15 — Caminho… e atrás de mim caminham lugares

Caríssima A.a, Comecei a sentir o verão em meu corpo nessa última semana. Vi o sol com seu dourado gasto tingir a fachada dos prédios da alameda. Soube que seria um longo dia azul, com horas abafadas e promessas não cumpridas de chuvas. Eu não sei como as pessoas conseguem ser felizes no verão. EuContinuar lendo “15 — Caminho… e atrás de mim caminham lugares”

11 — * labirinto, antítese, emblemas

“Pois já conheci a todos, a todos conheci— Sei dos crepúsculos, das manhãs, das tardes,Medi minha vida em colherinhas de café;Percebo as vozes que fenecem com uma agonia de outonoSob a música de um quarto longínquo.Como então me atreveria?” T.S.Eliot Caríssima A.a Há pouco… ao revirar minhas coisas, encontrei um maço de envelopes azuis, tãoContinuar lendo “11 — * labirinto, antítese, emblemas”

10 — Às vezes, paro a porta, com o olhar perdido e habituado ao silêncio

Pois de tudo fica um pouco. | Fica um pouco de teu queixono queixo de  tua filha.  | De teu áspero silêncioum pouco ficou, um pouco  |  nos muros zangados,nas folhas, mudas, que sobem. Carlos Drummond de Andrade Cara M., Hoje eu vi S. rapidamente… e levei um susto ao reconhecer os contornos dela no sentidoContinuar lendo “10 — Às vezes, paro a porta, com o olhar perdido e habituado ao silêncio”

5 | As pessoas tristes não sabem soluçar

Cara L, Tento escrever-te desde que vi um bilhete destinado a você numa das redes que frequentamos. Comecei narrativas várias e fui abandonando uma por uma no canto da mesa… do corpo. E depois de tantas folhas — imaginárias — amassadas… desisti. Com todos os meus cantos ocupados… eu me senti no meio de umaContinuar lendo “5 | As pessoas tristes não sabem soluçar”

mais um agosto… seguinte ao seu!

Escrevo nesse agosto… seguinte ao seu! E deixei — propositalmente e sei que entenderá — para fazê-lo no dia seguinte a sua aterrissagem. Você chegou cansada… e levou um tremendo susto com tudo que descobriu a sua volta. A pele foi invadida por uma sensação de primeira vez… como se nunca tivesse passado por aqueleContinuar lendo “mais um agosto… seguinte ao seu!”

03 | Dentro de uma quarta-feira… a promessa se cumpre!

Cara mia, …ler-te pela manhã, me levou de volta para casa num desses ontens que eu coleciono por dentro. Sou toda rituais, você sabe. Alguns se repetem no automático e eu me divirto quando dou por eles. Foi assim ao escrever “aos sábados”. Não foi planejado-calculado-medido. Apenas dei por mim, dentro daquele espaço-tempo repetindo-me. EContinuar lendo “03 | Dentro de uma quarta-feira… a promessa se cumpre!”

02 — Não só de café vivem os loucos

E abre-se o mundo por mil portas simultâneas.Quem aparece? E outras mil portas sobre o mundose fecham. Tudo se revela tão pereneque eu é que sou translúcida morta. Cecília Meireles Cara mia, Penso em escrever-te há dias, mas os ponteiros do relógio não sossegam e os dias no calendários avançam impiedosos. Disseram-me que Agosto eraContinuar lendo “02 — Não só de café vivem os loucos”

* E todo o desacordo de Babel

…sentei-me aqui, nesse fim de tarde-começo de noite (fria) de outono, para responder uma missiva que há dias queima em minhas mãos. As palavras flutuam por dentro, como de costume. Mas não deixam o invólucro… porque preservo alguns pequenos hábitos. Eu preciso ser noite, xícara de chá, silêncio, folha de papel, envelope e selo aoContinuar lendo “* E todo o desacordo de Babel”

* Nada é tão líquido assim…

Remexia em coisas antigas no final da tarde de ontem, com a alma afundada em melancolia, e acabei por encontrar uma velha caixa de madeira, que fez abrir o casulo da memória. Relembrei uma viagem, feita na companhia de C, — percorremos as ruas estreitas, de uma pequena cidade alemã — afundada entre montanhas —Continuar lendo “* Nada é tão líquido assim…”