6 on 6 | Nós dois…

Amontoei meu corpo nos degraus da escada, na primeira hora — madrugada dos homens — apenas para pensar a sua geografia, da qual me apoderei sem pudor, no dia de ontem… e lá se vão um punhado de anos.

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1 — Quero agora, recordar os teus gestos menores, apenas para reinventá-lo nessas linhas. Mas não lhe serei inteiramente fiel, aviso… porque não sou um espelho, onde se deixa refletir a imagem tua. Pelo contrário, sou um lago onde o seu corpo afunda e ao voltar das profundezas, é qualquer coisa outra!

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2 — Nos encontramos num abraço rápido… um enlace calmo, um encaixe natural de dois corpos estranhos que não se orientam, apenas se atrevem pelos vãos uns dos outros.

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3 — Nos investigamos em pequenos impulsos contidos… e, assim nos perdemos em meio as promessas e premissas — nos vemos depois — e deixamos sorrisos como migalhas pelo chão que nem sabiam direito de nossos passos.

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4 — Você me despertou, certo dia, com sua voz de menino e desde então, o sol sabe que não pode acontecer antes de ti… voz do meu dia

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5 — Aconteceram-me os teus lábios — ontem a noite. Era junho… e também setembro-novembro-janeiro-fevereiro… e eu queria deter o tempo, mas desisti, prefiro que passe para que as nossas somas sejam outras.

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6 — Perguntaram-me há pouco “o que foi que mudou?” e eu olhei nesse espelho imaginário onde minha imagem reflete ao contrário e só me ocorreu dizer: “nada”… mas eu sabia que algo tinha mudado porque algo sempre muda…

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Participam dessa interação

Ale Helga | Maria Vitória | Mariana Gouveia | Obdulio Nunes Ortega 

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Era uma vez um outono…

…nos encontramos num abraço rápido… um enlace calmo, um encaixe natural de dois corpos estranhos que não se orientam, apenas se atrevem pelos vãos uns dos outros. Nos investigamos em pequenos impulsos contidos… e, assim nos perdemos em meio a premissas sem promessas — nos vemos depois‘ — e deixamos sorrisos como migalhas pelo chão… que nem sabia direito dos nossos passos. Mas ele não se foi completamente… ficou em minha anatomia, preenchendo-me como ninguém antes ousou fazer.

E enquanto caminhava pelas ruas da cidade — indo de um lugar ao outro, sem destino ou mapas que me orientasse — cada novo ser, que tropeçava em minha geografia… me devolvia a ele.

Era uma vez um encontro… um momento, um sorriso fatiado e dois olhares bem acesos a refletir realidades em estado de colisão. Era uma vez uma premissa-promessa, feita ainda em meus tempos de menina: ‘um dia você vai encontrar alguém e saberá imediatamente que encontrou o seu outono‘…