17 — Uma porta que se abre em outro lugar

Caríssima M., Manhã de domingo indecisa entre nuvens e sol e ventos e o canto dos pássaros nas árvores da Alameda. Há previsão de tempestade no decorrer das horas. Mas, as nuvens no céu dizem contrários. Fui à feira pouco depois da terceira hora cheia… para fugir do sol quente. E ao avançar pelas ruasContinuar lendo “17 — Uma porta que se abre em outro lugar”

* outras metamorfoses da memória

Lendo-te ontem… recordei a nossa conversa durante a chuva. Fazia sol no teus quintais e você falou do varal e da roupa por lavar. Depois eu li o texto… e vi a sua foto no instagram. Lembrei-me imediatamente de um personagem da minha infância… Uma criatura com quem aprendi tanto. Foi com ela que euContinuar lendo “* outras metamorfoses da memória”

06 — Eu falo palavras desamparadas e desertas

cada momento passado juntosera uma celebração, uma Epifania,nós os dois sozinhos no mundotu, tão audaz, mais leve que uma asa,descias numa vertigem a escadaa dois e dois, arrastando-me atravésde húmidos lilases, aos teus domíniosdo outro lado, passando o espelho Arsenii Tarkovskii Cara M.,  …a tarde aconteceu por aqui há pouco! Trouxe sol-calor… tudo arde naContinuar lendo “06 — Eu falo palavras desamparadas e desertas”

Noite de sábado… pouco antes da meia-noite…

E a noite é essa sombra intensa junto aos meus olhos. Todos dormem aqui em casa e lá fora há poucos movimentos. Comecei a pensar nessas páginas como uma publicação. Confesso sentir alguma estranheza quanto a isso… não é algo que eu pense com frequência, muito pelo contrário — é algo que passou por mimContinuar lendo “Noite de sábado… pouco antes da meia-noite…”

Em meu princípio está o meu fim

Na infância… o tempo não existe. Talvez por isso, as pessoas, em geral, sintam tanta falta daquela fase menor. O tempo não é ontem, hoje, amanhã… muito menos agora — o mais inexistente dos modelos. É coisa dos adultos, que anunciam a hora de acordar, almoçar, ir para a escola, brincar e dormir.Existe tempo paraContinuar lendo “Em meu princípio está o meu fim”

Gosto de existir no mistério das coisas

| escrito ao som de Fake Empire – The National | Das coisas que eu me lembro… de sentar-me à mesa da cozinha e reter uma xícara bem cheia de leite caramelado entre as mãos. De fechar os olhos e tragar do aroma sutilmente adocicado. Do olhar de C., e de seu sorriso cúmplice aoContinuar lendo “Gosto de existir no mistério das coisas”

* Nada é tão líquido assim…

Remexia em coisas antigas no final da tarde de ontem, com a alma afundada em melancolia, e acabei por encontrar uma velha caixa de madeira, que fez abrir o casulo da memória. Relembrei uma viagem, feita na companhia de C, — percorremos as ruas estreitas, de uma pequena cidade alemã — afundada entre montanhas —Continuar lendo “* Nada é tão líquido assim…”

É sempre verão por lá…

Existe um lugar na minha lembrança onde é sempre verão… e tem uma casa com seus cômodos grandes, o piso da cozinha é vermelho-chão e da sala e dos quartos são laminados de madeira que rangem ao passar dos passos. Tem um carrilhão preso no meio de uma parede que canta lá pelas oito daContinuar lendo “É sempre verão por lá…”

É uma rosa rubra a autora dessas linhas

A primeira vez em que tive contato com o branco… foi em sala de aula. Eu era a menina do canto-quieta. A que não se misturava com a turba e não tirava os olhos das páginas do caderno-novo — apreciando com intensa paixão o silêncio de uma página surda-muda-quieta… em branco. Eu queria — desesperadamenteContinuar lendo “É uma rosa rubra a autora dessas linhas”

Último capítulo desse ano-maluco

Noite de dezembro… a primeira — estranhamente agradável depois de um dia quente e tempestuoso. O trabalho ficou para depois, como tantas coisas outras, nesse ano que começou com promessas. Eu não pulei ondas, tampouco fiz pedidos à meia-noite. Não sou do tipo que se veste de branco… mas, eu escrevi uma missiva para oContinuar lendo “Último capítulo desse ano-maluco”