19 — Nenhum caminho tem esse destino

Cara A.a Sentei-me aqui nesta segunda hora, com uma xícara de chá em mãos… para observar a manhã — nublada — deste domingo… o asfalto lá fora ainda guarda resquícios da chuva da madrugada. Faz dias que o sol tenta ultrapassar — sem sucesso — as nuvens. Às vezes, um raio escapa e alcança oContinuar lendo “19 — Nenhum caminho tem esse destino”

18 — A poesia é algo que acontece na alma quando uma palavra faz o corpo tremer

Caríssima Mariana, Na tarde de ontem… ao ler Rubem Alves e sua escrita amena e certeira, recordei seus envelopes vermelhos e fui revirar meus baús para reencontrá-la e passar alguns minutos desse janeiro recém chegado na tua companhia. Rubem que escrevia como se estivesse sentado à mesa da cozinha, a esperar pela xícara de caféContinuar lendo “18 — A poesia é algo que acontece na alma quando uma palavra faz o corpo tremer”

17 — A morte pulsa nas veias da existência e ata minha vida ao pulsar dos segundos

Cara A.a Manhã de domingo — a última desse ano doido-duplo e o sol de verão expulsa-me da varanda… ouço o som do quicar de uma bola de basquete numa quadra da vizinhança, que soa como o tic tac de um relógio em sincronia com os meus batimentos cardíacos. Leio notícias do mundo e faltaContinuar lendo “17 — A morte pulsa nas veias da existência e ata minha vida ao pulsar dos segundos”

17 — Uma porta que se abre em outro lugar

Caríssima M., Manhã de domingo indecisa entre nuvens e sol e ventos e o canto dos pássaros nas árvores da Alameda. Há previsão de tempestade no decorrer das horas. Mas, as nuvens no céu dizem contrários. Fui à feira pouco depois da terceira hora cheia… para fugir do sol quente. E ao avançar pelas ruasContinuar lendo “17 — Uma porta que se abre em outro lugar”

15 — Caminho… e atrás de mim caminham lugares

Caríssima A.a, Comecei a sentir o verão em meu corpo nessa última semana. Vi o sol com seu dourado gasto tingir a fachada dos prédios da alameda. Soube que seria um longo dia azul, com horas abafadas e promessas não cumpridas de chuvas. Eu não sei como as pessoas conseguem ser felizes no verão. EuContinuar lendo “15 — Caminho… e atrás de mim caminham lugares”

13 — A flor escura da realidade

Daqui de dentro, sem prazo para emergir… Caríssima M., …sua missiva chegou até mim como uma forte rajada de vento, daquelas que tiram tudo do lugar e causa algum tumulto na mesa que ocupo essa semana. Não saí de casa — não vi pessoas e me espalhei pelos cantos desse lugar ao qual não pertenço.Continuar lendo “13 — A flor escura da realidade”

12 — O silêncio aumentou tanto que o relógio parou

Aqui, 31/10/21 Cara K., Aguardo pela meia-noite aqui na varanda… sinto os ventos frios sopram forte lá fora, em pleno outubro, que exibe seus últimos estranhos dias. Tudo voltou a ter a rapidez incômoda de antes. Pisca os olhos e começa o mês… pisca de novo e pronto: acabou… Prefiro vigiar as nuvens que dançamContinuar lendo “12 — O silêncio aumentou tanto que o relógio parou”

10 — Às vezes, paro a porta, com o olhar perdido e habituado ao silêncio

Pois de tudo fica um pouco. | Fica um pouco de teu queixono queixo de  tua filha.  | De teu áspero silêncioum pouco ficou, um pouco  |  nos muros zangados,nas folhas, mudas, que sobem. Carlos Drummond de Andrade Cara M., Hoje eu vi S. rapidamente… e levei um susto ao reconhecer os contornos dela no sentidoContinuar lendo “10 — Às vezes, paro a porta, com o olhar perdido e habituado ao silêncio”

09 — Reencontrada em lugares inesperados

Caríssima A., Acordei dentro do breu — ainda madrugada — com o silêncio das alamedas. Que vontade de ir lá para fora… apenas com a roupa do corpo — sem proteções e medos. Ainda não consegui me desvencilhar de certos receios: tenho consciência de que não deixarei de usar máscaras tão cedo, por mais queContinuar lendo “09 — Reencontrada em lugares inesperados”

08 — Ocupar o silêncio da casa

Cara mia, Anoiteceu aqui dentro, cara mia… mas não olhe para os ponteiros do relógio — que insistem em dizer outras horas que não as que trago dentro do peito. Mio cuore — convertido em carrilhão — discorda das horas do dia. Acostumado que está a dar de ombros para a teimosia de Cronos — deusContinuar lendo “08 — Ocupar o silêncio da casa”