O meu primeiro livro…

cropped-screenshot_2015-02-02-15-01-59.png

Lembro-me do exato momento em que tomei a decisão. Era outono, mas já se falava em inverno numa contagem de dias-horas… e as ruas do bairro ainda estavam úmidas. Os caminhos estavam desertos de pessoas-cães. Houve uma pausa nas chuvas de maio-junho… e eu caminhava em círculos pelas ruas que se ligavam umas às outras, numa espécie de labirinto. Gostava imenso de me perder no escuro daqueles traços erráticos e de espiar os contornos das casas-pessoas-espaços-praças iluminados pela luz artificial das lâmpadas que se fosse verbo, seria um gerúndio.
Fazia algum tempo que estava a contabilizar silêncios e rascunhos em proporções iguais. Queria um projeto-rumo… um compromisso. Tracei metas… e estabeleci um plano. Tive um bocadito de Sorte… ao ter por perto a melhor das pessoas e suas certezas sem espaços vagos e do olhar sempre pronto para ler um mesmo texto quantas vezes fossem necessárias, ciente de todos os ‘nãos’ que inventaria para dizê-lo inacabado.
Eu me sentei diante do branco-tela e depois de revisitar passados-rituais… agitei os dedos no ar, sorri todas as vidas vividas até aquele dia de junho. Observei o espaço da sala… a acha a crepitar na lareira. Provei do silêncio e vi quando a xícara pousou ao meu lado e foi colo-abraço e também foi junho, primeiro dia-palavra. O meu ponto de partida-recomeço… a partir de mim. Talvez por isso o único título possível foi: reticências! Um diário com seus ciclos completos, divididos em quatro estações!