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6 on 6 | O que te inspira?

Eu  me lembro que, ainda na infância, entendi — com a ajuda dos meus — que cada momento tem a sua cor-som-textura-formas-inéditas-repetidas… mas tudo depende do nosso grau de atenção. C., sempre me dizia: ‘somos desatentos por natureza. Perdemos milhares de instantes, deixamos de provar centenas de coisas e a mente, de tão arteira que é, inventou o deja vu para ver se a gente entende que há coisas que não podem passar por nós sem receber de nós a devida atenção‘.

Obviamente que guardei sua fala e passei a me dedicar aos movimentos de vida ao meu redor. Muitas vezes me esquecia da vida-tempo-lugar… e ficava a admirar uma folha em seu vôo final até tocar o chão… ou o vento nas cortinas… o vôo das gaivotas por cima do mar… um caminhar despreocupado de duas pessoas de mãos dadas.

E tudo isso me toca-alcança-revira-faz-outra… e inspira!


 

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A cidade… e suas formas controvérsias. Dia e noite são um só quando as tempestades se anunciam repentinamente… com o breu inesperado por cima dos prédios-ruas-calçadas. O som dos trovões faz tremer a anatomia humana e também a arquitetura urbana… faço silêncio e aprendo. É meu instante de paz… o antes e o depois da vida urbana que é sempre tão movimentada-intensa-imensa e eu não sei existir sem todos esses recortes.

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Um dia de chuva… sou fascinada por vidraças úmidas de chuva, o som do asfalto molhado, o movimento dos guarda-chuvas e a forma das poças no caminho.  O cinza-céu… as ruas a esvaziar-se gradativamente e as luzes das casas a denunciar o recolhimento.

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Os personagens em movimentos de idas e vindas pela cidade que os recebe-atropela-expulsa-impulsiona… e os trazem para dentro de mim. Gosto de provar de diálogos pela metade… a fúria que vem em minha direção e deixa qualquer coisa de rastro para o imaginário que segue no encalço de cenas inteiras… como a um filme que se assiste incontáveis vezes.

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Uma pausa nas enfermidades diárias para ir a cozinha… combinar ingredientes: leite, pão, açúcar, ovos, fermento, óleo, trigo e lembranças em pares. O tempo de espera — esse mágico instante — que deixa no ar um rastro de significados. Adoro o instante que antecede a retirada do pão do forno…

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Nós dois em nossos momentos de pausa… gosto quando o meu olhar tropeça no dele, a mão esbarra em encontros não programados e a voz de um ressoa na anatomia do outro.  Reconhecer o tato, a temperatura… perceber os traços e se precipitar em sorrisos…

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Meu rituais de escrita… preciso do livro, da xícara-taça-copo de chá-vinho-café. De um bom livro a me oferecer realidades alternativas a minha. Meu caderno vermelho e minhas canetas coloridas a marcar o papel de amarelecido tom com premissas-nunca-promessas de prosas. O computador que há anos se tornou meu melhor amigo nessas horas… às vezes, me aborreço e o deixo de lado porque os dedos se cansam de seu silêncio de teclas, recordando o desaforo do teclado da velha remington e seus calhamaços de papéis a esquerda (pronto para o uso) e a direita (com suas frases impressas)

 


 

 Mariana Gouveia | Maria Vitoria |Obdulio Nunes Ortega | Tatiana Kielberman


 

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