranha vida a de bordo! Cada novo diaRaia mais novo e mais outro que cada dia na terra. — Álvaro de Campos, pág. 221 — O espaço é outro… tudo por aqui é novo — das paredes aos móveis. Ainda não domei essas figuras que saltam a minha volta. Sou estrangeira de novo: naContinuar lendo “algumas páginas de Elizabeth Bishop depois”

Criação de personagens

Quando ministro aulas de escrita… a pergunta mais comum que ouço é: como criar personagens? Parece que se trata de um segredo bem guardado por alguns escritores-especialistas— não é. Mas eu gosto de pensar a resposta com calma… consciente de que irei oferecer o meu processo de criação que talvez não sirva para o outro.Continuar lendo “Criação de personagens”

01 | Está é minha carta ao mundo…

À você, Sentei-me cá, nesse canto com o sol a dourar as cortinas e criar sombras pelo chão enquanto a manhã escapa do meu calendário. Preparei um café… é o meu primeiro movimento ao acordar, antes de tudo (ou quase tudo). Ao tragar do aroma, fecho os olhos e sou possuída por muitos ontens. AContinuar lendo “01 | Está é minha carta ao mundo…”

06 ON 06 | vício

Sempre achei interessante a definição de vício… que deriva do latim vitium. Lembro-me de ser advertida ao dizer em voz alta que era viciada em livros. Não era sensato fazer tal afirmação. Dei de ombros e segui em frente. Mas, o que seria exatamente um vício? Afirmar em voz alta ser dependente de algo ouContinuar lendo “06 ON 06 | vício”

Setpum…

Nesse Agosto… completam-se cinco anos do lançamento de Septum. Eu levei um susto quando recebi a notificação. Fui espiar um calendário imaginário, enquanto observava as fotos da Biblioteca Mário de Andrade, onde nos reunimos no ano de 2016 para apresentar ao nosso-mundo — que em um lançamento de livro, encolhe-se consideravelmente — os nossos diários.Continuar lendo “Setpum…”