Não há motivos para uma festa à-Gatsby

Em face de outros mil disfarcesque o tempo reassume a cada passo,pode pensar-se em todas essas mãosque emergem como sombras embaçadasem milhares de quartos mobiliados. T.S.Eliot — pág. 79 Li em algum lugar que novembro é a sexta-feira do ano… e como sou aquela “estranha passageira” que não se dá nada bem com calendário eContinuar lendo “Não há motivos para uma festa à-Gatsby”

escrito por um homem

Nem precisei observar as minhas caixas de livro ou o meu baú para escrever esse texto. Mas o deixei para o fim da noite porque o dia foi longo e eu estava ocupada com o projeto de um livro, de poesias.Pensei ao longo do dia e suas horas desarticuladas, a pensar nos livros-lidos. Como jáContinuar lendo “escrito por um homem”

Terra desolada

Abril chegou, passou e acabou! Foi um a.b.r.i.l diferente por aqui… com posts diários, por causa do B.E.D.A (blog every day april)… escritos na varanda, com janelas acesas, céu azul sol-chuva-lua… manhãs, tardes e noites de outono! Foi como pensar-escrever um livro-diário… com “apenas” (?) trinta páginas. Escolhi o caderno — numa papelaria imaginária. ProvidencieiContinuar lendo “Terra desolada”

Carta a você que me lê nesse Abril…

o mais cruel dos meses, segundo o mestre Eliot Escrevo-te nesse abril… Outono quente-febril. Ano 2021. Não estou — mas como eu queria estar — em viagem estelar, como no seriado visto tantas vezes — era o meu favorito! —, na minha meninice… em que tomei espetadas no braço esquerdo para todas as doenças… “daContinuar lendo “Carta a você que me lê nesse Abril…”

Poemas

Os homens ocos INós somos os homens ocosOs homens empalhadosUns nos outros amparadosO elmo cheio de nada. Ai de nós!Nossas vozes dessecadas,Quando juntos sussurramos,São quietas e inexpressasComo o vento na relva secaOu pés de ratos sobre cacosEm nossa adega evaporada Forma sem forma, sombra sem corForça paralisada, gesto sem vigor; Aqueles que atravessaramDe olhos retos,Continuar lendo “Poemas”

Amanheceu outubro (de novo)

Setembro foi embora como chegou… trinta dias riscados num calendário-torto. E eu nem sei o que fiz. Não fiquei parada feito os ponteiros do carrilhão da minha infância… que silenciou o pulsar em um outubro-outro. Mas, eu sigo com a sensação de imobilidade no corpo-alma…Talvez porque Outubro — que é o décimo mês no calendárioContinuar lendo “Amanheceu outubro (de novo)”

01 | Habemus Aprile

A primeira vez em que li o poema the waste land de T.S.Eliot… eu estava a bordo da minha segunda década de vida. Eram os anos noventa… e Nick French tocava nas rádios — stop in the name of love. A  Dance music estava de volta como se fosse novidade. A cultura Clubber ainda tinhaContinuar lendo “01 | Habemus Aprile”

22 | reflexões sobre o verso livre

Depois de ler uma resenha no blogue Café com leitura… fiquei a pensar na questão do vers libre — verso livre — e na maneira como é defendido por muitos poetas e críticos, enquanto é atacado por outros tantos. Não sou poeta e nem tenho a pretensão de ser… muito embora tenha flertado com oContinuar lendo “22 | reflexões sobre o verso livre”

Abril, o mais cruel dos meses!

Eu nunca tive para com Abril uma relação próxima… sempre foi uma espécie de caminho do meio… para se chegar a maio — um dos meus favoritos no calendário, desde a infância. Justamente por suas sonoridades peculiares — o mês das trovoadas.Sempre tentei relacionar os meses do ano a qualquer coisa minha — para facilitarContinuar lendo “Abril, o mais cruel dos meses!”

Four Quartets (1943)

Burnt NortonT.S.Eliot V As palavras se movem, a música se moveApenas no tempo; mas somente o que vivePode morrer. As palavras, faladas, se calamFazem silêncio. Apenas pelo modelo, a forma,As palavras ou a música podem alcançarO repouso, como um vaso chinês que ainda se movePerpetuamente em seu repouso.Não como o repouso do violino, enquanto aContinuar lendo “Four Quartets (1943)”