03 | Meus cabelos grisalhos…

Eu tinha catorze anos quando ao escovar minha cabeleira, observei um cabelo branco e fiz uma enorme festa diante do espelho. A nonna — figura central de minha infância, uma das mulheres incríveis com quem tive o imenso prazer de conviver — tinha longos fios brancos, que eu admirava e desejava.Pode parecer pouco… um mísero fioContinuar lendo “03 | Meus cabelos grisalhos…”

02 | tempo. tempo. tempo

Eu nasci entre anciãos… e talvez por isso sempre me considerei igual a eles. Nunca soube conviver com pessoas de pouca idade. As crianças e seus porquês sempre me aborreceram. A juventude com suas inquietações me perturbavam. E a tal fase adulta-inaugural nunca se adequou à minha pele.Gostava mesmo era de me sentar na poltronaContinuar lendo “02 | tempo. tempo. tempo”

11 | uma pessoa-mês…

Se eu fosse um mês, ah… eu seria setembro — septem — o mês sete no calendário outro, antes da intromissão romana-cristã nas somas que nos orientam. Setembro é dia seguinte, mas é também dia anterior. É a hora não marcada. A água que ferve. Ervas maceradas. As coisas mais simples. Xícaras na mesa. LivroContinuar lendo “11 | uma pessoa-mês…”

31 | mais um ponto final em minhas vivências…

…trinta e um dias. agosto. último dia. sábado. dias de ira ao mercado, mas eu recuso os caminhos. adormeço no quarto escuro. a vida ensaia um novo hiato. a última hora. o último texto. a água ferve. a xícara espera na mesa. penso em ingredientes. corto pães ao meio. besunto com manteiga. levo ao forno.Continuar lendo “31 | mais um ponto final em minhas vivências…”

29 | Nunca há uma só razão para essas coisas

Me surpreendi — há pouco — com o olhar de uma menina… a bordo de seus sete ou oito anos — talvez mais, talvez menos. Olhar curioso-faminto… de quem avista um pouco de si, no outro. Reconheci a mim mesma, num tempo anterior a esse, quando me escondia nos cantos, afundava o corpo na cadeiraContinuar lendo “29 | Nunca há uma só razão para essas coisas”

26 | Nesse vinte e seis de agosto, não chove

E eu não fui às ruas… ouvi Sampa de Caetano Veloso, como quem acerta os ponteiros de um relógio de bolso — daqueles antigos, preso por uma corrente dourada no passante da calça. Preparei uma xícara de chá e refiz os caminhos de ontem… aqueles que me levaram do Aeroporto até um quarto de hotel, no centroContinuar lendo “26 | Nesse vinte e seis de agosto, não chove”

24 | gostar ou não gostar, eis a questão

Eu gosto de gostar… estender a mão para um encaixe e ficar num abraço. De convidar à casa e por a mesa. Escolher o prato, o vinho. Servir o café… com biscoitos de leite que derrete na boca, às vezes, na mão — receita antiga que combina coco-trigo-amido-de-milho-e-manteiga. Mas gosto imenso de não gostar porqueContinuar lendo “24 | gostar ou não gostar, eis a questão”

23 | * já me viram remexendo escombros

Às vezes, pequenos grandes terremotos ocorrem do lado esquerdo do meu peito. Fora, não se dão conta os desatentos. — Affonso Romano de Sant´Anna — . Eu não sinto saudades da minha infância! Mas, gosto imenso de saber que tudo — nesse meu cenário particular —, está em seu devido lugar e que posso acessá-loContinuar lendo “23 | * já me viram remexendo escombros”

22 | uma amizade feita em pequenos goles

O mês era agosto e eu andava com o passo solto. Atravessava ruas, dobrava esquinas, entrava e sai de lugares vários, sem compromisso… e ocupava a mesa ao lado da porta, de onde espiava os movimentos do lugar, enquanto brincava de encadear palavras umas às outras. Estava decidida a escrever meu primeiro romance… passava asContinuar lendo “22 | uma amizade feita em pequenos goles”

14 | minha pele tem suas próprias estações

“o diário é um veículo para o meu sentido de individualidade. Ele me representa como emocional e espiritualmente independente. Portanto (infelizmente) não apenas registra minha vida real, diária, mas sim, em muitos casos – oferece uma alternativa para ela”. — Susan Sontag — . Sigo a envelhecer… tanto quanto o dia, que se manteve desguarnecido,Continuar lendo “14 | minha pele tem suas próprias estações”