Mais um ontem colecionável

Nove e vinte e sete. É noite. Janela aberta. Cama desfeita. Xícara de chá em mãos. É primavera, segundo o calendário. Mas a minha alma só sabe falar-me do inverno. Ouço o som do carrilhão ressoar do ontem e a pele reage, com um arrepio que percorre toda a extensão do meu corpo. Respiro fundo.Continuar lendo “Mais um ontem colecionável”

Outras primaveras

Hoje eu dei pela Primavera pela primeira vez esse ano… Estava a caminho da Starbucks da Alameda Santos. Embora tenah por hábito ir pela Avenida Paulista — optei por um caminho diferente. Não estava a fim de multidões. E como não tinha pressa de chegar, atrasei o passo e fui com a calma que a manhãContinuar lendo “Outras primaveras”

É sempre verão por lá…

Existe um lugar nas minhas lembranças onde é sempre verão… e tem uma casa com seus cômodos grandes, o piso da cozinha é vermelho-chão, e da sala e dos quartos são laminados de madeira que rangem ao passar dos passos. Tem um carrilhão preso no meio de uma parede que canta lá pelas oito daContinuar lendo “É sempre verão por lá…”

46 — Tenho uma almofada feita de “memories”

São Paulo, Alto da Lapa, fim de tarde… Ano 2012 Cara Suzana, escrevo-te a bordo de uma tarde de sol e ao olhar para o céu, por entre os galhos da jabuticabeira e os telhados vermelhos das casas que me cercam… percebo pequenos chumaços de algodão passeando ao gosto do vento. Alguns chamam de nuvensContinuar lendo “46 — Tenho uma almofada feita de “memories””

7 — das minhas insanidades

Faltava quinze minutos para as dezenove horas quando entrei no elevador. Comecei a acompanhar a progressão dos números no visor, mas logo me distrai. A mente anda a tecer longos diálogos internos-desorientados-confusos… uma verdadeira caixa de abelhas. Respiro fundo. Tento uma rota de fuga. Chego atrasada aos diálogos. Assusto-me com a proximidade das pessoas, queContinuar lendo “7 — das minhas insanidades”

41 — Duas pessoas sentam-se à mesa…

Domingo de maio… o último! Caríssima M., Ainda sinto reverberar em minha pele certas palavras… Fui e voltei de uma centena de lugares, mas o meu corpo permaneceu nessa mesa, onde escrevo desde que perdi o hábito de sair e percorrer alamedas para acomodar o meu corpo em uma dessas mesas bem merecidas de algumContinuar lendo “41 — Duas pessoas sentam-se à mesa…”

Ninguém sabe nada dos mundos que habita….

Há um tinir de louças de café Nas cozinhas que os porões abrigam, E ao longo das pisoteadas bordas da rua Penso nas almas úmidas das domésticas Brotando melancólicas nos portões das áreas de serviço. T.S.Eliot Eu não sou o tipo de pessoa que se preocupa com a idade. Cheguei aos Quarenta anos, no anoContinuar lendo “Ninguém sabe nada dos mundos que habita….”

39 — Os sutis movimentos do cuore que nos salvam

na vitrolinha… […] O mundo, para ele, se encolheu até ficar do tamanho de sua sala e, durante o tempo que for necessário para que ele venha a compreender isso, precisa ficar onde está. Só uma coisa é certa: não pode estar em nenhum outro lugar, seria absurdo para ele pensar em procurar um outro.Continuar lendo “39 — Os sutis movimentos do cuore que nos salvam”

* da voz das coisas

Só a rajada de ventodá o som líricoàs pás do moinho. Somente as coisas tocadaspelo amor das outrastêm voz. — Fiama Hasse Pais Brandão Foi na escola primária que eu aprendi o que era dor-medo… estava no segundo ciclo, quando a professora apresentou a “menina nova” à turma e lhe mostrou onde se sentar —Continuar lendo “* da voz das coisas”

Os ingredientes da minha vida…

 A vida é talvezuma rua comprida pela qual uma mulher segurandoum cesto passa todos os dias. Forough Farrokhzad Hoje pela manhã, ao abrir o armário da cozinha para pegar o pó de café, motivada pelo aroma peculiar — que ocupou toda a atmosfera — como num salto, fui arremessada para dentro dos dias vividos na casa daContinuar lendo “Os ingredientes da minha vida…”