* A carta foi escrita com os espinhos que ninguém plantou.

* Mariana Gouveia, As Estações Em 1991 eu completei dez anos — minha primeira década de vida. Foi um ano maluco… de transições. Eu precisei escrever uma carta para o meu futuro, que naquele ano estava personificado na figura de um homem sisudo, farto de carnes e com um linguajar engessado. Enquanto eu o ouvia,Continuar lendo “* A carta foi escrita com os espinhos que ninguém plantou.”

6 ON 6  | MISS you

Ela me disse, num sem fôlego, ao escrever-me de seu canto de mundo-vida… acho a palavra carta tão ordinária. E eu lhe respondi dias depois em meio a um sorriso cheio… “prefiro missiva porque tem cor-som-aroma — todos os ingredientes necessários para estimular o meu imaginário… Por se parecer com um pombo (treinado e adestradoContinuar lendo 6 ON 6  | MISS you

18 |  Deixa o coração se apaixonar pelas paisagens

Cara Roseli, Passei a noite com os olhos a piscar realidades… Vigiei a tela da televisão. De filme em filme… fui saltando para cá e para lá, sem me apegar a nada. Vez ou outra, o olhar se voltava para dentro e ficava por lá, a vigiar outros dias-semanas-meses, sem pousar em nada. Sabe aquelaContinuar lendo “18 |  Deixa o coração se apaixonar pelas paisagens”

11 |  As horas estão escritas num futuro impossível

Cara mia, Despertei há pouco, por volta das quatro horas de uma madrugada escura. Não me lembrava de ter adormecido… é assim quando adormeço sem a ciência de tê-lo feito. Acordo repentinamente… e dou pela casa às escuras e o corpo em suspenso. Demoro a me acostumar com as figuras em minha volta. Pareço uma sonâmbulaContinuar lendo “11 |  As horas estão escritas num futuro impossível”

52 — A alegria é um aroma de tangerina na ponta dos dedos

Lizziê, Sai para caminhar ruas… antes de o dia se exibir com suas cores por cima dos prédios do lugar em que vivo. Sem destino, como eu gosto e prefiro. Hoje era dia de feira no bairro. Todos os movimentos começam mais cedo. Os caminhões se aglomeram ao longo da alameda e as caixas saltamContinuar lendo “52 — A alegria é um aroma de tangerina na ponta dos dedos”

51 — Tentei escrever-te, sem sucesso…

Cara Luciana, Há dias, desde que li um texto seu, tento escreve-te. Fiz alguns ensaios, mas confesso que o humor não estava em alta. Os assuntos incomodavam o estômago que pediu xícaras de chá de hortelã — sem efeito. Apelei para o sal de fruta e a magnésia. A realidade anda intragável. As notícias… tentoContinuar lendo “51 — Tentei escrever-te, sem sucesso…”

50 — Deixei de estar disponível…

Suzana, No final desta manhã dourada de agosto, escrevo-te ao som de músicas antigas-minhas. Tenho um repertório bastante peculiar. Hoje escolhi Simply Red para me acompanhar nesse diálogo, ditando o ritmo das palavras e do nosso diálogo. Repito um velho ritual — deixado de lado em algum momento da vida, no meio de uma décadaContinuar lendo “50 — Deixei de estar disponível…”

47 — Entre o dia e a noite, há sempre uma pausa quebradiça

missiva escrita em julho de 2002 Caro mio, Há pouco vi o sol se pôr… e fiz uma pausa nas coisas todas para apreciar a paisagem urbana que você não conheceu. Talvez por ser Julho — o nosso verão — a sua presença esteja mais forte nesses dias estranhos. Ouço a sua música e enquantoContinuar lendo “47 — Entre o dia e a noite, há sempre uma pausa quebradiça”

Nesse primeiro de julho, escrevo-te…

Cara Mariana, passei o dia conversando com os dias de julho, como se fosse uma coisa futura, para daqui a pouco ou depois de amanhã. Nem mesmo olhei para o calendário, apenas fui lendo linhas inteiras e preparando a jornada dos dias que virão.  No meio da tarde, repeti sem muita convicção: hoje é sextaContinuar lendo “Nesse primeiro de julho, escrevo-te…”

46 — Tenho uma almofada feita de “memories”

São Paulo, Alto da Lapa, fim de tarde… Ano 2012 Cara Suzana, escrevo-te a bordo de uma tarde de sol e ao olhar para o céu, por entre os galhos da jabuticabeira e os telhados vermelhos das casas que me cercam… percebo pequenos chumaços de algodão passeando ao gosto do vento. Alguns chamam de nuvensContinuar lendo “46 — Tenho uma almofada feita de “memories””