47 — Entre o dia e a noite, há sempre uma pausa quebradiça

missiva escrita em julho de 2002 Caro mio, Há pouco vi o sol se pôr… e fiz uma pausa nas coisas todas para apreciar a paisagem urbana que você não conheceu. Talvez por ser Julho — o nosso verão — a sua presença esteja mais forte nesses dias estranhos. Ouço a sua música e enquantoContinuar lendo “47 — Entre o dia e a noite, há sempre uma pausa quebradiça”

Nesse primeiro de julho, escrevo-te…

Cara Mariana, passei o dia conversando com os dias de julho, como se fosse uma coisa futura, para daqui a pouco ou depois de amanhã. Nem mesmo olhei para o calendário, apenas fui lendo linhas inteiras e preparando a jornada dos dias que virão.  No meio da tarde, repeti sem muita convicção: hoje é sextaContinuar lendo “Nesse primeiro de julho, escrevo-te…”

46 — Tenho uma almofada feita de “memories”

São Paulo, Alto da Lapa, fim de tarde… Ano 2012 Cara Suzana, escrevo-te a bordo de uma tarde de sol e ao olhar para o céu, por entre os galhos da jabuticabeira e os telhados vermelhos das casas que me cercam… percebo pequenos chumaços de algodão passeando ao gosto do vento. Alguns chamam de nuvensContinuar lendo “46 — Tenho uma almofada feita de “memories””

44 – Questões há na realidade, que nunca devem ser respondidas

Marco, Soube há pouco que o inverno chegou cedo; eu estava acordada na hora anunciada. Perdi o sono dentro da madrugada e vim para a sala ler o meu septum porque depois de folhear reticências nos últimos dias de outono, dentro desse mês que é seu-meu-nosso, precisava revisitar-me em outras datas-estações. E ao virar aContinuar lendo “44 – Questões há na realidade, que nunca devem ser respondidas”

41 — Duas pessoas sentam-se à mesa…

Domingo de maio… o último! Caríssima M., Ainda sinto reverberar em minha pele certas palavras… Fui e voltei de uma centena de lugares, mas o meu corpo permaneceu nessa mesa, onde escrevo desde que perdi o hábito de sair e percorrer alamedas para acomodar o meu corpo em uma dessas mesas bem merecidas de algumContinuar lendo “41 — Duas pessoas sentam-se à mesa…”

37 — Cultivo regularmente as minhas memórias

São Paulo, Biblioteca Mário de Andrade, meio de tarde… ano 2003. Caríssimo, Meio de tarde, parte de um todo. Um pouco de nada – muito de tudo. Estou cá, ocupando uma das mesas desse espaço contraditório  que leva o nome do homem que me conquistou com sua louvação da tarde, no final do ano de milContinuar lendo “37 — Cultivo regularmente as minhas memórias”

36 — E lá se foi a minha hipótese de paz…

Cara mia, Adormeci com o livro de Borges — o outro, o mesmo — em mãos… e, não sei se sonhei com as ruas de paralelepípedos do velho bairro portenho e suas avenidas Santa Fé, Córdoba, Scalabrini Ortiz, que misturam aromas, cores e sabores… ou se migrei — como fazem os pássaros — para lá,Continuar lendo “36 — E lá se foi a minha hipótese de paz…”

34 — Quando a ausência de mim é presença em você

Cara F., Devo ter lhe dito que sou péssima com datas — não há viva alma que me conheça que não saiba desse fato. Sou uma criatura pontual para encontros e cafés, almoços e jantares que eu mesma preparo. Tenho rituais para receber amigos e manias que habitam os meus gestos. Mas sou péssima comContinuar lendo “34 — Quando a ausência de mim é presença em você”

31 — As mentiras que nos esquecemos de contar

Caríssimo P, Sai cedo para uma caminhada pelo bairro… antes de o sol despertar e aquecer a paisagem, caramelizando-a. Enquanto espiava a anatomia dos prédios e algumas casas sobreviventes, lembrei-me de nós dois e da nossa correspondência constante. Há tempos não lhe escrevo e não é por falta de tempo. Algumas frases se organizam emContinuar lendo “31 — As mentiras que nos esquecemos de contar”

30 — Uma porta que se abre em outro lugar

Caríssima A., …enquanto folheio sua missiva, observo a realidade que chega a minha varanda e me dou conta de que já se foram um punhado de dias desse ano. Espio a data no rodapé da tela e levou um susto… dezenove de março. Respiro fundo e penso no que fiz e não fiz… e me desprendoContinuar lendo “30 — Uma porta que se abre em outro lugar”