Nesse primeiro de julho, escrevo-te…

Cara Mariana, passei o dia conversando com os dias de julho, como se fosse uma coisa futura, para daqui a pouco ou depois de amanhã. Nem mesmo olhei para o calendário, apenas fui lendo linhas inteiras e preparando a jornada dos dias que virão.  No meio da tarde, repeti sem muita convicção: hoje é sextaContinuar lendo “Nesse primeiro de julho, escrevo-te…”

46 — Tenho uma almofada feita de “memories”

São Paulo, Alto da Lapa, fim de tarde… Ano 2012 Cara Suzana, escrevo-te a bordo de uma tarde de sol e ao olhar para o céu, por entre os galhos da jabuticabeira e os telhados vermelhos das casas que me cercam… percebo pequenos chumaços de algodão passeando ao gosto do vento. Alguns chamam de nuvensContinuar lendo “46 — Tenho uma almofada feita de “memories””

43 — Praticamos o nosso modo coffee talk

Meu caro, Viajei no tempo e espaço durante a nossa conversa, no meio da tarde, quando fugi para a cozinha a fim de combinar ingredientes e te surpreender com aromas. Você chegou antes… com a desculpa de sempre: lavar a louça. Eu gosto imenso quando chega-fica… e fala de coisas suas, como se enroscasse asContinuar lendo “43 — Praticamos o nosso modo coffee talk”

37 — Cultivo regularmente as minhas memórias

São Paulo, Biblioteca Mário de Andrade, meio de tarde… ano 2003. Caríssimo, Meio de tarde, parte de um todo. Um pouco de nada – muito de tudo. Estou cá, ocupando uma das mesas desse espaço contraditório  que leva o nome do homem que me conquistou com sua louvação da tarde, no final do ano de milContinuar lendo “37 — Cultivo regularmente as minhas memórias”

36 — E lá se foi a minha hipótese de paz…

Cara mia, Adormeci com o livro de Borges — o outro, o mesmo — em mãos… e, não sei se sonhei com as ruas de paralelepípedos do velho bairro portenho e suas avenidas Santa Fé, Córdoba, Scalabrini Ortiz, que misturam aromas, cores e sabores… ou se migrei — como fazem os pássaros — para lá,Continuar lendo “36 — E lá se foi a minha hipótese de paz…”

26 — Em longas frases, digo coisas particulares, de nós dois

São Paulo, um ontem que vai longe… Caro mio, …nada sei de tuas paisagens a essa hora. Mas eu gosto imenso de imaginar o que é paisagem em teus olhos. Venho até a janela e vigio diferentes direções. Persigo um pássaro em seu vôo por cima das coisas e me distraio com o caminhar lentoContinuar lendo “26 — Em longas frases, digo coisas particulares, de nós dois”

25 — As palavras escritas em um futuro impossível

Cara F., A tarde de hoje não trouxe os trovões que eu esperava, apenas um silêncio imenso dentro das horas em pares — vividas, minuto a minuto, na companhia de um sem-fim de linhas. Li e re-li versos soltos, de autores vários… enquanto os meus olhos tratavam cada palavra como tesselas dispostas num tabuleiro eContinuar lendo “25 — As palavras escritas em um futuro impossível”

22 — Gosto de existir no mistérios das coisas…

Uma missiva escrita num desses ontens colecionáveis… Para M, As horas estão equivocadas no dia de hoje. O sol faz tudo arder lá fora e aqui dentro. Sinto cansaço… A pele está em suspenso. Minha alma é o próprio desassossego de Pessoa. Andei pela Avenida Paulista mais cedo… tinha como destino essa mesa da Starbucks.Continuar lendo “22 — Gosto de existir no mistérios das coisas…”

11 — * labirinto, antítese, emblemas

“Pois já conheci a todos, a todos conheci— Sei dos crepúsculos, das manhãs, das tardes,Medi minha vida em colherinhas de café;Percebo as vozes que fenecem com uma agonia de outonoSob a música de um quarto longínquo.Como então me atreveria?” T.S.Eliot Caríssima A.a Há pouco… ao revirar minhas coisas, encontrei um maço de envelopes azuis, tãoContinuar lendo “11 — * labirinto, antítese, emblemas”

5 | As pessoas tristes não sabem soluçar

Cara L, Tento escrever-te desde que vi um bilhete destinado a você numa das redes que frequentamos. Comecei narrativas várias e fui abandonando uma por uma no canto da mesa… do corpo. E depois de tantas folhas — imaginárias — amassadas… desisti. Com todos os meus cantos ocupados… eu me senti no meio de umaContinuar lendo “5 | As pessoas tristes não sabem soluçar”