* Duas vezes me findei antes do fim

* Emily Dickinson — tradução Jorge de Senna Acordei cedo e coloquei as coisas todas nos seus devidos lugares, devolvendo o livro de Sena a prateleira — não sem antes ler mais um ou dois poemas. Fui para a varanda aproveitar o sol da manhã. Fazia frio na sombra… E, ao olhar lá para fora,Continuar lendo “* Duas vezes me findei antes do fim”

3 — das minhas insanidades

Durante os anos em Coimbra, conheci D., — homem de quase sessenta. Dono de um olhar enigmático. Figura obscura-abstrata. Seu desenho não cabia dentro do corpo que habitava. Era um homem de poucas palavras… com talento para ouvir o outro… Seu ambiente de trabalho era o porão de sua casa, onde os cheiros se multiplicavam.Continuar lendo “3 — das minhas insanidades”

33 — São dias de olhar pelo buraco da agulha

Há palavras que têm sombra de árvoreoutras que têm fluido de astrosHá vocábulos que têm fogo de raiosE que incendeiam o espaço onde caemOutros que se congelam na línguae se estilhaçam ao sair   (…) Vicente Huidobro Caro Mio, Pensei em escrever-te, desde as primeiras horas desse dia. Mas o calor dessa manhã do último domingoContinuar lendo “33 — São dias de olhar pelo buraco da agulha”

Muitos ontens nessa longa viagem

Acordei para uma manhã de poucos gestos. Tudo estava tão lento-vagaroso, não havia barulhos nos caminhos que se ofereciam aos meus pés. Foi estranho descer as ruas, virar a esquerda e seguir em direção a estação de trem — ocupando o meu lugar no vagão e presenciando paisagens inteiras sem ter por destino a casaContinuar lendo “Muitos ontens nessa longa viagem”