6 on 6 | Nós dois…

Amontoei meu corpo nos degraus da escada, na primeira hora — madrugada dos homens — apenas para pensar a sua geografia, da qual me apoderei sem pudor, no dia de ontem… e lá se vão um punhado de anos.

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1 — Quero agora, recordar os teus gestos menores, apenas para reinventá-lo nessas linhas. Mas não lhe serei inteiramente fiel, aviso… porque não sou um espelho, onde se deixa refletir a imagem tua. Pelo contrário, sou um lago onde o seu corpo afunda e ao voltar das profundezas, é qualquer coisa outra!

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2 — Nos encontramos num abraço rápido… um enlace calmo, um encaixe natural de dois corpos estranhos que não se orientam, apenas se atrevem pelos vãos uns dos outros.

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3 — Nos investigamos em pequenos impulsos contidos… e, assim nos perdemos em meio as promessas e premissas — nos vemos depois — e deixamos sorrisos como migalhas pelo chão que nem sabiam direito de nossos passos.

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4 — Você me despertou, certo dia, com sua voz de menino e desde então, o sol sabe que não pode acontecer antes de ti… voz do meu dia

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5 — Aconteceram-me os teus lábios — ontem a noite. Era junho… e também setembro-novembro-janeiro-fevereiro… e eu queria deter o tempo, mas desisti, prefiro que passe para que as nossas somas sejam outras.

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6 — Perguntaram-me há pouco “o que foi que mudou?” e eu olhei nesse espelho imaginário onde minha imagem reflete ao contrário e só me ocorreu dizer: “nada”… mas eu sabia que algo tinha mudado porque algo sempre muda…

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Participam dessa interação

Ale Helga | Maria Vitória | Mariana Gouveia | Obdulio Nunes Ortega 

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02 | ainda não virei a página

Já é fevereiro por aqui… ao menos foi o que disse o calendário na última hora. Dentro da pele-corpo-alma, no entanto, ainda é janeiro com seus trinta e um dias regidos por Janus… deus e senhor de dois rostos a olhar para o passado e também para o futuro.

Tento ficar os meus pés no tempo presente… enquanto articulo um futuro-possível para a Revista Plural  edição de março , que segue suas somas… pelo prazer de ser plural a partir do singular.

Esparramei em cima da mesa… os vinte e dois textos selecionados e agora brinco de ser barco a deriva e me orientar através de Solombra — palavra salva do esquecimento por Cecília Meireles — que será o Norte dessa nova leva.

 

“explicar com palavras desse mundo
que partiu de mim um barco levando-me”