Septum

septum, lunna guedes

 

Sete… Septem… Setembro… Septum, do latim ‘aquilo que contém’ — quem conhece esta artesã das palavras sabe bem que se encontrará lá dentro, em cada linha de cada página, porque a colecionadora age assim… na calada da noite, nos gritos do dia, transformando pessoas em arte”.

Adriana Aneli

 


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…eu: lunnaguedes!

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sagitariana. degustadora de cafés. uma flecha em voo rasante. colecionadora de silêncios. não gosta de fazer compras. detesta dias de sol. ama dias de chuva. não aprecia o verão tropical. ama o outono em qualquer lugar. escreve por escrever somente. seu único compromisso é com seus abismos, onde salta para sentir a sensação de queda, sem pouso. adestradora de pretéritos e desafiadora de futuros… a direção na qual a ponta do grafite avança. sabe que seus escritos são obras inacabados… nunca prontos. ponto final é uma coisa incompreensível. gosta de vírgulas e exclamações.

 

Autora de:  s e p t u m

…o que eu escrevi em septum?

“Percebo que a minha escrita acontece em cada passo dado junto às calçadas de São Paulo… mas nem sempre alcança o papel, como se preferisse o aconchego das esquinas onde mendiga, implora… e adormece emaranhada em contradições.”

Lunna Guedes, in; Septum


Sempre a lápis

Alimentei cada uma de suas páginas — como se fosse um dos meus cadernos de capa vermelha — com notas, esboços, rascunhos, rabiscos… quase que diariamente — com pretéritos… escolhendo o que contar, piorar ou melhorar de minhas vivências reais ou imaginárias. É uma verdadeira ode ao meu existir literário…

Um demorado desabafo descompromissado, feito na primeira pessoa do singular. Um grito que não quer deixar a garganta. Um esvaziar-se de emoções… um confessar-se atemporal.

 

As estações da minha escrita…

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Minha escrita já foi primavera… mínima! Totalmente livre de conceitos-estilos-pesos… apenas palavras no papel, sem a preocupação do olhar alheio. Fruta no pé… água da fonte. Uma noite inteira. Ingredientes para uma receita antiga, que se repete na memória. Roupa no varal, a secar ao sabor do vento. Manhã de chuva. Tarde de sol. Noite de ventos afoitos…

…verão, malas prontas, casa fechada e a hora do embarque. As cidades-paisagens e as horas em pares até o desembarque. O corpo em efervescência. A alma a habitar a matéria, convertida em calabouço para as emoções empíricas. O som do carrilhão a ressoar pela casa e a combinar contrários. Foi indiferença-rebeldia-susto-sobressalto… absurdo e espanto. A Realidade a sobrepor a Ilusão. A verdade servida em aromas conhecidos.

…outono, a casa vazia e as janelas fechadas. O som do vento a percorrer os labirintos urbanos-humanos da pele-casa. Manta para os pés. Livros abertos. Cama desfeita. Meias para os pés. Xícaras de chá-café. O pão a assar no forno e o açúcar a caramelar no fundo da panela. Rascunhos antigos revisitados, reescritos, rasurados, amassados.

E foi inverno… qualquer coisa outra! Silêncio-quietude. Caderno fechado. Folhas em branco. Filme em preto e branco. Melancolia dentro-fora da pele-casa. As paredes a pedir uma nova camada de tinta. A chaleira a apitar e as emoções a implorar por um instante de pausa.

 



“vivi centenas de partidas e dúzias de chegadas, como se meu corpo
fosse a plataforma de uma estação e os lugares…
um comboio a passar por mim…”

Lunna Guedes, in;  Septum

As quatro estações…

20050386_854503834727784_1149555240_o…o meu corpo-alma tem suas próprias medições-fases-estações. Sou movida a sensações-ilusões. Preciso do passo pelas calçadas da cidade após a torrencial chuva de verão — com seus raios-trovões que chega sem avisar, desaba e se vai. Do jogo de sombras, no fim de tarde… envelhece-escurece — e o sol vai embora, deixando os conhecidos contornos de ruas-portão-jardim-casa pelo caminho dos olhos. Da mesa posta, pouco depois da seis, os ingredientes escolhidos, as panelas e os aromas de daqui a  pouco.  A cama desfeita, os pés enfiados em meias quentes — o mesmo filme do ano passado. Taças pela metade, garrafa vazia. Um bocejar lento e o corpo a desmoronar-se de sono.