Aos cuidados do meio-dia…

Coloquei a água no fogo e comecei a separar as folhas de hortelã. Aroma delicado de folha verde no Ar. Fechei os olhos e voltei algumas casas, como naquele jogo da infância em que se joga o dado e avança o peão. Vez ou outra, o tabuleiro manda você recuar não sei quantas casas. EuContinuar lendo “Aos cuidados do meio-dia…”

* Coração transplantado procurando resquícios do que já foi humano

 * Lua Souza (estratosférica) Uma das coisas que marcou a minha infância foi o sumiço da menina no Parque — que chegou à cidade e começou a semear seus brinquedos… numa área livre. Uma das últimas, na vila em que morava. Em dois dias de trabalho, brotaram do chão: roda gigante, carrossel, xícaras malucas, carrinhoContinuar lendo “* Coração transplantado procurando resquícios do que já foi humano”

* me despi de tudo desisti do arrependimento faria tudo de novo

* Adriana Aneli (o sol da tarde) Ler Susan Sontag me faz viajar por um mundo que não é meu… mas é como se eu fosse um asteróide a vagar no espaço e, de repente, entramos em rota de colisão. Gosto imenso de traçar paralelos entre as nossas vivências. Somos figuras tão diferentes. Ela gostavaContinuar lendo “* me despi de tudo desisti do arrependimento faria tudo de novo”

Somos o círculo das mulheres-loucas que se sentam no salão do hospício 

Cara Llansol, Como fez calor neste dia. Tudo — das paredes ao asfalto — ardia num insuportável dourado… de queimar a retina e incomodar músculos e nervos desacostumados ao calor dos trópicos. Os termômetros das ruas anunciavam os seus quase trinta graus e eu me senti no próprio deserto… a marchar sem sombra, a perder asContinuar lendo “Somos o círculo das mulheres-loucas que se sentam no salão do hospício “

Guardo-te na caixa dos segredos como se joia fosse… espio-te com lupas microscópicas

* Mariana Gouveia (o lado de dentro) Ele tinha belos olhos castanhos, agudos… os cabelos dourados de sol e o mais belo dos sorrisos. A., era um menino quieto, de poucas falas e, gentil… como poucos meninos sabem ser. Nos encontramos em sala de aula… dividimos a mesma mesa e trocamos olhares enviesados-rápidos seguido porContinuar lendo “Guardo-te na caixa dos segredos como se joia fosse… espio-te com lupas microscópicas”

A criança que eu fui…

Sai para caminhar com o cão e me deparei com um signore levando uma criança — sua neta, penso eu — para um passeio matinal. Senti pincelar a pele com um dourado aquecido-gostoso e quase me esqueci que havia chovido a noite toda. Eu fui uma criança quieta — segundo as minhas lendas pessoais eContinuar lendo “A criança que eu fui…”

Mais um ontem colecionável

Nove e vinte e sete. É noite. Janela aberta. Cama desfeita. Xícara de chá em mãos. É primavera, segundo o calendário. Mas a minha alma só sabe falar-me do inverno. Ouço o som do carrilhão ressoar do ontem e a pele reage, com um arrepio que percorre toda a extensão do meu corpo. Respiro fundo.Continuar lendo “Mais um ontem colecionável”

Outras primaveras

Hoje eu dei pela Primavera pela primeira vez esse ano… Estava a caminho da Starbucks da Alameda Santos. Embora tenah por hábito ir pela Avenida Paulista — optei por um caminho diferente. Não estava a fim de multidões. E como não tinha pressa de chegar, atrasei o passo e fui com a calma que a manhãContinuar lendo “Outras primaveras”

É sempre verão por lá…

Existe um lugar nas minhas lembranças onde é sempre verão… e tem uma casa com seus cômodos grandes, o piso da cozinha é vermelho-chão, e da sala e dos quartos são laminados de madeira que rangem ao passar dos passos. Tem um carrilhão preso no meio de uma parede que canta lá pelas oito daContinuar lendo “É sempre verão por lá…”

46 — Tenho uma almofada feita de “memories”

São Paulo, Alto da Lapa, fim de tarde… Ano 2012 Cara Suzana, escrevo-te a bordo de uma tarde de sol e ao olhar para o céu, por entre os galhos da jabuticabeira e os telhados vermelhos das casas que me cercam… percebo pequenos chumaços de algodão passeando ao gosto do vento. Alguns chamam de nuvensContinuar lendo “46 — Tenho uma almofada feita de “memories””