Da cinza as Asas

Chove em mim.Deixo escorrer por todos os ladosgotas agridoces que imitam lágrimase correntezas do sem fim. Chove, e eu não posso salvarminhas fases esquecidas em mim.Não consigo soltar as palavrasque ficam alagadas dentrodos meus guarda-chuvas. Nem eu mesma posso ser salvadesses respingos que perfuramtodas as minhas artérias. Suzana Martins, in:Nascer pela segunda vez As horasContinuar lendo “Da cinza as Asas”

retirante

chegando?indo para onde?longequando volta?nunca e por que parte?saudadede mim?de mim. Adriana Aneli, in; Tempestade Urbana As horas avançam! É segunda-feira… e o meu olhar varre a paisagem em busca de qualquer coisa de euforia. Gosto imenso quando o dourado resvala nas faces envergonhadas dos prédios esparramados ao longo da Alameda encenando o fim. Mais uma tarde queContinuar lendo “retirante”

O primeiro livro. A última livraria de rua

Liguei o som — com um pequeno toque — para ouvir Debussy e me veio à mente o tempo em que era preciso escolher um disco… removê-lo da capa de papelão, passar uma flanela em suas linhas invisíveis aos olhos e posicioná-lo no velho Gradiente. Acionar o braço com a agulha, posicionando na primeira faixaContinuar lendo “O primeiro livro. A última livraria de rua”

Não existe segunda-feira sem poesia…

Hoje! Apenas hoje… nessa dia de nuvens a tingir de cinza o céu da cidade, quero mergulhar nas margens da vida e ser apenas eu mesma — sem traço, personagens, pseudônimos, invenções momentâneas, alter egos… Quero fechar o livro e deixa-lo quieto no canto, com as páginas em suspenso, sem volteios… para que adormeçam eContinuar lendo “Não existe segunda-feira sem poesia…”

* todas as madrugadas, nos limites da solidão.

* Suzana Martins, As Estações Cara Suzana, Leio-te nessa hora última e embriago-me com tuas linhas, que traduzem o meu interior, onde é noite-madrugada. Não amanhece nas paredes do meu corpo. A memória, às vezes, encena qualquer coisa de autora — semelhante às brumas londrinas ou as neblinas paulistanas. Mas eu gosto é do cairContinuar lendo “* todas as madrugadas, nos limites da solidão.”

* Alguns fantasmas são mulheres

* poesia de Anne Sexton Cara Lady Sexton, Novembro vai chegando ao fim e estou vivendo um turbilhão de emoções nos últimos dias. Recordando pessoas-lugares… Hoje, recordei as viagens de trem — o que serviu para provocar um eclipse em minha pele. Visitei as paisagens em movimento. Senti o solavanco dos trilhos e os espasmos de certasContinuar lendo “* Alguns fantasmas são mulheres”

* Através de um continente imaginário

* verso de Laura Riding Cara Laura, Reler é uma das minhas formas de eclipse… É um verbo-ritual que pratico com certa frequência e eu nunca sei qual livro voltará para as minhas mãos. Na maioria das vezes acontece ao descê-los das prateleiras para tirar o pó. Afundo o olhar-corpo-alma-memória em algum exemplar que saltaContinuar lendo “* Através de um continente imaginário”

* Diferente da maçã envenenada… a dor incurável da inveja mata a prazo

* Lua Souza (estratosférica) Acordei e depois de recolher as coisas de ontem… Eu sou o tipo de pessoa que se espalha: livros, envelopes, folhas-avulsas, livros, xícaras. É a minha trilha de migalhas. No dia seguinte preciso recolher os rastros deixados por mim, no dia anterior. E, às vezes, acontece de encontrar algo interessante eContinuar lendo “* Diferente da maçã envenenada… a dor incurável da inveja mata a prazo”

* Como posso viver sem essa mulher que funciona como o meu espelho?

* Rozana Gastaldi Cominal (Mulheres que voam) Peguei um livro na prateleira pouco depois do almoço… “inéditos e dispersos”… de Ana Cristina Cesar que é uma figura múltipla. Sua poesia é a sua biografia… É a sua roupa suja, a mesa com restos das refeições feitas. É o corpo depois do sexo. A pele aContinuar lendo “* Como posso viver sem essa mulher que funciona como o meu espelho?”

Loucas noites / Wild Nights

Fui a prateleira há pouco e busquei os livros de Emily… uma decisão tomada ao despertar: ler Emily Dickinson nessa manhã de inverno-domingo. Tenho alguns livros da poeta-mulher, que em seu tempo foi considerada inadequada-imprópria-fora-do-comum. Hoje, muito se fala de Emily e dos motivos que a fez reclusa… da paixão pela cunhada, que morava naContinuar lendo “Loucas noites / Wild Nights”