49 — Nada quebra a moldura da noite

Deixa o coração apaixonar-se pelas paisagens enquanto a alma, no puro sopro da madrugada, se recompõe das aflições da cidade. A pouco e pouco, aprendi que nenhum viajante vê o que os outros viajantes, ao passarem pelos mesmos lugares, vêem. O olhar de cada um, sobre as coisas do mundo é único, não se confundeContinuar lendo “49 — Nada quebra a moldura da noite”

Ninguém sabe nada dos mundos que habita….

Há um tinir de louças de café Nas cozinhas que os porões abrigam, E ao longo das pisoteadas bordas da rua Penso nas almas úmidas das domésticas Brotando melancólicas nos portões das áreas de serviço. T.S.Eliot Eu não sou o tipo de pessoa que se preocupa com a idade. Cheguei aos Quarenta anos, no anoContinuar lendo “Ninguém sabe nada dos mundos que habita….”

39 — Os sutis movimentos do cuore que nos salvam

na vitrolinha… […] O mundo, para ele, se encolheu até ficar do tamanho de sua sala e, durante o tempo que for necessário para que ele venha a compreender isso, precisa ficar onde está. Só uma coisa é certa: não pode estar em nenhum outro lugar, seria absurdo para ele pensar em procurar um outro.Continuar lendo “39 — Os sutis movimentos do cuore que nos salvam”

A matéria da qual sou feita!

Foi na infância que desenvolvi a paixão pela primeira vez…O primeiro brinquedo: um tabuleiro de xadrez, feito pelo nonno — inclusive as peças que adorava movimentar durante nossos jogos intermináveis. O primeiro caderno — que me deixou muda-imóvel durante dias… com o cuore acelerado e os olhos cheios. Demorei a escrever naquelas linhas, mas depois que comecei, foiContinuar lendo “A matéria da qual sou feita!”

Em meu princípio está o meu fim

Na infância… o tempo não existe. Talvez por isso, as pessoas, em geral, sintam tanta falta daquela fase menor. O tempo não é ontem, hoje, amanhã… muito menos agora — o mais inexistente dos modelos. É coisa dos adultos, que anunciam a hora de acordar, almoçar, ir para a escola, brincar e dormir.Existe tempo paraContinuar lendo “Em meu princípio está o meu fim”

Os dias de julho…

  “e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcãodeixas viver sobre a pele uma criança de lumee na fria lava da noite ensinas ao corpoa paciência o amor o abandono das palavraso silêncio… e a difícil arte da melancolia” al berto . …eu não me lembro de ter escrito — em momento algumContinuar lendo “Os dias de julho…”

10 coisas que eu diria para Lunna de 15 anos

escolho a música. o momento do domingo. chove lá fora. a tarde se perdeu dos meus olhos pouco depois das quatro. vento forte. pesadas nuvens… pedi um copo de latte. observei as pessoas em seus movimentos miméticos. guarda-chuvas a proteger-lhes a cabeça. me lembrei de Alice e a Rainha Vermelha… e de mim mesma nesseContinuar lendo “10 coisas que eu diria para Lunna de 15 anos”

6 ON 6 | JANELAS

Tenho verdadeiro fascínio por janelas… desde a infância. Creio que tudo começou por volta de meus quatro ou cinco anos, quando me deparava — ao sair as ruas — com duas signoras… devidamente posicionadas em suas janelas de existir. As duas irmãs tinham o hábito de tomar conta da vida alheia. C., tinha verdadeiro horror por elas.Continuar lendo “6 ON 6 | JANELAS”