37 — Cultivo regularmente as minhas memórias

São Paulo, Biblioteca Mário de Andrade, meio de tarde… ano 2003. Caríssimo, Meio de tarde, parte de um todo. Um pouco de nada – muito de tudo. Estou cá, ocupando uma das mesas desse espaço contraditório  que leva o nome do homem que me conquistou com sua louvação da tarde, no final do ano de milContinuar lendo “37 — Cultivo regularmente as minhas memórias”

36 — E lá se foi a minha hipótese de paz…

Cara mia, Adormeci com o livro de Borges — o outro, o mesmo — em mãos… e, não sei se sonhei com as ruas de paralelepípedos do velho bairro portenho e suas avenidas Santa Fé, Córdoba, Scalabrini Ortiz, que misturam aromas, cores e sabores… ou se migrei — como fazem os pássaros — para lá,Continuar lendo “36 — E lá se foi a minha hipótese de paz…”

34 — Quando a ausência de mim é presença em você

Cara F., Devo ter lhe dito que sou péssima com datas — não há viva alma que me conheça que não saiba desse fato. Sou uma criatura pontual para encontros e cafés, almoços e jantares que eu mesma preparo. Tenho rituais para receber amigos e manias que habitam os meus gestos. Mas sou péssima comContinuar lendo “34 — Quando a ausência de mim é presença em você”

31 — As mentiras que nos esquecemos de contar

Caríssimo P, Sai cedo para uma caminhada pelo bairro… antes de o sol despertar e aquecer a paisagem, caramelizando-a. Enquanto espiava a anatomia dos prédios e algumas casas sobreviventes, lembrei-me de nós dois e da nossa correspondência constante. Há tempos não lhe escrevo e não é por falta de tempo. Algumas frases se organizam emContinuar lendo “31 — As mentiras que nos esquecemos de contar”

30 — Uma porta que se abre em outro lugar

Caríssima A., …enquanto folheio sua missiva, observo a realidade que chega a minha varanda e me dou conta de que já se foram um punhado de dias desse ano. Espio a data no rodapé da tela e levou um susto… dezenove de março. Respiro fundo e penso no que fiz e não fiz… e me desprendoContinuar lendo “30 — Uma porta que se abre em outro lugar”

28 — Sinto falta de mim, em mim

Cara M., Eu sei que o silêncio é uma excelente forma de diálogo — para não dizer, não chegar. Sei que um quarto escuro tem ruídos sinceros. Enquanto no espaço de um café — entre esquinas — com suas mesas cheias — numa noite de sexta — é cenário comum para a solidão de muitos. AsContinuar lendo “28 — Sinto falta de mim, em mim”

23 — Queimávamos madrugadas de fio a pavio

Cara mia, Ainda há pouco… antes de me sentar aqui para escrever-te — abri o meu velho diário e um envelope antigo saltou lá de dentro… Foi ao chão. O recolhi… detendo-o em minhas mãos por alguns segundos — enquanto espiava o passado contido em seu avesso. Recordei tudo que foi e não foi… SentiContinuar lendo “23 — Queimávamos madrugadas de fio a pavio”

22 — Gosto de existir no mistérios das coisas…

Uma missiva escrita num desses ontens colecionáveis… Para M, As horas estão equivocadas no dia de hoje. O sol faz tudo arder lá fora e aqui dentro. Sinto cansaço… A pele está em suspenso. Minha alma é o próprio desassossego de Pessoa. Andei pela Avenida Paulista mais cedo… tinha como destino essa mesa da Starbucks.Continuar lendo “22 — Gosto de existir no mistérios das coisas…”

21 — Eu me lembrei de você, em mim

“Imaginar não é lembrar-se. Certamente uma lembrança,à medida que se atualiza, tende a viver numa imagem:mas a reciproca não é verdadeira, e a imagem pura e simplesnão me reportará ao passado a menos que sejaefetivamente no passado que eu vá buscá-la,seguindo assim o pregresso contínuo quea trouxe da obscuridade à luz” — Henri Bergson —Continuar lendo “21 — Eu me lembrei de você, em mim”

18 — A morte pulsa nas veias da existência e ata minha vida ao pulsar dos segundos

Cara A.a Manhã de domingo — a última desse ano doido-duplo e o sol de verão expulsa-me da varanda… ouço o som do quicar de uma bola de basquete numa quadra da vizinhança, que soa como o tic tac de um relógio em sincronia com os meus batimentos cardíacos. Leio notícias do mundo e faltaContinuar lendo “18 — A morte pulsa nas veias da existência e ata minha vida ao pulsar dos segundos”