Ninguém sabe nada dos mundos que habita….

Há um tinir de louças de café Nas cozinhas que os porões abrigam, E ao longo das pisoteadas bordas da rua Penso nas almas úmidas das domésticas Brotando melancólicas nos portões das áreas de serviço. T.S.Eliot Eu não sou o tipo de pessoa que se preocupa com a idade. Cheguei aos Quarenta anos, no anoContinuar lendo “Ninguém sabe nada dos mundos que habita….”

39 — Os sutis movimentos do cuore que nos salvam

na vitrolinha… […] O mundo, para ele, se encolheu até ficar do tamanho de sua sala e, durante o tempo que for necessário para que ele venha a compreender isso, precisa ficar onde está. Só uma coisa é certa: não pode estar em nenhum outro lugar, seria absurdo para ele pensar em procurar um outro.Continuar lendo “39 — Os sutis movimentos do cuore que nos salvam”

* da voz das coisas

Só a rajada de ventodá o som líricoàs pás do moinho. Somente as coisas tocadaspelo amor das outrastêm voz. — Fiama Hasse Pais Brandão Foi na escola primária que eu aprendi o que era dor-medo… estava no segundo ciclo, quando a professora apresentou a “menina nova” à turma e lhe mostrou onde se sentar —Continuar lendo “* da voz das coisas”

Os ingredientes da minha vida…

 A vida é talvezuma rua comprida pela qual uma mulher segurandoum cesto passa todos os dias. Forough Farrokhzad Hoje pela manhã, ao abrir o armário da cozinha para pegar o pó de café, motivada pelo aroma peculiar — que ocupou toda a atmosfera — como num salto, fui arremessada para dentro dos dias vividos na casa daContinuar lendo “Os ingredientes da minha vida…”

34 — Quando a ausência de mim é presença em você

Cara F., Devo ter lhe dito que sou péssima com datas — não há viva alma que me conheça que não saiba desse fato. Sou uma criatura pontual para encontros e cafés, almoços e jantares que eu mesma preparo. Tenho rituais para receber amigos e manias que habitam os meus gestos. Mas sou péssima comContinuar lendo “34 — Quando a ausência de mim é presença em você”

33 — São dias de olhar pelo buraco da agulha

Há palavras que têm sombra de árvoreoutras que têm fluido de astrosHá vocábulos que têm fogo de raiosE que incendeiam o espaço onde caemOutros que se congelam na línguae se estilhaçam ao sair   (…) Vicente Huidobro Caro Mio, Pensei em escrever-te, desde as primeiras horas desse dia. Mas o calor dessa manhã do último domingoContinuar lendo “33 — São dias de olhar pelo buraco da agulha”

31 — As mentiras que nos esquecemos de contar

Caríssimo P, Sai cedo para uma caminhada pelo bairro… antes de o sol despertar e aquecer a paisagem, caramelizando-a. Enquanto espiava a anatomia dos prédios e algumas casas sobreviventes, lembrei-me de nós dois e da nossa correspondência constante. Há tempos não lhe escrevo e não é por falta de tempo. Algumas frases se organizam emContinuar lendo “31 — As mentiras que nos esquecemos de contar”

30 — Uma porta que se abre em outro lugar

Caríssima A., …enquanto folheio sua missiva, observo a realidade que chega a minha varanda e me dou conta de que já se foram um punhado de dias desse ano. Espio a data no rodapé da tela e levou um susto… dezenove de março. Respiro fundo e penso no que fiz e não fiz… e me desprendoContinuar lendo “30 — Uma porta que se abre em outro lugar”

Colcha de Retalhos

Preparei uma xícara de chá e fui observar a manhã que despencou na minha janela… mãos aquecidas pela xícara e o corpo enrolado em uma manta. Fechei os olhos para levar para dentro os aromas da cidade. Engana-se quem pensa que na Paulicéia — nada — desvairada não se respira bem. Há dias mais difíceisContinuar lendo “Colcha de Retalhos”