38 — Um tempo para anoitecer à luz de lâmpadas

Cara M., Vim me sentar  na varanda com alguns rascunhos antigos, em mãos. Xícara de chá ao lado e as janelas dos prédios da avenida com nome de pássaro como cenário. Há poucas luzes acesas nessa noite de domingo. A maioria exibe um brilho típico de televisão acesa… Eu gosto imenso de perceber o passadoContinuar lendo “38 — Um tempo para anoitecer à luz de lâmpadas”

23 — Queimávamos madrugadas de fio a pavio

Cara mia, Ainda há pouco… antes de me sentar aqui para escrever-te — abri o meu velho diário e um envelope antigo saltou lá de dentro… Foi ao chão. O recolhi… detendo-o em minhas mãos por alguns segundos — enquanto espiava o passado contido em seu avesso. Recordei tudo que foi e não foi… SentiContinuar lendo “23 — Queimávamos madrugadas de fio a pavio”

22 — Gosto de existir no mistérios das coisas…

Uma missiva escrita num desses ontens colecionáveis… Para M, As horas estão equivocadas no dia de hoje. O sol faz tudo arder lá fora e aqui dentro. Sinto cansaço… A pele está em suspenso. Minha alma é o próprio desassossego de Pessoa. Andei pela Avenida Paulista mais cedo… tinha como destino essa mesa da Starbucks.Continuar lendo “22 — Gosto de existir no mistérios das coisas…”

21 — Eu me lembrei de você, em mim

“Imaginar não é lembrar-se. Certamente uma lembrança,à medida que se atualiza, tende a viver numa imagem:mas a reciproca não é verdadeira, e a imagem pura e simplesnão me reportará ao passado a menos que sejaefetivamente no passado que eu vá buscá-la,seguindo assim o pregresso contínuo quea trouxe da obscuridade à luz” — Henri Bergson —Continuar lendo “21 — Eu me lembrei de você, em mim”

15 — Caminho… e atrás de mim caminham lugares

Caríssima A.a, Comecei a sentir o verão em meu corpo nessa última semana. Vi o sol com seu dourado gasto tingir a fachada dos prédios da alameda. Soube que seria um longo dia azul, com horas abafadas e promessas não cumpridas de chuvas. Eu não sei como as pessoas conseguem ser felizes no verão. EuContinuar lendo “15 — Caminho… e atrás de mim caminham lugares”

11 — * labirinto, antítese, emblemas

“Pois já conheci a todos, a todos conheci— Sei dos crepúsculos, das manhãs, das tardes,Medi minha vida em colherinhas de café;Percebo as vozes que fenecem com uma agonia de outonoSob a música de um quarto longínquo.Como então me atreveria?” T.S.Eliot Caríssima A.a Há pouco… ao revirar minhas coisas, encontrei um maço de envelopes azuis, tãoContinuar lendo “11 — * labirinto, antítese, emblemas”

10 — Às vezes, paro a porta, com o olhar perdido e habituado ao silêncio

Pois de tudo fica um pouco. | Fica um pouco de teu queixono queixo de  tua filha.  | De teu áspero silêncioum pouco ficou, um pouco  |  nos muros zangados,nas folhas, mudas, que sobem. Carlos Drummond de Andrade Cara M., Hoje eu vi S. rapidamente… e levei um susto ao reconhecer os contornos dela no sentidoContinuar lendo “10 — Às vezes, paro a porta, com o olhar perdido e habituado ao silêncio”

5 | As pessoas tristes não sabem soluçar

Cara L, Tento escrever-te desde que vi um bilhete destinado a você numa das redes que frequentamos. Comecei narrativas várias e fui abandonando uma por uma no canto da mesa… do corpo. E depois de tantas folhas — imaginárias — amassadas… desisti. Com todos os meus cantos ocupados… eu me senti no meio de umaContinuar lendo “5 | As pessoas tristes não sabem soluçar”

mais um agosto… seguinte ao seu!

Escrevo nesse agosto… seguinte ao seu! E deixei — propositalmente e sei que entenderá — para fazê-lo no dia seguinte a sua aterrissagem. Você chegou cansada… e levou um tremendo susto com tudo que descobriu a sua volta. A pele foi invadida por uma sensação de primeira vez… como se nunca tivesse passado por aqueleContinuar lendo “mais um agosto… seguinte ao seu!”

03 | Dentro de uma quarta-feira… a promessa se cumpre!

Cara mia, …ler-te pela manhã, me levou de volta para casa num desses ontens que eu coleciono por dentro. Sou toda rituais, você sabe. Alguns se repetem no automático e eu me divirto quando dou por eles. Foi assim ao escrever “aos sábados”. Não foi planejado-calculado-medido. Apenas dei por mim, dentro daquele espaço-tempo repetindo-me. EContinuar lendo “03 | Dentro de uma quarta-feira… a promessa se cumpre!”