Nesse primeiro de julho, escrevo-te…

Cara Mariana, passei o dia conversando com os dias de julho, como se fosse uma coisa futura, para daqui a pouco ou depois de amanhã. Nem mesmo olhei para o calendário, apenas fui lendo linhas inteiras e preparando a jornada dos dias que virão.  No meio da tarde, repeti sem muita convicção: hoje é sextaContinuar lendo “Nesse primeiro de julho, escrevo-te…”

A volta dos manicômios

Faz alguns anos que me causa incômodo o tema… em 2019, o atual governo havia liberado a compra de aparelhos de eletrochoque para o SUS e a internação de crianças e adolescentes em hospitais psiquiátricos, acendendo o receio de que seria inevitável a volta dos manicômios, estruturas que ficaram conhecidas como depósitos de pessoas. MasContinuar lendo “A volta dos manicômios”

29 — Dentro do silêncio, mais silêncio

Carissima M Sento-me neste ‘meu canto do mundo’ — para onde escapo… em busca de paz. Respiro fundo, fecho os olhos e pronto… Uma espécie de halo se forma na realidade e eu mergulho no Abismo que sou! Na pele acontece a simbiose… Sou uma substância que sofre alterações a cada novo segundo: não sou maisContinuar lendo “29 — Dentro do silêncio, mais silêncio”

23 — Queimávamos madrugadas de fio a pavio

Cara mia, Ainda há pouco… antes de me sentar aqui para escrever-te — abri o meu velho diário e um envelope antigo saltou lá de dentro… Foi ao chão. O recolhi… detendo-o em minhas mãos por alguns segundos — enquanto espiava o passado contido em seu avesso. Recordei tudo que foi e não foi… SentiContinuar lendo “23 — Queimávamos madrugadas de fio a pavio”

O que ando a ler | Colcha de Retalhos

Preparei uma xícara de chá e fui observar a manhã que despencou na minha janela… mãos aquecidas pela xícara e o corpo enrolado em uma manta. Fechei os olhos para levar para dentro os aromas da cidade. Engana-se quem pensa que na Paulicéia — nada — desvairada não se respira bem. Há dias mais difíceisContinuar lendo “O que ando a ler | Colcha de Retalhos”

* outras metamorfoses da memória

Lendo-te ontem… recordei a nossa conversa durante a chuva. Fazia sol no teus quintais e você falou do varal e da roupa por lavar. Depois eu li o texto… e vi a sua foto no instagram. Lembrei-me imediatamente de um personagem da minha infância… Uma criatura com quem aprendi tanto. Foi com ela que euContinuar lendo “* outras metamorfoses da memória”

06 — Eu falo palavras desamparadas e desertas

cada momento passado juntosera uma celebração, uma Epifania,nós os dois sozinhos no mundotu, tão audaz, mais leve que uma asa,descias numa vertigem a escadaa dois e dois, arrastando-me atravésde húmidos lilases, aos teus domíniosdo outro lado, passando o espelho Arsenii Tarkovskii Cara M.,  …a tarde aconteceu por aqui há pouco! Trouxe sol-calor… tudo arde naContinuar lendo “06 — Eu falo palavras desamparadas e desertas”

03 | Dentro de uma quarta-feira… a promessa se cumpre!

Cara mia, …ler-te pela manhã, me levou de volta para casa num desses ontens que eu coleciono por dentro. Sou toda rituais, você sabe. Alguns se repetem no automático e eu me divirto quando dou por eles. Foi assim ao escrever “aos sábados”. Não foi planejado-calculado-medido. Apenas dei por mim, dentro daquele espaço-tempo repetindo-me. EContinuar lendo “03 | Dentro de uma quarta-feira… a promessa se cumpre!”

escrito por uma mulher

Eu tenho dez caixas de feira… cheias de livros e um baú artesanal. Fora os livros que espalho pelos cantos do apartamento. E ao observar os meus títulos todos — como eu já disse anteriormente, não sou uma colecionadora — fico imensamente satisfeita por dizer que, a maioria por aqui, são de Mulheres.Li muitos autoresContinuar lendo “escrito por uma mulher”

O lado de dentro

O encontro entre o sol e escorpiãoMariana Gouveia Guardo-te na caixa dos segredoscomo se joia fosse… espio-tecom lupas microscópicas. Baila em mim como o apoio do decanato,entre câncer e escorpião e cantaa sinfonia dos sóis. Depoisentre lençóis amarelos me estremeçoE cresço…Sou quase fogo, quase lua Sou o caminho deslizante do dia…em direção ao teu sul.Continuar lendo “O lado de dentro”