A inquietante ausência…

lua 2

Me lembro que caminhava pelas ruas de Coimbra, com as mãos no bolso, a caminho de mim mesma, quando esbarrei em duas figuras aninhadas em si mesmas. Vinham em minha direção, sem deixar seus mundos. Passava das três, quase quatro, nunca cinco. Me perdi de mim mesma, indo habitar aqueles corpos enquanto os movimentos combinados, atravessavam o cenário incomum… pisando firme os paralelepípedos bem encaixados – aos pares. Uma espécie de flutuação pelo caminho!

O mundo inteiro se desfazia à passagem delas… duas Mulheres… duas Damas… de Copas… num jogo sem regras… cartas na mesa… a realidade às avessas…

Era uma segunda-feira lenta de maio… tinha chovido muito durante a madrugada, e o aguaceiro tinha deixado rastros pelos arredores. Havia poças acumuladas a espera de crianças levadas, e pelo céu, nuvens esbranquiçadas, vagabundeavam sem direção, completamente perdidas – assim como eu – na imensidão do nada. Um velho sol se esforçava em tocar certas superfícies, sem sucesso…

Estava com saudade de um lugar, que já não visitava, havia algum tempo… e ao esbarrar naquelas duas figuras destemidas, sem destinos possíveis dentro delas… regressei ao lugar onde sou abismo e queda… e assim a distância entre o papel e a pena se desfez!