21 | o resultado das minhas somas

Eu não sou o tipo de pessoa que se preocupa com os anos e seus efeitos na pele, corpo, memória… porque a minh´alma já nasceu velha. Sou uma pessoa antiga, que recusa certas modernidades, mas se adéqua com facilidade as novidades. Eu vivo o meu tempo… mas, gosto de admirar o ontem que não alcancei, que é como uma tela de Hopper, Magritte, Portinari, Tarsila… um filme em preto e branco. Cada década tem o seu charme-elegância-peculiaridade.
Eu tenho os dois pés fincados nesse existir contemporâneo e consciência dos anos que me acompanham. Eu nunca quis ser mais nova ou mais velha. Ao dezessete… eu tinha exatamente essa idade e nunca a ocultei-adulterei. Nunca fingi ser mais ou menos. Fui barrada em cinema, shows e em um sem-fim de lugares. Como andava com pessoas mais velhas… sempre aparecia alguém para se responsabilizar por mim.
Os anos sempre me vestiram bem, com a precisão dos dias. Gosto de datas cheias… décadas inteiras. Lembro-me da primeira vez que ouvi a frase “quase dez”. Achei tão imenso, inteiro. Faltava pouco… estava quase lá — só precisava de mais um passo. Adotei… quase vinte-trinta-quarenta.
Hoje, aos trinta e sete… vivo mais um quase  quarenta. E me aborreço quando me dão menos. Outro dia tomei um susto. Subtraíram quase dez anos da minha matéria. Quase desfaleci… senti faltar o ar, perdi o dom da fala e fiquei lá… a revirar os olhos.
Eu não tenho problemas com o espelho… o encaro de frente, a qualquer momento do dia-vida. Sei quem é a pessoa que me olha… conheço a mistura da qual sou feita. Reconheço cada traço, recorte, reta. Sei de cada momento de vida… os bons, os incríveis, os inacreditáveis… e tenho consciência de que nem tudo foi alegria. Eu vivi tristezas, dúvidas e desistências. Meia volta. Vários recomeços. Desfechos muitos e um sem-fim de fracassos. Cada tropeço me ensinou a levantar e evitar uma nova queda.
Gosto imenso de saber que sou o exato resultado dessas somas e não quero mais ou menos. Estou satisfeita com a fatia a qual tenho direito. Trinta e sete anos… quase quarenta! Disso eu não abro mão. Não disfarço. Não oculto… e não recuso as marcas. Eu comecei a envelhecer no primeiro segundo de vida… e se envelheço é porque o pulsar ainda acontece firme dentro do peito.

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A… gosto da pessoa que sou!

Agosto aconteceu no calendário dos homens e nessa soma insana de dias + meses + ano, chegamos a esse estranho resultado onde um + uns… é igual a oito.

Deram a largada do ano lá em janeiro e cá estamos… a poucos metros do fim. Daqui a pouco tem ho ho ho (h.e.l.p) e toda aquela insana correria de presentes e ceias. Mas, nos restam alguns dias + semanas + meses. Ainda é dois mil e dezenove… segundo semestre. E dizem por aí que, em agosto tudo estaciona e se vive um ano inteiro dentro de seus trinta e um dias… que é quando acontece o B.E.D.A — blog every day august — um desafio que surgiu para agitar os dias de abril e agosto nos blogues e comemorar o Blog Day.

Desde o primeiro beda é que percebi que já não é mais tão fácil alimentar um blogue. Se lá no distante ano de dois mil e dois — quando eu comecei a fazer uso dessa ferramenta — era natural escrever e os posts jorravam aos montes… dois ou até três por dia. Isso é passado — não acontece mais. E se eu consigo escrever e publicar um post (quem sabe dois) por semana, já me dou por satisfeita.

Não desaprendi a arte de blogar… mas ficou difícil me dedicar ao compromisso diário e atender as minhas exigências. Ainda existem muitos temas para abordar, mas a disposição já não é mais a mesma. Falta ânimo e pior: sobra amanhã…

Mas, eu aceitei o desafio e tenho para mim que será agradável descobrir — ao final dessa jornada — se ainda sou capaz de escrever de maneira diária e sem pausas…