8 | quem escreve…

img_20191002_171726_704

“Eu acho que fiz muito bem,
considerando que eu comecei com o nada
e mais um monte de papel em branco”.

Steve Martin.

…mulher. colecionadora de silêncios. amante infiel. artesã. arteira. degustadora de cafés…. meu placebo, quase remendo.

nasci em Gênova — em 1981 — sob a regência de sagitário… uma flecha em voo rasante. me mudei para São Paulo duas décadas depois e por aqui fiquei para me aventurar por ruas labirínticas, com edifícios irregulares, fisionomias rudes e artificiais.

abandonei a psicanálise e passei a percorrer o universo literário. escrevo por escrever somente desde então. conto histórias. reinvento mundos. crio personas em mim, a partir dos outros. fujo das prateleiras. evito caminhos conhecidos. prefiro inventar os livros, por considerá-los uma extensão de meu corpo-alma… os costuro um a um com agulha e fita de cetim e os enumero para sabe-los mapas de minhas vivências particulares.

os únicos rótulos que aprecio são os que vem estampado nas garrafas de vinho.

…sou uma adestradora de pretéritos e desafiadora de futuros… a direção na qual a ponta do grafite avança. tenho total consciência da condição de meus escritos: inacabados… nunca prontos. ponto final é uma coisa incompreensível. gosto mesmo é de vírgulas, exclamações e reticências.

meu único compromisso é para com os meus abismos… e com o estado constante de queda. sem pouso. aprecio o delírio, o estado febril, a condição de delírio…

prefiro a noite, mas já aprendi a amanhecer. gosto imenso de dias de chuva, mas aprecio o dourado do sol nas faces dos prédios que espio. sou uma figura urbana, contraditória, que compartilha da loucura de Dionísio a quem reverencio a cada gole de nada.

…escrevi reticências e septum durante as estações do meu corpo-alma-memória. desenhei a trilogia lua de papel num entardecer rebuscado, teci vermelho por dentro algum tempo depois, inventei meus naufrágios… um não-livro e concebi a Plural, um coletivo literário-insano-inconsequente.

…entre surtos e sustos, equilibro-me nessa corda de emoções exageradas! that´s all folks…

.