32 — A casa-alma foi ocupada pelo silêncio

Carissimo O, O dia vai longe… já é quase hora do almoço do lado de fora dessa janela aberta que sou. E lhe confesso que, eu  mesma, aqui dentro de minha pele: amanheço. Respiro fundo, atravesso a Rua, desejando deter meu passo e deixar essa gente apressada — uma manada humana — me ultrapassar porqueContinuar lendo “32 — A casa-alma foi ocupada pelo silêncio”

Quase Quarenta

Aproveitar o tempo!Ah, deixem-me não aproveitar nada!Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!…Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisa,A poeira de uma estrada involuntária e sozinha,O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm outras,O pião do garoto, que vai a parar,E oscila, no mesmo movimento que oContinuar lendo “Quase Quarenta”

02 — Não só de café vivem os loucos

E abre-se o mundo por mil portas simultâneas.Quem aparece? E outras mil portas sobre o mundose fecham. Tudo se revela tão pereneque eu é que sou translúcida morta. Cecília Meireles Cara mia, Penso em escrever-te há dias, mas os ponteiros do relógio não sossegam e os dias no calendários avançam impiedosos. Disseram-me que Agosto eraContinuar lendo “02 — Não só de café vivem os loucos”

Em meu princípio está o meu fim

Na infância… o tempo não existe. Talvez por isso, as pessoas, em geral, sintam tanta falta daquela fase menor. O tempo não é ontem, hoje, amanhã… muito menos agora — o mais inexistente dos modelos. É coisa dos adultos, que anunciam a hora de acordar, almoçar, ir para a escola, brincar e dormir.Existe tempo paraContinuar lendo “Em meu princípio está o meu fim”

02 | tempo. tempo. tempo

Eu nasci entre anciãos… e talvez por isso sempre me considerei igual a eles. Nunca soube conviver com pessoas de pouca idade. As crianças e seus porquês sempre me aborreceram. A juventude com suas inquietações me perturbavam. E a tal fase adulta-inaugural nunca se adequou à minha pele.Gostava mesmo era de me sentar na poltronaContinuar lendo “02 | tempo. tempo. tempo”

21 | o resultado das minhas somas

Eu não sou o tipo de pessoa que se preocupa com os anos e seus efeitos na pele, corpo, memória… porque a minh´alma já nasceu velha. Sou uma pessoa antiga, que recusa certas modernidades, mas se adéqua com facilidade as novidades. Eu vivo o meu tempo… mas, gosto de admirar o ontem que não alcancei, queContinuar lendo “21 | o resultado das minhas somas”

A… gosto da pessoa que sou!

Agosto aconteceu no calendário dos homens e nessa soma insana de dias + meses + ano, chegamos a esse estranho resultado onde um + uns… é igual a oito. Deram a largada do ano lá em janeiro e cá estamos… a poucos metros do fim. Daqui a pouco tem ho ho ho (h.e.l.p) e toda aquela insanaContinuar lendo “A… gosto da pessoa que sou!”