Uma voz de ninguém

 | para ler ao som de Cramberries, no need to argue  | Com que palavras ou que lábiosé possível estar assim tão perto do fogoe tão perto de cada dia, das horas tumultuosas e das serenas,tão sem peso por cima do pensamento? Pode bem acontecer que exista tudo e isto também,e não só uma vozContinuar lendo “Uma voz de ninguém”

Poesia Completa

Símbolos Gilka Machado Eu e tu, ante a noite e o amplo desdobramentodo mar, fero a estourar de encontro à rocha nua…Um símbolo descubro aqui, neste momentoesta rocha, este mar… a minha vida e a tua. O mar vem, o mar vai, nele há o gesto violentode quem maltrata e, após, se arrepende e recua.ComoContinuar lendo “Poesia Completa”

Poemas Completos

A faca não corta o fogo Herberto Helder que eu aprenda tudo desde a morte,mas não me chamem por um nome nem pelo uso das coisascolher, roupa, caneta,roupa intensa com a respiração dentro dela,e a tua mão sangra na minha,brilha inteira se um pouco da minha mão sangra e brilha,no toque entre os olhos,na boca,naContinuar lendo “Poemas Completos”

Poemas

Os homens ocos INós somos os homens ocosOs homens empalhadosUns nos outros amparadosO elmo cheio de nada. Ai de nós!Nossas vozes dessecadas,Quando juntos sussurramos,São quietas e inexpressasComo o vento na relva secaOu pés de ratos sobre cacosEm nossa adega evaporada Forma sem forma, sombra sem corForça paralisada, gesto sem vigor; Aqueles que atravessaramDe olhos retos,Continuar lendo “Poemas”

Poética

Ana Cristina César Deus na Antecâmara Mereço (merecemos, meretrizes)perdão (perdoai-nos, patres conscripti)socorro (correi, valei-nos, santos perdidos) Eu quero me livrar desta poesia infectabeijar mãos sem elos sem tinturasconsciências soltas pelos ventosdesatando o culto das antecedênciassem medo de dedos de dados de dúvidasem prontidão sanguinária (sangue e amor se aconchegandohora atrás de hora) Eu quero pensarContinuar lendo “Poética”

O lado de dentro

O encontro entre o sol e escorpiãoMariana Gouveia Guardo-te na caixa dos segredoscomo se joia fosse… espio-tecom lupas microscópicas. Baila em mim como o apoio do decanato,entre câncer e escorpião e cantaa sinfonia dos sóis. Depoisentre lençóis amarelos me estremeçoE cresço…Sou quase fogo, quase lua Sou o caminho deslizante do dia…em direção ao teu sul.Continuar lendo “O lado de dentro”

Caminhos tortos

Trans-LúcidaManoel Gonçalves (Manogon) Minha visão turvaPerante a paisagem cinzentaSerá culpa da curvaDisforme da minha retina?A vista embaçadaFeito lama na vidraçaCamadas de poeiraSobre a visão cansadaCatarata adiantadaAvançada em anos vividosNitidez perdidaEm choque de anos sofridosE nessa foto desfocadaSinto a densidade da neblinaDe ter esquecido algo no passadoTalvez a mulher amadaEmbalando no colo a meninaTalvez a alegriaContinuar lendo “Caminhos tortos”

Ariel

olmoSilva Plath Conheço o fundo, ela diz. Conheço com minha própria raiz:Você temia isso.Eu não: já estive lá. É o mar que você ouve em mim.As suas insatisfações?Ou a voz do nada, era essa sua loucura? O amor é uma sombra.Como você mente e chora por ele.Ouça: esses são seus cascos: se foram, como umContinuar lendo “Ariel”

[todos os poemas]

PedreiraPaul Auster Não mais que seu canto. Como seo canto e sónos tivesse trazido até aqui. Estivemos aqui, e nunca estivemos aqui. Estivemos a caminho de onde começamos,e estivemos perdidos. Não há fronteirasna luz. E a terranão nos deixa palavrapor cantar. Pois o desmoronamento da terrasob os pés já é música, e andar entre essasContinuar lendo “[todos os poemas]”