* da voz das coisas

Só a rajada de ventodá o som líricoàs pás do moinho. Somente as coisas tocadaspelo amor das outrastêm voz. — Fiama Hasse Pais Brandão Foi na escola primária que eu aprendi o que era dor-medo… estava no segundo ciclo, quando a professora apresentou a “menina nova” à turma e lhe mostrou onde se sentar —Continuar lendo “* da voz das coisas”

Em meu princípio está o meu fim

Na infância… o tempo não existe. Talvez por isso, as pessoas, em geral, sintam tanta falta daquela fase menor. O tempo não é ontem, hoje, amanhã… muito menos agora — o mais inexistente dos modelos. É coisa dos adultos, que anunciam a hora de acordar, almoçar, ir para a escola, brincar e dormir.Existe tempo paraContinuar lendo “Em meu princípio está o meu fim”

24 | livro publicado e agora?

Uma das coisas mais engraçadas quando você é escritor… acontece quando você publica um livro, que é apenas a ponta do iceberg. Você leva anos para escrever um romance e quando finalmente o publica, nem tem tempo para saboreá-lo em paz… é preciso dar festa — tarde-noite de autógrafos — para os amigos que acompanharamContinuar lendo “24 | livro publicado e agora?”

O túnel que me esconde

A pior fase da minha infância teve início aos sete anos, quando fui levada pela segunda vez ao Colégio, perto de casa. Na primeira vez não havia dado certo… a idade pouca foi o impedimento. Não interessava que eu já soubesse ler e escrever frases inteiras. Eu era muito nova e não estava pronta para meContinuar lendo “O túnel que me esconde”

07  |  O que ando a ler | Diário íntimo

Escrever um diário foi meu primeiro exercício de escrita… ganhei o caderno de capa vermelha no final de uma tarde em meados da minha primeira década de vida. Passei dias a espiar aquela geografia irregular. Um mapa sem cardeais, apenas um Norte… a palavra diary escrita em dourado. Nos estranhamos e fim!Foi me dada aContinuar lendo “07  |  O que ando a ler | Diário íntimo”

27 | Navega-se sem mar, sem vela ou navio!

Estava aqui a olhar para o nada… com a mente vazia e o corpo inerte quando dei pelo fundo da xícara e, de repente, fui tragada por uma espécie de halo. E lá estava eu, em sala de aula, com os olhos arregalados. Eu havia retornado ao colégio para os estudos do segundo ciclo. EraContinuar lendo “27 | Navega-se sem mar, sem vela ou navio!”

03  |  * a quem vê o rosto teu…

Nessas últimas semanas em que tantas despedidas pousaram na ponta dos meus dedos — onde acenos ficaram represados — recordei alguns dos meus ontens. A minha vida —  desde a infância —  é feita de chegadas e partidas. Sempre me lembro — como se tivesse acontecido há pouco —  da cena que presenciei na estaçãoContinuar lendo “03  |  * a quem vê o rosto teu…”

16 | velhos hábitos

setembro. outro lugar. realidade. recordei a lista de material escolar. a escola não era o meu lugar preferido-favorito. era apenas um lugar. causa maior de meus cansaços. gostava mesmo era do ritual de papelarias. escolher os cadernos. adquirir os livros. sentir o cheiro de papel intocado. provar do sabor de linhas a preencher. imaginar o desenhoContinuar lendo “16 | velhos hábitos”

23 | * já me viram remexendo escombros

Às vezes, pequenos grandes terremotosocorrem do lado esquerdo do meu peito.Fora, não se dão conta os desatentos. — Affonso Romano de Sant´Anna — . Eu não sinto saudades da minha infância! Mas, gosto imenso de saber que tudo — nesse meu cenário particular —, está em seu devido lugar e que posso acessá-lo a qualquerContinuar lendo “23 | * já me viram remexendo escombros”

O tempo joga xadrez… sem peças

Eu tinha oito anos quando entrei no templo sagrado da cozinha da nonna, pela primeira vez. Era o lugar das mulheres mais velhas da família — as donas do sabor, que cortavam, picavam, descascavam e se divertiam com suas falas secretas, em idiomas particulares.Na cozinha falavam de tudo — aprendiam-se.Eu gostava do som das gargalhadasContinuar lendo “O tempo joga xadrez… sem peças”