Um poema para essa sexta-santa

Estes tempos de pandemia são prosaicos, mais lentos e um tico aborrecidos. As notícias se repetem e qualquer roda de conversa versa a respeito do invisível… enfatizando a nossa proximidade com o vírus. Se em um tempo anterior, os números eram somas impossíveis-estranhas-distantes — os nomes de pessoas próximas-conhecidas-parentes-amigas se agigantam numa lista que nãoContinuar lendo “Um poema para essa sexta-santa”

Poemas Completos

A faca não corta o fogo Herberto Helder que eu aprenda tudo desde a morte,mas não me chamem por um nome nem pelo uso das coisascolher, roupa, caneta,roupa intensa com a respiração dentro dela,e a tua mão sangra na minha,brilha inteira se um pouco da minha mão sangra e brilha,no toque entre os olhos,na boca,naContinuar lendo “Poemas Completos”

Poemas

Os homens ocos INós somos os homens ocosOs homens empalhadosUns nos outros amparadosO elmo cheio de nada. Ai de nós!Nossas vozes dessecadas,Quando juntos sussurramos,São quietas e inexpressasComo o vento na relva secaOu pés de ratos sobre cacosEm nossa adega evaporada Forma sem forma, sombra sem corForça paralisada, gesto sem vigor; Aqueles que atravessaramDe olhos retos,Continuar lendo “Poemas”

Labareda

Katia Castañeda Enquanto o vento tocar minha pelee balançar o milharal no sertãoSaberei que ainda me resta VidaPara fincar o meu pé nesse chãoTudo que morre— ainda que secoServirá… para adubar a próxima plantaçãoA colheita virá eum novo ciclo dependeráda força de seus grãosem germinarEspera-se o tempo certo,Água de minh’alma parapreparar o coraçãoSe forem secosContinuar lendo “Labareda”

Ariel

olmoSilva Plath Conheço o fundo, ela diz. Conheço com minha própria raiz:Você temia isso.Eu não: já estive lá. É o mar que você ouve em mim.As suas insatisfações?Ou a voz do nada, era essa sua loucura? O amor é uma sombra.Como você mente e chora por ele.Ouça: esses são seus cascos: se foram, como umContinuar lendo “Ariel”

Outras maneiras de usar a boca

As melhores paisagens de São Paulo, envolvem livros. A Martins Fontes, na Paulista, instalada a poucos passos da Brigadeiro Luis Antônio. A Livraria da Vila, com suas várias unidades na cidade… todas simpáticas, sendo a de Moema a melhor — sem dúvida. Cenários para se ver com calma. Limpar o pé ao chegar e seContinuar lendo “Outras maneiras de usar a boca”

[todos os poemas]

PedreiraPaul Auster Não mais que seu canto. Como seo canto e sónos tivesse trazido até aqui. Estivemos aqui, e nunca estivemos aqui. Estivemos a caminho de onde começamos,e estivemos perdidos. Não há fronteirasna luz. E a terranão nos deixa palavrapor cantar. Pois o desmoronamento da terrasob os pés já é música, e andar entre essasContinuar lendo “[todos os poemas]”

Amanheceu outubro (de novo)

Setembro foi embora como chegou… trinta dias riscados num calendário-torto. E eu nem sei o que fiz. Não fiquei parada feito os ponteiros do carrilhão da minha infância… que silenciou o pulsar em um outubro-outro. Mas, eu sigo com a sensação de imobilidade no corpo-alma…Talvez porque Outubro — que é o décimo mês no calendárioContinuar lendo “Amanheceu outubro (de novo)”

[poemas] Wislawa Szymborska

Quando leio poesia, me demoro nas páginas e no livro. Gosto de percorrer caminhos. Levar a poeta comigo para um passeio — coisa rara nesses dias pandêmicos. O máximo que tenho feito é transitar pelos cômodos do lugar… da varanda para a cozinha-banheiro-quarto-sala. Para essa semana… escolhi poemas de Wislawa, que é uma descoberta recente.Continuar lendo “[poemas] Wislawa Szymborska”