Uma voz de ninguém

 | para ler ao som de Cramberries, no need to argue  | Com que palavras ou que lábiosé possível estar assim tão perto do fogoe tão perto de cada dia, das horas tumultuosas e das serenas,tão sem peso por cima do pensamento? Pode bem acontecer que exista tudo e isto também,e não só uma vozContinuar lendo “Uma voz de ninguém”

Poemas

Os homens ocos INós somos os homens ocosOs homens empalhadosUns nos outros amparadosO elmo cheio de nada. Ai de nós!Nossas vozes dessecadas,Quando juntos sussurramos,São quietas e inexpressasComo o vento na relva secaOu pés de ratos sobre cacosEm nossa adega evaporada Forma sem forma, sombra sem corForça paralisada, gesto sem vigor; Aqueles que atravessaramDe olhos retos,Continuar lendo “Poemas”

Poética

Ana Cristina César Deus na Antecâmara Mereço (merecemos, meretrizes)perdão (perdoai-nos, patres conscripti)socorro (correi, valei-nos, santos perdidos) Eu quero me livrar desta poesia infectabeijar mãos sem elos sem tinturasconsciências soltas pelos ventosdesatando o culto das antecedênciassem medo de dedos de dados de dúvidasem prontidão sanguinária (sangue e amor se aconchegandohora atrás de hora) Eu quero pensarContinuar lendo “Poética”

O sol da tarde

Adriana Aneli confesso não percebi o momento de nossas mãosalgemadastentei me segurar enquanto você me levavae me divirto agora que não podemos nossepararum do outro. confieso no he notado el momento de nuestras manosesposadasintenté agarrarme mientras tú me llevabasy me divierto ahora que no podemossepararnos uno del otro.

O lado de dentro

O encontro entre o sol e escorpiãoMariana Gouveia Guardo-te na caixa dos segredoscomo se joia fosse… espio-tecom lupas microscópicas. Baila em mim como o apoio do decanato,entre câncer e escorpião e cantaa sinfonia dos sóis. Depoisentre lençóis amarelos me estremeçoE cresço…Sou quase fogo, quase lua Sou o caminho deslizante do dia…em direção ao teu sul.Continuar lendo “O lado de dentro”

Caminhos tortos

Trans-LúcidaManoel Gonçalves (Manogon) Minha visão turvaPerante a paisagem cinzentaSerá culpa da curvaDisforme da minha retina?A vista embaçadaFeito lama na vidraçaCamadas de poeiraSobre a visão cansadaCatarata adiantadaAvançada em anos vividosNitidez perdidaEm choque de anos sofridosE nessa foto desfocadaSinto a densidade da neblinaDe ter esquecido algo no passadoTalvez a mulher amadaEmbalando no colo a meninaTalvez a alegriaContinuar lendo “Caminhos tortos”

Ano 05

A faca não corta o fogo Herberto Helder que eu aprenda tudo desde a morte,mas não me chamem por um nome nem pelo uso das coisascolher, roupa, caneta,roupa intensa com a respiração dentro dela,e a tua mão sangra na minha,brilha inteira se um pouco da minha mão sangra e brilha,no toque entre os olhos,na boca,naContinuar lendo “Ano 05”

Ano 04

Símbolos Gilka Machado Eu e tu, ante a noite e o amplo desdobramentodo mar, fero a estourar de encontro à rocha nua…Um símbolo descubro aqui, neste momentoesta rocha, este mar… a minha vida e a tua. O mar vem, o mar vai, nele há o gesto violentode quem maltrata e, após, se arrepende e recua.ComoContinuar lendo “Ano 04”