6 on 6 | Trick or treat

6 on 6 trick or treat 11 — Sempre considerei o ato de cozinhar: uma travessura. A melhor de todas. A preferida, sem dúvidas. Aprendi a pensar no prato que irei preparar… e, a partir disso,  fazer a lista de ingredientes. Lavar. Descascar. Cortar. Picar. Fatiar… entre goles de vinho branco e, ao som de uma canção, porque uma boa trilha sonora… é indispensável!

6 on 6 trick or treat 22 — Na cozinha… é onde certas manias se destacam. Todas as coisas precisam estar em seu devido lugar, organizadas e prontas para uso. Organização na Cozinha é essencial… Pia limpa. Uma boa tábua. Um excelente conjunto de panelas… e uma faca bem afiada…

6 on 6 trick or treat 33 — Gosto imenso de ter todos os ingredientes prontos, devidamente separados… antes de começar a preparar um prato. Embora, às vezes, opte por preparar, conforme os levo ao fogo. Depende de quem está comigo, na cozinha. Se tenho companhia, gosto da dança que é papear e preparar — uma combinação (deliciosamente) perfeita!

6 on 6 trick or treat 44 — Adoro preparar caldos-risotos-massas! E para essa (deliciosa) noite fria de outubro, escolhi um dos meus favoritos: caldo de legumes… cebola e alho picados. alho poro fatiado. batata fatiada. cenoura ralada e milho cozido a vapor.

6 on 6 trick or treat 55 — A travessura começa (e quem já foi convidado aos jantares que sirvo, sabe) quando os aromas explodem no ar. Se um cheiro não me agrada: não como. Meu apetite é movido a aroma. Gosto imenso do cheiro do alho e cebola a dourar no azeite e dos ingredientes a cozinhar len.ta.men.te. Respiro fundo e visto o melhor dos meus sorrisos.

6 on 6 trick or treat 6 - caldo de legumes6 — A cozinha sempre me lembrou que os aromas são passageiros. Um instante e pronto: acabou… fica apenas a memória e essa precisa ser alimentada de novo e de novo e de novo. Gosto quando alguém diz que se lembrou das bruchettas, do pão de batatas, da massa… que eu preparo. Gosto quando alguém me liga e pede “faz aquele seu nhoque para mim”… é meu ‘trick or treat‘ — um alegria tão natural-minha, que faz transbordar o melhor dos sorriso…

 



Ana Claudia |  Claudia Leonardi  | Fernanda Akemi
Isabelle Brum  | Luana de Sousa | Mari de Castro |
Maria VitóriaMariana Gouveia | Obdulio Nuñes Ortega

 


 

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6 ON 6 | Passos

Gosto imenso de andar porque o passo avança no mesmo sentido da pena-lapiseira e o chão é uma espécie de papel onde escrevo. Tomo nota das coisas que vejo-sinto-percebo…

dsc_00321  — gosto imenso quando o passo é pausa e eu posso fechar os olhos, descansar os pés e beber pequenos goles de ar-vida-quietude-serenidade… 

Outono - estação favorito do ano— quando meu passo é ultrapassado por outros passos… a caminho de minha porção de mundo, o porto onde ancorar meus pés. 

img_20180811_141417_948— quando as distâncias se reinventam e na melhor das companhias, eu alcanço outras paisagens… que mesmo inéditas, sempre estiveram em mim…

dsc_00911— quando o passo do outro se encontra com o meu e avançamos por caminhos urbanos, dessa metrópole que me convida as suas vias…

perceber o dia— de chegar a casa e despir os pés… sentir as ranhuras do chão, os aromas conhecido do lugar e reconhecer que o melhor verbo a se conjugar é: voltar…

DSC_0135— e não importa o caminho que eu percorra, quando na companhia dele, ainda que a gente vá até a cozinha para brincar de ‘nós dois’ é o melhor destino possível. 

 


 

Ana Claudia | Anália BossClaudia Leonardi  | Fernanda Akemi  Luana de Sousa
Mari de Castro | Maria VitóriaMariana Gouveia | Obdulio Nuñes Ortega

 


 

6 ON 6 | a pessoa que somos

 Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear…

Álvaro de Campos


Espaços urbanos

1 — sou lugares, que transito-ocupo na cidade…. esse cenário contraditório onde tudo e nada – novo e velho se misturam e se oferecem aos meus pés, meu guia nesse mapa de possibilidades que eu traço de esquina em esquina.

Outono - estação favorito do ano

2 — sou toda estações… as quatro num mesmo minuto. Mas quando respiro fundo e me calo, sou toda outono da alma ao cuore… da pele ao meu avesso — inquieto-arteiro-afoito…

6 on 6 - rascunhos

3 — sou rascunho… que o papel aceita quando a noite se impõe em meus olhos.

6 on 6 - tempestade

4 — sou tempestade… que chega sem avisar e ocupa todos os espaços da pele-alma… com seus múltiplos trovões e relâmpagos…

6 on 6 - personagens

5 — sou personagens… nos quais esbarro pelos caminhos vida que percorro, enquanto ouço a música dita o ritmo de meus passos alquebrados por caminhos reais ou imaginários.

6 on 6 — personagem próprio

6 — sou figura… inteira-metade-imprópria-irregular-muitas-poucas-nenhuma-contrária-avesso-verso-reflexo. eu mesma-outra.

 


 

| Cilene Mansini Maria Vitoria |Mariana Gouveia |
Mari de Castro Obdulio Nuñes Ortega |

 


 

6 ON 6 | JUNHO

Desde menina que giugno é um dos meses favoritos no calendário e me acostumei a dizer — desde que me mudei para São Paulo em dois mil e dois — que adoraria fechar os olhos e acordar dentro das manhãs de giugno… que por aqui são menos claras-curtas-frias e suavemente esbranquiçadas. O sol se demora a ultrapassar as nuvens e tudo fica mais lento e aconchegante — para depois… como tanto gosto!

Ainda é outono… mas, em poucos dias será inverno e eu vou me fechando dentro — abraçada a melancolia que tem lugar cativo em meu corpo-alma.

6 ON 6 JUNHO 01

1. adoro vestir pijama-meias e andar por aí… com xícaras-livros em mãos. Sem pressa. Acordar cedo, antes do mundo e espiar paredes, a mobília. Ocupar eu lugar à mesa. Medir os ingredientes, a realidade, as coisas e sua causas…

6 ON 6 JUNHO 03

2. Gosto imenso quando saio para caminhar e encontro as folhas pelo chão… me lembro imediatamente das brincadeiras de infância quando C. e eu íamos ao Parque-Bosque pra tentar agarrar uma folha em seu último voo de vida-e-morte. Era sinal de sorte interceptá-la antes que tocassem o chão!

6 ON 6 JUNHO 04

3. Trabalhar na cama, comer uma fatia generosa de bolo recém saído do forno. Assistir a um filme, ler um livro. Adormecer. Meditar coisas futuras… escrever os posts do blogue. Despertar dentro de certas manhãs esbranquiçadas de giugno.

6 ON 6 JUNHO 02

4. Ir para cozinha no final da tarde, quando começa a escurecer, medir os ingredientes e preparar fornadas de pães. trigo. ovos. manteiga. leite. ervas secas. fermento. Misturo tudo numa tigela. Amasso até a massa mudar de cor e o cheiro se esparramar pelo ar. Deixo crescer e preparo os pães que vão ao forno. Nunca soube determinar a quantidade dos ingredientes que uso. Aprendi com a nona a usar os sentidos na hora das medições… também não entendo nada de receitas, apenas de ingredientes.

6 ON 6 JUNHO 05

5. Gosto imenso de ir à feira com um prato em mente… escolher os ingredientes frescos. Cozinha limpa-arrumada. Lavar. Picar. Ralar. Água no fogo. Massa a cozinhar. Azeite na frigideira… alho-cebola-cenoura-couve-flor-alho-poró e os aromas no ar.  Mesa posta para dois-três. Depende do dia…. gosto quando é para apenas nós dois. Aprecio quando é para outros de nós. Ir para a cozinha a qualquer momento, sem compromisso-obrigação de horários é pausar a realidade e deixá-la para depois…

dsc_0091 6. Gosto imenso de giugno porque é o mês de meu menino… o nosso mês… mais um bom motivo para despertar dentro dessas manhãs esbranquiçadas.

 


 

| Cilene Mansini | Maria Vitoria |Mariana Gouveia |
Mari de Castro | Obdulio Nuñes Ortega |


 

6 ON 6 | RETRATOS

O primeiro retrato de que me lembro… é também uma de minhas primeiras lembranças. Tinha quase cinco anos, a manhã estava ensolarada e os pássaros sobrevoavam telhados. O vento frio derrubava folhas e cumpria seu papel de anunciar a nova estação.

Um signore e seu ajudante chegarão na hora marcada… com o equipamento necessário. Posicionaram a câmera no quintal dos fundos. Nos arrumamos como se fossemos sair… e debaixo da laranjeira posamos para a fotografia. Um. Dois. Três. Quatro… cliques.

A foto meio esverdeada se desfez com o tempo, se perdeu dos olhos, mas permanece intacta em minha memória. Recordo a inquietude de meus gestos. Eu não parava quieta. Não sorria. Espiava os gestos dos meus. Me distraia com folhas-pássaros-vento. Mio babo fez questão de comprar todas as doze fotografias, que foram coladas num álbum, que a gente folhou nas noites de sábado durante os anos seguintes.

Hoje com o advento dos celulares, fotografias são frequentes, mas os velhos álbuns deixaram de existir. Registramos todo e qualquer momento, mas é tudo tão frágil. São tantos cliques por dia, que esquecemos ou simplesmente não nos lembramos do instante.

Eu não tenho retratos impressos, estão todos em nuvens-memórias… e dificilmente volto a eles. Hoje, para preparar esse post, me diverti com cenas que nem na minha memória estavam…


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— uma visita ao mirante nove de julho, para mais um dia de trabalho, pesados goles de café, pesadas nuvens a vestir a tarde de noite e a sensação de que mais um capitulo de minha história — que se fosse intitular, chamaria de 1981 — foi escrita..

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nós dois… com nossos sorrisos conhecidos, em pares. Sorrimos por sorrir somente, para nós… o mundo que somos um para o outro.

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era um dia azul e a gente pegou a estrada. As paisagens foram passando por nós e nós por elas… os pedágios, carros-ônibus-caminhões-motos. Gosto de observar o lugar de onde saímos… e dar pelo lugar para onde fomos. Chegar-partir-ficar… verbos devidamente conjugados nesse retrato nada comportado… rá

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fomos caminhar pela centro velho de São Paulo. Passos em pares… a gente sempre se mistura quando se encontra pelos caminhos… se diverte com olhares-sorrisos-palavras. E sempre se lembra de fotografar o momento que daria para fazer um álbum…

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o relógio dizia 15 horas... o calendário anunciava a terça-feira. Eu cheguei primeiro. Gosto de escolher o lugar-mesa-cadeira… e esperar. Gosto de observar a chegada… abrir os braços — como pássaro que salta para o vôo — e se encaixar em outros braços. Gosto das primeiras palavras — sempre imprecisas, as pessoas chegam trazendo rastros e até se desfazer deles leva algum tempo.

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entre esquinas para lançar mais um livro. Era noite de quinta. As pessoas foram chegando-deixando abraços-sorrisos. Gosto de observar as reações de cada leitor de posse de um livro artesanal. Querem compreender o caminho percorrido pela fita… a maneira como o papel se ofereceu ao molde. E, no dia seguinte a esse momento-movimento… ao passear pelos retratos desse dia, esse ficou… um nó que não desata!

 


Mariana Gouveia | Maria Vitoria |Obdulio Nunes Ortega