BEDA | about me…

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No meu tempo de colégio eu tive um daqueles cadernos de perguntas & respostas. Acho que todo mundo que passou por uma sala de aula teve um. Eu comprei um caderno brochura, encapei com folhas de revistas e colei um recorte de papel branco na capa, se podia ler: about me.  Nunca o entreguei a outras meninas, como era costume.

Todo mês eu respondia as mesmas treze perguntas… para ao final do ciclo apreciar as mudanças-ausências-permanências.

Nesse ano, eu retomei a brincadeira… faço o mesmo, na primeira página do mês de minha agenda.

Ano: 2018
Tempo de vida: 437 dias e algumas horas… e a contar!
Eu faço: arte… com agulha, linha e grafite.
Vivo em: Sampa
Com: ‘meu menino’
Eu gosto de: café e livros
Eu não gosto de: pessoas
Meu livro favorito é:pride and prejudice‘, de Jane Austen.
Meu autor favorito é: Paul Auster
Meu poeta favorito é: Emily Dickinson
Poem: ‘prelúdios’, T.S.Eliot

Um cobertor da cama agitaste,
Caíste de costas, e aguardaste;
Adormeceste, e observaste a noite que revelava
Um milhar de imagens sórdidas
Do que tua alma foi formada;
Contra o teto eram arremessadas.
E quando todo mundo retornou
E entre as venezianas deslizou a claridade,
E você ouviu os pardais nas calhas da cidade,
Tiveste uma visão da rua
Como se frases por ela fossem compreendidas;
Sentado numa parte da cama, onde
Curvastes papéis que teu cabelo esconde,
Ou agarraste dos pés a amarela sola nua
Nas palmas de ambas as mãos encardidas.

Uma frase:escrever é um bonito ato. cria algo que dará prazer a nós e também aos outros” — Susan Sontag.

Meu momento favorito: now!!!

 


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BEDA | escrito por uma dama…

valentine

 

Que eu tenho dificuldades com datas, isso não é exatamente uma novidade para quem acompanha esse blogue. Eu me enrosco-tropeço-esqueço em datas de nascimento-morte-comemorativas.

Mas eu soube há pouco que comemoraram o dia do café. Viva. E no próximo vinte e três comemora-se por todos os cantos… o dia mundial do livro.

Eu não me entendo com nada disso… mas o que me agrada é que as publicações se voltam para a data em questão e se esquecem por alguns minutos do assuntos cada vez mais enfadonho do futebol-politica e suas briguinhas de esquerda-direita… volver.

E uma notícia que me aguçou os meus sentidos foi a de um projeto tupiniquim que pretende reimprimir autoras que, em outros tempos, tiveram que se esconder atrás de pseudônimos masculinos. No não tão distante século XIX… uma mulher que se dedicasse a uma atividade intelectual estava cometendo uma transgressão gravíssima.

As mulheres deveriam se ocupar em conquistar um bom esposo e lhe dar filhos.  O lar deveria ser impecável-aconchegante-e-saudável. Uma mulher deveria ser capaz de manter as coisas dentro das quatro paredes de acordo com o padrão determinado pela burguesia.

Havia, no entanto, damas que não se contentavam com essa realidade. Escreviam, mas não se entregavam.  Jane Austen é uma da romancistas mais conhecidas do Reino Unido, mas em vida não assinou um único livro.

Na capa de “Orgulho e Preconceito” anunciava-se apenas… “um romance. em três partes. escrito por uma dama”… 

Outro escritor conhecido foi George Sand — pseudônimo utilizado pela francesa Amandine Dupin — autor(a) de Valentine, entre outros tantos. O escritor russo Ivan Turgenev era um de seus mais ardorosos defensores — e embora não fosse único — foi ele quem disse: “que homem corajoso ela foi, e que boa mulher”.

Amandine Dupin era uma transgressora que causava polêmica em Paris não apenas por escrever, mas por usar roupas masculinas, fumar em público e ter casos amorosos frequentes — coisas permitidas apenas aos homens de família, digo… vocês entenderam!


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