25 Estou sozinha no quarto, entre dois mundos

Caro Escritor, Escrevo-te dentro dessa manhã de sábado, no segundo (ou seria terceiro?) Dia de primavera. Estou em dúvidas e ao olhar lá para fora, nada se esclarece. Será um lindo dia de sol. Mas está frio… E há um silêncio pouco comum na Alameda que exibe um vento típico dos dias de julho deContinuar lendo “25 Estou sozinha no quarto, entre dois mundos”

04 Experimenta a suave melancolia de uma manhã feliz

Cara Suzana, Acordei no sofá da sala… com o corpo todo torto. Dormi com um livro em mãos, como tanto gosto. Sensação de que a história continua no sono-sonho — personagem-persona. Preparei uma xícara de chá e enquanto esperava pela fervura da água e pelo meu despertar. Eu sou uma pessoa lenta ao abrir osContinuar lendo “04 Experimenta a suave melancolia de uma manhã feliz”

50 — Deixei de estar disponível…

Suzana, No final desta manhã dourada de agosto, escrevo-te ao som de músicas antigas-minhas. Tenho um repertório bastante peculiar. Hoje escolhi Simply Red para me acompanhar nesse diálogo, ditando o ritmo das palavras e do nosso diálogo. Repito um velho ritual — deixado de lado em algum momento da vida, no meio de uma décadaContinuar lendo “50 — Deixei de estar disponível…”

Nesse primeiro de julho, escrevo-te…

Cara Mariana, passei o dia conversando com os dias de julho, como se fosse uma coisa futura, para daqui a pouco ou depois de amanhã. Nem mesmo olhei para o calendário, apenas fui lendo linhas inteiras e preparando a jornada dos dias que virão.  No meio da tarde, repeti sem muita convicção: hoje é sextaContinuar lendo “Nesse primeiro de julho, escrevo-te…”

38 — Um tempo para anoitecer à luz de lâmpadas

Cara M., Vim me sentar  na varanda com alguns rascunhos antigos, em mãos. Xícara de chá ao lado e as janelas dos prédios da avenida com nome de pássaro como cenário. Há poucas luzes acesas nessa noite de domingo. A maioria exibe um brilho típico de televisão acesa… Eu gosto imenso de perceber o passadoContinuar lendo “38 — Um tempo para anoitecer à luz de lâmpadas”

23 — Queimávamos madrugadas de fio a pavio

Cara mia, Ainda há pouco… antes de me sentar aqui para escrever-te — abri o meu velho diário e um envelope antigo saltou lá de dentro… Foi ao chão. O recolhi… detendo-o em minhas mãos por alguns segundos — enquanto espiava o passado contido em seu avesso. Recordei tudo que foi e não foi… SentiContinuar lendo “23 — Queimávamos madrugadas de fio a pavio”

22 — Gosto de existir no mistérios das coisas…

Uma missiva escrita num desses ontens colecionáveis… Para M, As horas estão equivocadas no dia de hoje. O sol faz tudo arder lá fora e aqui dentro. Sinto cansaço… A pele está em suspenso. Minha alma é o próprio desassossego de Pessoa. Andei pela Avenida Paulista mais cedo… tinha como destino essa mesa da Starbucks.Continuar lendo “22 — Gosto de existir no mistérios das coisas…”

21 — Eu me lembrei de você, em mim

“Imaginar não é lembrar-se. Certamente uma lembrança,à medida que se atualiza, tende a viver numa imagem:mas a reciproca não é verdadeira, e a imagem pura e simplesnão me reportará ao passado a menos que sejaefetivamente no passado que eu vá buscá-la,seguindo assim o pregresso contínuo quea trouxe da obscuridade à luz” — Henri Bergson —Continuar lendo “21 — Eu me lembrei de você, em mim”

15 — Caminho… e atrás de mim caminham lugares

Caríssima A.a, Comecei a sentir o verão em meu corpo nessa última semana. Vi o sol com seu dourado gasto tingir a fachada dos prédios da alameda. Soube que seria um longo dia azul, com horas abafadas e promessas não cumpridas de chuvas. Eu não sei como as pessoas conseguem ser felizes no verão. EuContinuar lendo “15 — Caminho… e atrás de mim caminham lugares”

11 — * labirinto, antítese, emblemas

“Pois já conheci a todos, a todos conheci— Sei dos crepúsculos, das manhãs, das tardes,Medi minha vida em colherinhas de café;Percebo as vozes que fenecem com uma agonia de outonoSob a música de um quarto longínquo.Como então me atreveria?” T.S.Eliot Caríssima A.a Há pouco… ao revirar minhas coisas, encontrei um maço de envelopes azuis, tãoContinuar lendo “11 — * labirinto, antítese, emblemas”