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Catarina coffee

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Eu não sou uma pessoa de fazer planos e desenhar listas para esse tal de ano novo. Não crio expectativas. Não faço promessas… tampouco me rendo a simpatias-rezas. Não como lentilhas. Não me visto de branco e definitivamente não solto fogos.

Sou aquela pessoa que passa a limpo seus conjuntos de vivências, apreciando tudo que se passou… de bom e de ruim. Gosto de folhear minhas alegrias-tristezas. Saber de minhas conquistas-derrotas. Tudo que ganhei-perdi-e-deixei-passar. Quem ficou. Quem se foi… capítulo por capítulo. E, sometimes, tento reescrever certos desfechos inconvenientes — antes de escolher um lugar para esse livro, na prateleira.

Quanto ao tal do ano novo… o trato exatamente assim: como se fosse aquele livro recém-chegado da livraria. Cheiro. Provo a textura das páginas. Aprecio a capa, a contra capa. Eu sou uma pessoa-leitora… que pertence ao hoje e espera pelo dia seguinte, com uma xícara de chá em mãos, sentada no canto do sofá… enquanto se espreguiça gostoso  segundos antes de começar a leitura da primeira página — capítulo.

Mas, dessa vez, resolvi brincar de medir os meus movimentos e tracejar algumas previsões para esse tal ano-novo, antes que ele caduque… vem comigo?

janela fechada

O ano de 2019… terá doze meses. Cinquenta e duas semanas. Trezentos e sessenta e cinco dias. Oito mil, setecentos e sessenta horas. Mais de quinhentos mil minutos e dezenas de milhares de segundos.

Serão cinquenta e duas segundas-feiras —  o meu dia preferido, na semana. E cinquenta e duas sextas-feiras — o dia favorito da maioria… mas não o meu. Haverá sábados e domingos… terças e quartas e quintas. E eu irei me perder do calendário em algum momento. Num desses muitos feriados prolongados, com certeza.

Teremos vários eclipses solares e lunares… um novo fim-de-mundo que não se cumprirá. Muitas teorias da conspiração e quatro estações do ano: outono-inverno-primavera-verão —  ao menos no calendário. A Natureza anda cada vez mais arisca com os humanos e ela tem os seus motivos…

Teremos dias de chuva e muitas horas de sol. Treze lunacões e a cada novo ciclo —  um novo começo e consequentemente um novo fim.

O ano será regido por Marte, Ogun e pelo Porco — no horóscopo chinês, que tem outras medições e não se rendeu aos romanos e suas insanidades cristãs.

Os começos e recomeços, no entanto, não dependerão da meia noite, quando espocar os fogos e as taças colidirem umas com as outras. Dependerá exclusivamente das nossas vontades que resultará em passos dados depois da Autora — ou não. Despertar não será fácil e haverá dias em que o travesseiro será seu melhor amigo-amante-cúmplice.

Seremos o ponto de chegada e partida para desejos, amores, conquistas, derrotas, frustrações, alegrias, tristezas… e absolutamente tudo passará por nós. Não tem como evitar… o tempo que ficará, no entanto, dependerá dos nossos gestos e ritos.

Alguns de nós farão muitas promessas… que não serão cumpridas. Muitos de nós terão um sem-fim de ideias, sonhos, projetos… e em algum momento acordarão dispostos-animados e prontos para fazer tudo acontecer. Alguma coisa será realizada… e muitas ficarão pelo caminho.

Haverá nascimentos e mortes. Coisas que não farão o menor sentido e outras que farão tudo valer a pena. Motivos para desanimar… não faltarão! Mas, certamente, como o Universo a tudo compensa, haverão momentos incríveis-surreais que farão crepitar o cuore.

…e depois de amanhã será dezembro de novo e a gente vai enfeitar a árvore, preparar a ceia, se embriagar e escrever votos de felicidades para os amigos, mais próximos-distantes e fará as somas de tudo que foi e não foi.

E as conclusões serão as mesmas… mas, vamos nos convencer que o importante é celebrar o novo e preservar a esperança! Por que é preciso acreditar que algo de fato é novo e tudo pode ser diferente… ainda que seja apenas o ano, essa soma humana.


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Mas, o importante é ter consciência, que seja como for, a mão que detêm a pena… é que escreve a sua história! Então aproveita que o caderno é novo e treina a caligrafia!

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