Nem sempre a lápis  |  Caixa de Sapato

É noite lá fora, mas aqui dentro é tudo tão incerto. Os dias são outros, eu sei — estou presa aos dias de ontem e sua solidão de escritas noturnas. Tenho febre. Meu corpo queima. Músculos e nervos também. Escrevo esse punhado de linhas apenas para dizer que o inverno se apoderou de minha matéria.Continuar lendo Nem sempre a lápis  |  Caixa de Sapato

uma pessoa-mês…

Se eu fosse um mês, ah… eu seria setembro — septem — o mês sete no calendário outro, antes da intromissão romana-cristã nas somas que nos orientam. Setembro é dia seguinte. Mas é também dia anterior. É a hora não marcada. A água que ferve. Ervas maceradas. As coisas mais simples. Xícaras na mesa. LivroContinuar lendo “uma pessoa-mês…”

12 | Le cousine di Lunna…

A primeira coisa que faço ao procurar por uma casa… é espiar os contornos da cozinha, por ser a parte da casa onde meu corpo precisa se acomodar. No quarto eu me abandono de qualquer jeito… é o lugar da cama-colchão-travesseiro-armário-edredom e eu não do tipo que gosta de dormir. Sou aquela que acusa cansaçoContinuar lendo “12 | Le cousine di Lunna…”

25 | a epidemia de solidão…

É preciso compreender a solidão  Charles Baudelaire Gosto imenso de ler notícias velhas e depois do advento da pandemia, tornou-se um vício, como beber pesados goles de café… pela manhã. E ao praticar o meu hábito nesse dia de abril, li uma nota que passou despercebida à época. A premiê britânica, Theresa May havia nomeado aContinuar lendo “25 | a epidemia de solidão…”

Em meu princípio está o meu fim

Na infância… o tempo não existe. Talvez por isso, as pessoas, em geral, sintam tanta falta daquela fase menor. O tempo não é ontem, hoje, amanhã… muito menos agora — o mais inexistente dos modelos. É coisa dos adultos, que anunciam a hora de acordar, almoçar, ir para a escola, brincar e dormir.Existe tempo paraContinuar lendo “Em meu princípio está o meu fim”

Manhã de sábado com promessas de tempestades

Janeiro/18 (2020) Gostaria de ter a capacidade de registrar os sentimentos atuaisenquanto ainda sou pequena, pois quando eu crescersaberei como escrever, mas terei esquecido como erase sentir pequena.  — sylvia plath — Sei com toda certeza que o tempo inexiste… que é apenas uma invenção humana, assim como tantas outras. Poderia fazer uma lista doContinuar lendo “Manhã de sábado com promessas de tempestades”

Manhã de sábado nublada

Janeiro/11 (2020) Começarei morrendo pelo coração.Gostarei sempre dele, como se gosta do que está extinto,sejam os dragões, os anjos ou as distâncias. Histórias decoisas que não voltam. O meu coração sem visitas perderáa memória e, quando nos separarmos de vez, certamenteserá mais feliz. Se me perguntarem, direi que nasci sem ele.Jurarei e mentirei sempre. —Continuar lendo “Manhã de sábado nublada”

É uma rosa rubra a autora dessas linhas

A primeira vez em que tive contato com o branco… foi em sala de aula. Eu era a menina do canto-quieta. A que não se misturava com a turba e não tirava os olhos das páginas do caderno-novo — apreciando com intensa paixão o silêncio de uma página surda-muda-quieta… em branco. Eu queria — desesperadamenteContinuar lendo “É uma rosa rubra a autora dessas linhas”

Último capítulo desse ano-maluco

Noite de dezembro… a primeira — estranhamente agradável depois de um dia quente e tempestuoso. O trabalho ficou para depois, como tantas coisas outras, nesse ano que começou com promessas. Eu não pulei ondas, tampouco fiz pedidos à meia-noite. Não sou do tipo que se veste de branco… mas, eu escrevi uma missiva para oContinuar lendo “Último capítulo desse ano-maluco”

Politicamente (?) correto…

Está tudo muito chato hoje em dia — é uma das frases que mais se repete — de boca em boca — nesse nosso contemporâneo monótono. Virou uma espécie de Norte para os incomodados com o tal do politicamente correto — termo que gera polêmica até na hora de definir a sua origem.Pesquisando, descobri queContinuar lendo “Politicamente (?) correto…”